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Review de Necesse – Um sandbox cheio de charme e desafios

Licença recebida via Keymailer
Versão de PC

Data de lançamento: Acesso Antecipado lançado em 12 de dezembro de 2019;
Plataformas: Disponível no Steam para Windows (PC), macOS e Linux;
Desenvolvedor: Fair Games ApS (fundada por Mads Skovgaard, também conhecido como “Fair”);
Distribuidor: Fair Games ApS (auto-publicado);
Gênero: Action‑Adventure, RPG, Indie, Sandbox.

Aventura e construção? Aqui temos isso de forma impecável!

PREMISSA/NARRATIVA

Em Necesse, você não é um herói escolhido por profecia, não nasceu com uma espada mágica grudada na mão nem precisa salvar o mundo de uma entidade cósmica. Você simplesmente… chega. De barquinho, sem grandes explicações, em um mundo vasto, gerado proceduralmente, onde cada ilha guarda segredos, recursos e problemas esperando por um dono. E adivinha? Esse dono é você.

A história não é contada em cinemáticas épicas, mas nas escolhas que você faz. Vai explorar sozinho como um ermitão das cavernas ou montar uma vila com colonos trabalhando pra você? Vai caçar artefatos lendários escondidos em masmorras infestadas de monstros ou só plantar cenoura e decorar a casa com tapetes? A liberdade é tanta que, às vezes, você até esquece que tem um dragão esperando por pancadaria lá no fundo de uma cripta.

O mundo de Necesse é vivo. De dia, tudo parece calmo. De noite, você reza pra ter muros fortes e guardas com bom senso. Cada ilha tem seu bioma, cada caverna tem seu mistério, e cada passo que você dá pode te levar a um chefe gigante ou a um novo minério brilhante. E mesmo sem uma “lore” tradicional, dá pra sentir que tudo ali está em constante evolução, esperando que você pise, lute, construa… e morra pra um esqueleto com arco.

Necesse não te pega pela mão. Ele te joga numa jangada, entrega um machado e diz: “Te vira”. E nesse caos delicioso de crafting, magia, mineração e caos pixelado, nasce uma jornada única a cada novo mundo gerado.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

Se você acha que Necesse é só mais um clone de Terraria, respira fundo, porque o buraco é bem mais pixelado. O jogo entrega uma jogabilidade surpreendentemente robusta, com camadas de complexidade que aparecem na medida certa, como um bolo que revela o recheio só depois da segunda garfada. Aqui, você pode começar quebrando pedras e, quando se dá conta, já tá gerenciando uma vila inteira com colonos plantando, pescando, construindo e até defendendo o local das ameaças noturnas.

O sistema de progressão é orgânico e vicia sem pedir licença. Tudo começa de forma simples: colete madeira, mate um zumbi, cave um túnel… e pronto, você já tem um arsenal de equipamentos mágicos e uma base que parece uma mistura de hotel-fazenda com bunker apocalíptico. A liberdade é tanta que o jogador pode seguir no seu ritmo, explorando novas ilhas com biomas distintos, enfrentando chefes que exigem preparo e builds específicas, ou apenas curtindo o sossego de plantar batatas com os colonos.

E falando em colonos, o gerenciamento de NPCs é um dos pontos altos do jogo. Você pode recrutar personagens para diferentes funções, como mineradores, artesãos e caçadores. Eles não só aliviam a sua barra como também tornam o mundo mais vivo e dinâmico. Claro, nem tudo são flores: se você esquecer de construir camas suficientes ou deixar a comida acabar, seus colonos podem simplesmente abandonar sua vila, como uma rave que ficou sem cerveja. E convenhamos, ninguém quer administrar um vilarejo fantasma.

As batalhas são dinâmicas e, às vezes, caóticas. A variedade de armas, feitiços e armadilhas dá espaço para personalização, com builds que vão do bárbaro full machado até o mago invocador com gosto duvidoso pra chapéus. Dá pra enfrentar os inimigos com estilo, estratégia ou simplesmente na base da correria e spam de poções. E pra quem curte jogar com os amigos, o multiplayer é uma cereja pixelada no topo: você pode abrir o mundo para coop via Steam ou até usar servidores dedicados, criando verdadeiras colônias em grupo. Só não vale deixar o amigo preso na dungeon e logar só no dia seguinte, a lei da selva também se aplica aqui.

