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Review de Hell Clock – Gameplay de alto nível, divertido e que não se prende a fórmulas

Agradecimentos à Mad Mushroom pela licença
Versão de PC
Por Vilger, do canal Toca du Corvo

Data de lançamento: 22 de julho de 2025;
Plataformas: PC (Via Steam);
Desenvolvedor: Rogue Snail;
Distribuidor: Mad Mushroom;
Gênero: RPG de ação, roguelike, hack and slash.


A cada ano que passa, cada vez mais projetos brasileiros estão tomando notoriedade, mostrando um mercado cheio de pérolas em potencial. Nesses últimos anos, tive o prazer de jogar ótimos títulos brasileiros e, obviamente, 2025 proporcionaria uma boa experiência nacional.

Lembrando que esta análise foi feita em acesso antecipado. O game pode passar por atualizações pós-lançamento, melhorando algum detalhe citado aqui.

Caso tenha interesse, temos um vídeo completo sobre Hell Clock disponível lá no canal do YouTube (Toca du Corvo), com uma entrevista muito legal com a galera do game. Recomendo esse conteúdo caso queira conhecer mais sobre o jogo.

Qual a boa do relógio infernal?

Hell Clock é um RPG de ação com elementos de roguelike que revisita, sob uma lente sombria e fantástica, a história real do Massacre de Canudos. A ideia aqui é colocar nós, jogadores, na perspectiva de quem viveu a tragédia.

E como a história segue?

Você encarna Pajeú, um soldado do assentamento de Canudos, que desperta em um purgatório infernal onde precisa descer pelas profundezas de uma masmorra tomada por demônios para libertar as almas do povo canudense, presas em um ciclo eterno de dor e esquecimento. A cada descida, Pajeú revive as feridas do massacre até alcançar sua missão final: resgatar a alma de seu mentor, Antônio Conselheiro.

O contexto histórico do cenário desse game

O game aborda um assunto que qualquer aluno do ensino fundamental acaba passando brevemente: a Guerra de Canudos. No século XIX, 25 mil homens, mulheres e crianças foram massacrados pela recém-formada República do Brasil.

Em nossa releitura sobrenatural desses eventos reais, o vilarejo de Canudos foi palco de uma batalha secreta entre o Céu e o Inferno.

Gráficos e direção de arte

Graficamente, o game é bem bonito e está em linha de igualdade com outros títulos grandes do gênero roguelike/roguelite. Rodou liso em todas as partidas que tive e, por eu não ter uma máquina de última geração, vejo que ele vai rodar bem em várias configurações. Lembrando que os breves problemas técnicos que tive não representam a versão final do game, já que testei antecipadamente e atualizações próximas ao lançamento são bem comuns.

Agora indo para sua direção de arte e trilha sonora

Que deleite foi meu início em Hell Clock, amigos. Eu estava jogando e apreciando o trabalho de dublagem e localização, inclusive com dialetos regionais. Mas algo aconteceu. Quando entrei na casa, vi a ambientação, o ícone do Ato 1 com os objetivos… Eu parei e comecei a me concentrar. A música, esse conjunto de fatores, me levou por um breve momento ao passado quando, pela primeira vez, coloquei um disco no Xbox 360: Diablo 3.

Fiquei preso nesse mar nostálgico que me levou a transitar entre Diablo 2 e 3, e percebi que esse game era diferenciado.

Apenas copiar e recriar mecânicas não é suficiente para despertar esse sentimento. Para isso ocorrer, é preciso ter competência e muito amor envolvido. Amor às inspirações e amor ao projeto.

Gosto muito de histórias que vão além do que a gente assiste nas cinemáticas ou lê em arquivos espalhados pelo mundo. Gosto de games que usam o cenário para acrescentar contexto à história.

As primeiras linhas do Ato abordam motivos para o massacre ocorrer: o interesse na miséria e a ganância dos opressores. Tudo isso é colocado indiretamente no mapa, com uma masmorra sombria, suja e claustrofóbica porém cheia de ouro. Isso dá muito a se pensar sobre o ambiente em que estamos.

Você recebe as informações e, ao mesmo tempo, passa por elas em um loop. Como se aquilo não fosse apenas algo esporádico, mas algo contínuo pessoas querendo tirar vantagem umas das outras por um punhado de dinheiro.

Colocar a história real de Canudos em uma narrativa Dark Fantasy se mostrou uma ideia fenomenal. Artefatos do game com referências reais, dublagem localizada com características regionais, trilha sonora envolvente… Eles tiveram todo o cuidado: trouxeram historiador, pesquisaram, adaptaram e o resultado é muito satisfatório.

