HISTÓRIA/PREMISSA
Tem jogos que a gente nem sabia que precisava jogar até finalmente experimentar. Voron: Raven’s Story é exatamente esse tipo de jogo.
Lançado em 10 de novembro de 2025 pela Merk Games para PC via Steam, Voron parece simples à primeira vista, mas entrega uma experiência diferente, leve e com boas ideias .
Em Voron você controla um jovem corvo que faz parte de uma família responsável por ajudar Odin (pouca responsabilidade não, graças a Deus, digo, a Odin mesmo), levando almas para o reino dos deuses. Tudo começa de forma tranquila enquanto você aprende a voar, explora a ilha e coleta algumas almas.
Mas quando chega a hora de subir até o reino divino, Jormungandr (GOW 2018 INTENSIFIES) aparece e destrói tudo. Sua família cai diante da serpente e você é o único sobrevivente. A partir daí o jogo muda para uma jornada mais solitária e melancólica, focada em cumprir o papel que antes era desempenhado por todos.
Durante o caminho você encontra almas maiores, cada uma com seus dilemas e pedidos que precisam ser resolvidos antes de seguirem com você. Elas funcionam como pequenas histórias isoladas que dão um toque emocional ao jogo. A ilha também guarda tábuas espalhadas com informações sobre os deuses e sobre Ragnarok. Elas não seguem uma ordem, mas ajudam a dar profundidade ao mundo, que parece quebrado e tenta se reconstruir.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
A jogabilidade é totalmente focada no voo. Você controla a direção e bate asas para ganhar velocidade. No início tudo é leve e livre, mas isso muda depois do ataque da serpente, quando o corvo fica ferido.
É aqui que entra a barra de estamina. Voar exige energia, deslizar recupera um pouco e pousar recupera bastante. Essa mecânica transforma o voo em algo mais estratégico. Você precisa pensar melhor nos trajetos, no ritmo das batidas de asa e no quanto quer se arriscar em áreas mais distantes.
A ilha oferece pequenos desafios, como argolas com tempo, puzzles rápidos e caminhos que testam sua precisão. O objetivo é coletar almas suficientes para abrir um portal na torre de relâmpagos.
Explorar a ilha é divertido, mas tem um problema: as almas menores que recuperam estamina são comuns nas rotas principais, mas quase não aparecem em áreas afastadas. Isso deixa algumas viagens longas lentas demais e quebra o ritmo da exploração, já que você não consegue manter velocidade.
Apesar disso, os momentos de voo mais rápido, desviando de obstáculos ou tentando completar desafios no limite do tempo, são os pontos mais divertidos do jogo.
DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA
A direção de arte é simples, mas charmosa. O design remete a um desenho animado com um toque em 3D que traz certa diferença nos jogos atuais, também investe bastante em uso de polígonos e a leitura visual é clara, e não existe excesso de elementos na tela. Tudo funciona de forma direta. O jogo foi feito praticamente por uma única pessoa, e isso torna o resultado ainda mais impressionante.
No entanto, há alguns detalhes que incomodam. O brilho de certos efeitos é exagerado, principalmente quando Yggdrasil está no cenário. Olhar na direção da árvore pode até atrapalhar a visão. Alguns ajustes de iluminação resolveriam isso facilmente.
Outro ponto técnico é o volume inicial. Ele é muito alto e precisa ser reduzido logo nos primeiros minutos de jogo para não se tornar desconfortável, especialmente com fones de ouvido.
Mesmo com essas falhas, a identidade visual funciona bem e combina com o clima do jogo.
A trilha sonora é uma das partes mais agradáveis de Voron. Ela acompanha a vibe calma e melancólica da jornada, sem tentar chamar atenção demais. São músicas leves, que ajudam a manter o ritmo da exploração e deixam os momentos mais emocionais ainda mais marcantes.
Nada aqui é grandioso e épico, mas tudo combina com o estilo do jogo. É uma trilha pequena, porém bem escolhida, que cumpre seu papel e melhora bastante a ambientação.




CONCLUSÃO
Voron: Raven’s Story é um jogo pequeno, feito com cuidado e com um sistema de voo que realmente se destaca. Ele tem limitações claras, mas também acertos que fazem a experiência valer a pena. Nada nele tenta ser grandioso. Ele entrega uma jornada simples, com clima tranquilo e um charme próprio que pode surpreender quem gosta de jogos focados em liberdade e exploração.
Não é perfeito e tem questões técnicas, mas tem personalidade e momentos muito bons.