DIREÇÃO DE ARTE/ASPECTOS TÉCNICOS

Se pixel art fosse uma arte marcial, Necesse já teria faixa preta há tempos. O visual pode parecer simples à primeira vista, mas esconde um cuidado surpreendente nos detalhes. O jogo começou mais rústico, quase como aquele primo indie que se veste com o que tem, mas recentemente passou por uma repaginada de respeito: foram mais de 3.200 sprites redesenhadas, melhorando tudo, desde as árvores até o brilho do sabre de luz místico que você forjou às 3 da manhã enquanto fugia de um esqueleto arqueiro.

A identidade visual é charmosa, com um estilo limpo que favorece a leitura da tela mesmo durante o caos das batalhas. A paleta de cores varia conforme os biomas: há ilhas tropicais ensolaradas, cavernas profundas que parecem ter saído de um álbum de metal progressivo e fortalezas nevadas que te fazem querer acender uma fogueira e refletir sobre a vida. E falando nisso, os efeitos de iluminação dinâmica são discretos, mas eficientes, aquele tipo de polimento que não chama atenção até você tentar viver sem.

No som, a trilha cumpre seu papel com dignidade. As músicas variam entre o tranquilo e o épico, com temas que embalam bem tanto a jardinagem casual quanto as bossfights onde você grita por socorro real. Os efeitos sonoros também são honestos, ainda que às vezes repetitivos. Uma picaretada soa como uma picaretada, e isso, por incrível que pareça, já é um mérito em jogos sandbox. Seria interessante no futuro ver mais variações sonoras para diferentes ferramentas e monstros, talvez até gritos dramáticos de zumbis frustrados.

Do ponto de vista técnico, Necesse é quase uma joia. Mesmo rodando em Java, o jogo é incrivelmente leve e otimizado, o que por si só já é um milagre moderno. Ele funciona bem até em PCs da era paleolítica e roda suavemente no Steam Deck, onde entrega performance estável mesmo em momentos com dezenas de NPCs e monstros piscando na tela. Os menus são simples, mas funcionais. E embora ainda falte suporte completo a remapeamento de teclas, a interface é intuitiva e fácil de entender, o que é essencial num jogo onde você pode estar minerando com uma mão e organizando estoque com a outra.

CONCLUSÃO

Necesse é aquele tipo de jogo que chega de mansinho, sem estardalhaço, mas quando você percebe, já tá três horas cavando um túnel pra ver “onde vai dar” e brigando com sua consciência por ter ignorado a plantação de trigo de novo. Ele mistura o melhor de vários mundos: tem a exploração e combate de Terraria, o gerenciamento de vilarejo de RimWorld, um sistema de progressão viciante e uma liberdade de criação que te prende igual aquela aba do YouTube às 2 da manhã.

Mesmo em acesso antecipado, o jogo já entrega uma experiência rica, divertida e estável. As mecânicas estão bem amarradas, a performance é excelente e o conteúdo atual já oferece dezenas (senão centenas) de horas de gameplay. Claro, ainda há o que evoluir: a dificuldade às vezes sobe do nada, falta uma história mais estruturada pra quem curte narrativa direta, e algumas interfaces poderiam ser mais amigáveis. Mas tudo isso é detalhe frente ao pacote geral, que é muito bem-feito.

O jogo brilha especialmente no multiplayer, onde o caos compartilhado se transforma em gargalhadas garantidas. Mas mesmo quem curte jogar solo encontra aqui um universo gerado com carinho, cheio de possibilidades e com uma progressão deliciosa de acompanhar. É o tipo de jogo que você recomenda para aquele amigo que ama Minecraft, Don’t Starve e Stardew Valley, tudo ao mesmo tempo.

Com tanto conteúdo, personalidade e dedicação dos devs, Necesse é um dos melhores jogos sandbox em acesso antecipado atualmente. Tem alma, tem humor, tem ursos assassinos e cenouras. E isso, meu amigo, já vale o investimento.

Texto escrito por mim. Revisado por IA.

Co-Founder / Press Manager / Imprensa / Jornalista Digital / Streamer / Criador de conteúdo / Reviews
Fã incondicional de Cavaleiros do Zodíaco, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Tartarugas Ninjas, Robocop, Power Rangers e Caça Fantasmas. Gosto de Tokusatsus e animes dos anos 80, 90 e comecinho dos anos 2000. Jogo desde o Super Nintendo (Snes) e meus jogos favoritos são RPGs ou ARPGs, como Final Fantasy IX e Parasite Eve.

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