Immortals of Aveum tenta e quase consegue algo realmente bom. Gráficos problemáticos, com falhas de texturas visíveis, bugs a rodo que variam desde cutscenes que não carregam, missões finais não sendo mostradas para o jogador e até crashes na seleção de mapas para se transportar mostram que, infelizmente, nem mesmo com um combate estiloso e divertido a Ascendant Studios focou em otimização antes de priorizar qualquer outro fator.
Infelizmente, o jogo que eu queria que fosse mais do que falavam por aí de fato merece a sina que recebeu: incompleto e bugado. Jogar Immortals of Aveum é contemplar o que a obra poderia ter sido caso prioridades fossem estabelecidas.
Os gráficos? Bonitos no que diz respeito aos efeitos de magia e personagens. E falo isso com propriedade: são incríveis nesse sentido mesmo. Mas perdem-se pelos problemas de renderização de texturas, quedas e muita oscilação de FPS nas batalhas, gerando transtornos em momentos frenéticos, falta de inspiração na variedade dos cenários e texturas mal feitas ou simplesmente grosseiras quando vistas de perto.
Combate? Divertido, mas ofuscado por um sistema de níveis incompreensível de equipamentos baseados também em raridade, mas com regras que não se estendem para os níveis de inimigos e chefes. Vamos à análise completa.
HISTÓRIA/PREMISSA
Você é Jak, um órfão. Sem alternativas, vive em comunidade com sua amiga Luna e mais alguns órfãos adolescentes. Através de golpes, roubos e outras falcatruas, você encara essa realidade difícil.
Durante um ataque da facção rival à do teu reino, os rasharnianos invadem a cidade e ferem gravemente Jak. Daí, o desenrolar de toda uma cadeia de eventos.
A história é clichê, mas nem de longe isso é o problema dela. Um bom arroz com feijão mata a fome de qualquer pessoa, mas aqui o problema é a falta de carisma de Jak e as soluções apressadas em tudo que se propõe.
Um problema maior do que o inicial? Vamos resolver em um ato. Um personagem novo, que tem um passado interessante e uma opinião a respeito da Ordem dos Imortais? Vamos mantê-lo em xeque, afastado.
Outra coisa incomoda: o universo é vasto, belo e cheio de histórias interessantes de sua criação, mas a megalomania aqui não serve. Seria interessante caso fosse uma série de jogos, mas Immortals foca tanto em criar facções, guerras antigas e nomes criativos para todos eles que acaba deixando de contar sua própria história. E todas elas estão escondidas pelo cenário, sem marcadores ou com pouquíssimas menções. Vai entender.
GRÁFICOS
Visualmente, o design de personagens, roupas e feições é belo. Falo isso porque será uma das poucas coisas que de fato merecem destaque.
Tecnicamente, os gráficos deixam muito a desejar. Um projeto pode ser ambicioso? Com toda certeza pode, mas pagar um alto preço por isso não parece muita vantagem.
O jogo é lotado de serrilhados, iluminação péssima e efeitos de magia que, apesar de belos, de perto — principalmente as linhas ley — são grosseiros. Feios.
Texturas de parede, mato e até de construções internas, onde o jogo fica relativamente mais bonito, sofrem com o carregamento demorado. O jogo não oferece modo performance nem modo qualidade, e a opção de FSR 3 é risível. Risível porque, mesmo com ela ativada, os problemas continuam, e os bugs são os mesmos de quando o recurso está desligado.
E, caso isso tudo não bastasse, no PS5 ele causa um atraso notável de comandos. O mais bizarro é que os bugs de cutscenes que não carregam na campanha começaram após a atualização final que introduziu o recurso.
JOGABILIDADE
No geral, a jogabilidade funciona como todo jogo de exploração. Você vai avançando pelas regiões em formato de mapas individuais e destrava habilidades, baús e templovéus. Mas…
Sim, há problemas. Primeiro, vamos falar da evolução do personagem. Os equipamentos são divididos em raridades que vão de comum a lendário. Até aí, tudo bem. O problema é que os inimigos e tudo que você enfrenta não têm níveis nem lógica clara de poder.
Ou seja, você não tem uma resposta lógica para quando — nem como — fica mais forte. E, quando falo isso, não me refiro a informações técnicas sobre o sistema, mas à ausência de uma sinalização própria do jogo de que você pode, sim, enfrentar melhor os desafios à frente.
Os inimigos são verdadeiros mistérios quanto à resistência aos seus golpes e ataques. Mesmo contando com sistemas de armadura e outros pontos de RPG, o jogo resolve não ser claro nessa informação com o jogador, o que interfere justamente no que poderia ser mais divertido: a exploração.
Completar templovéus melhora sua vida, mana e oferece bons equipamentos, mas focar tudo em encontrar baús e esses templos — vinculando essas explorações à limitação do personagem — faz com que você só consiga fazer esses trechos tranquilamente no final da campanha ou depois dela.
Outro problema grave: o jogador não consegue colocar marcadores em pontos importantes e não coleta nenhum item que possa ajudar a desvendar os segredos das regiões. Isso realmente prejudica a vontade de seguir caminhos diferentes ou investir na coleta de segredos.
Jak coleta equipamentos de travessia e outras habilidades que melhoram a exploração, como um toque de metroidvania, mas elas demoram a aparecer e tiram a vontade do jogador até mesmo de explorar direito seus segredos.
Dá para fazer backtracking e voltar a esses locais após adquirir um novo movimento? Com certeza. Mas a impressão que fica é que vale muito mais avançar na campanha e ver no que vai dar. Uma pena.
SOM E MÚSICA
Vozes e atuações muito boas. Os atores fizeram um ótimo trabalho aqui, mesmo com a história abaixo do esperado.
Gosto dos efeitos das magias e dos idiomas criados para o jogo. Nada a reclamar nesse sentido, a não ser a falta de músicas mais variadas e temas melhores na exploração, em vez de trilhas ambientes convencionais.
PARTE TÉCNICA
Desastre seria exagero, mas “ruim” é o tom que quero passar. Quedas de frames, problemas visuais, carregamento de texturas a rodo e efeitos de distância medíocres.
E os bugs? Variadíssimos. Temos bugs gráficos, inimigos que se prendem ao cenário… Os que mais me incomodaram foram os crashes na mudança de mapas e os problemas com cutscenes.
Após a última atualização, é comum que cutscenes não carreguem para o jogador. Eu perdi toda a intro do início por causa disso e não consegui sequer fazê-la voltar. Aconteceu mais duas vezes na campanha. Lamentável.
Nas 45 horas que joguei Immortals of Aveum, tive a impressão de que o estúdio não estava preparado para a ambição do projeto — ou não soube implementar essa paixão.








CONCLUSÃO
Immortals of Aveum não é injogável. É um jogo que tenta divertir o jogador, mas esbarra em problemas técnicos e soluções básicas demais em fatores que poderiam ter mais variedade.
O combate focado em magias em primeira pessoa até diverte e, quando conquista o jogador, é ele quem te carrega durante a campanha. História megalomaníaca, um personagem principal sem muito carisma e performance mediana o transformam apenas em mais um jogo OK.
Em uma promoção, pode ser algo que eu recomende para uma semana descompromissada — mas nada além disso.
HISTÓRIA
GRÁFICOS
SOM E MÚSICA
JOGABILIDADE
PARTE TÉCNICA
PATÔMETRO