Gameplay

Se eu fosse resumir rapidamente o que é Hell Clock, eu diria que é uma speedrun de Hades com Diablo.

A gameplay de Hell é super tranquila de pegar o ritmo, principalmente se você estiver acostumado com jogos do gênero. Faça várias runs como Hades, descendo, coletando e ficando mais forte. Explore, faça grind, combine habilidades e relíquias, faça combos o padrão Diablo de gameplay.

Como a dificuldade é aplicada nesse game?

Além da dificuldade padrão já ser consideravelmente boa para o gênero, você pode configurar opções que facilitam e bloqueiam mecânicas que, para alguns, podem ser complicadas logo de cara. Além disso, temos o modo Hardcore que, bom… morreu, perdeu o save.

O principal elemento é o Hell Clock.

O artefato de Pajeú não apenas o traz de volta da morte, como também limita seu tempo nas profundezas infernais. Geralmente, as corridas dos jogos rogue duram conforme sua habilidade e quão forte você está naquele momento. Aqui, as coisas ficam mais frenéticas, pois você tem menos de 7 minutos para completar todos os andares do Ato, dando a vibe até de uma speedrun.

Com isso, entra o grind: upar e, ao mesmo tempo, descobrir combos e formas de passar pelos inimigos mais rápido. Existe uma árvore de habilidades bem robusta, que acrescenta passivas ao personagem (mais ouro coletado, mais vida, resistência e dano). A cada Ato, você tem uma tabela de golpes que pode comprar e fazer combinações, além de summons.

Toda vez que derrotamos um chefe ou mini-chefe, novos diálogos são desbloqueados no cenário da casa, colaborando com complementos narrativos e dando aquela sensação de que, mesmo morrendo, estamos progredindo na história.

As criaturas do game são baseadas em figuras que foram opressoras no mundo dos vivos em Canudos, como o Corta-Cabeças.

Essa versão corrompida que até brinco que são as verdadeiras faces dos inimigos me lembra até Dante’s Inferno, no jeito que a cinemática nos mostra os “pecados” do boss.

7 minutos é o suficiente para completar?

Bom, nunca diga nunca. Ao enfrentar os chefes, o tempo é pausado, abrindo o leque de estratégias. O game vai te dando mais formas de ganhar tempo e, com isso, superar a barreira do Hell Clock. Uma delas é que, ao completar um mini-chefe ou boss de mapa, você ganha tempo extra no relógio. Também temos a árvore de habilidades geral, onde é possível aumentar o tempo para mais de 9 minutos e comprar a função portal, que pula uma quantidade de mapas, fazendo você chegar mais rápido porém, vem a questão do XP e de quão forte você está.

Depois de umas 10 horas jogando no modo “clássico”, sinto que o tempo é mais que suficiente com as habilidades adquiridas. Porém, poderia ser um pouco melhor balanceado. Dependendo das suas habilidades, você vai precisar fazer um grind considerável e, mesmo assim, não será capaz de passar do primeiro Ato pois pode estar forte, mas sem tempo, ou estar com tempo, mas fraco.

Acho que poderiam haver novas mecânicas e uma loja mais reforçada, que permita descer rapidamente sem um grind tão expressivo tornando o ato de zerar novamente mais interessante do que ficar preso em um Ato.

Claro que você não é obrigado a ficar empacado nesse modo, caso tenha dificuldades, já que o game oferece o modo Relaxado onde o relógio não conta o tempo, permitindo você descer no seu ritmo.

Teste o modo padrão e fique nele, pois é divertido e é a mecânica principal do game. Empacou por algum motivo? Ative o modo Relaxado, upe o que precisa, complete as fases e depois ative novamente o modo Hell Clock para ver a evolução do seu personagem.

CONCLUSÃO

Hell Clock reforça mais uma vez o poder do mercado nacional de games e como temos vários diamantes prontos para serem lapidados. Só falta incentivo e apoio para mostrarem sua verdadeira luz.

A Rogue Snail entrega um título competente, com muita personalidade e amor. Gameplay de alto nível, divertida e que não se prende a fórmulas, dando escolha ao jogador de como completar sua rota. O relógio pode ser infernal, mas é o player que controla como seu tempo é gasto nesse game.

Parabéns a toda a equipe e meu sincero obrigado por cederem antecipadamente a chave para conferir e trazer minha opinião sobre o projeto.

Texto revisado por IA.

Jornalista / Colunista / Análise de jogos
Dono do canal Toca du Corvo, no Youtube.

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