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Ramos investiga porque não temos um novo Castlevania

Bom, chegou o momento de buscar informações e decifrar o motivo de a Konami não lançar outro game da franquia Castlevania.

O último jogo lançado (não contando coleções) foi Castlevania: Grimoire of Souls, um título mobile que chegou em 2021 e, lamentavelmente, foi descontinuado já em 2022. Agora, falando de consoles, já fazem 84 anos… Não, brincadeira, mas fazem 11 anos! O último foi Castlevania: Lords of Shadow 2, lançado em 2014!

Mas, afinal, o que aconteceu para não vermos mais jogos? Vamos ao dossiê.

Lançado em 26 de setembro de 1986 no Famicom Disk System, Castlevania (Akumajō Dracula) rapidamente conquistou o Japão. Tamanho foi o sucesso que, apenas um ano depois, um port chegou ao NES. É importante notar que o jogo surgiu em um período em que os grandes filmes de terror estavam em alta, e a temática de vampiros (Drácula), mortos-vivos e afins estava no auge do imaginário popular.
O nome original do jogo, Akumajō Dracula, foi alterado para Castlevania a pedido de Emil Heidkamp, vice-presidente da Konami na América para a distribuição global do jogo (No Japão ainda seguiria o mesmo). A razão para a mudança foi a tradução literal do título original, que remetia a “O Castelo Satânico de Drácula”, algo que poderia causar controvérsia religiosa na época e consequentemente menos vendas.
A franquia Castlevania já era promissora desde o início, com boas vendas e críticas positivas. Mas foi em 1997 que ela quebrou todas as barreiras do sucesso com Castlevania: Symphony of the Night. Estrelado por Alucard, um ícone reconhecido até por quem não jogou, o game revolucionou com sua exploração instigante, vasta gama de ataques e possibilidades, e uma jogabilidade impecável. Ele não só se tornou um novo marco, como também um título que todos queriam experimentar.
Na época, sem o poder que a internet tem hoje, o jogo teve um lançamento muito modesto. No entanto, as notas altas e os elogios entusiasmados da crítica especializada nas revistas acabaram atraindo os jogadores, além do forte boca a boca da época. Com isso, o jogo vendeu mais de 700 mil cópias apenas no PS1, e cerca de mais 300 mil no Sega Saturn, mesmo em um período de intensa pirataria e o console da SEGA capengava nas vendas.
Castlevania tornou-se uma franquia imparável, com o surgimento de mais jogos, incluindo outras aventuras 2D nos consoles portáteis, e 3D em consoles das gerações seguintes. Castlevania 64, por exemplo, vendeu mais de 600 mil cópias, e outro título 3D de sucesso da franquia foi Castlevania: Lament of Innocence, com mais de 900 mil vendas (ele foi exclusivo de PlayStation 2, console que sofreu para a pirataria), ainda nessa geração, nós tivemos Castlevania: Curse of Darkness, outro jogo com essa pegada 3D, e mesmo lançado para também para Xbox fora do Japão, o game teve críticas mistas e vendendo aproximadamente apenas 300 mil cópias.
Vamos analisar as vendas até aqui: Os dois Castlevanias mais vendidos até 2010 foram o Castlevania (NES-1986), com 1,2 milhão de cópias, seguido por Castlevania: Symphony of the Night, que vendeu aproximadamente a mesma quantidade. É importante notar que os dois jogos são separados por dez anos e, mesmo assim, o público não aumentou. Na verdade, depois do jogo do Alucard, nenhum outro título da série atingiu a marca de 1 milhão de vendas até 2010.
Embora Castlevania fosse relativamente bem-sucedido, suas vendas passavam longe de outros sucessos que também geraram franquias na empresa. Metal Gear, por exemplo, apenas no PS1, vendeu 6 milhões de cópias. Havia também Winning Eleven (que tornou-se PES), Silent Hill, Yu-Gi-Oh! e outros, franquias que facilmente ultrapassavam a marca de 1 milhão de vendas, enquanto os novos Castlevanias levavam anos para sequer se aproximar desses números.
Um fator que pesou muito contra a franquia Castlevania nos anos 2000 foi o sucesso do anime Yu-Gi-Oh!, que por consequência faziam seus jogos sumir das prateleiras “igual água” no deserto, tornando-se um fenômeno de vendas. Da mesma forma, Winning Eleven (hoje conhecido como eFootball, anteriormente PES) dominava o cenário dos jogos de futebol, ofuscando completamente a concorrência do FIFA. Além disso, a série Metal Gear consolidava sua posição como um sucesso absoluto, com cada novo lançamento empilhando vendas e sendo aclamado pela crítica.

Nesse cenário, com a internet ainda engatinhando, as revistas especializadas em videogames eram inundadas por investimentos massivos de marketing da Konami, focando exclusivamente nessas três franquias. Essa estratégia acabou deixando Castlevania em segundo plano, tornando-o um título mais nichado. A série dependia, então, quase que inteiramente do boca a boca entre os jogadores e daqueles poucos que já tinham acesso facilitado à internet para se manter relevante..
Em 2010, Castlevania: Lords of Shadow surgiu como um ambicioso recomeço para a franquia. O jogo apostou alto na jogabilidade e investiu significativamente na história, conquistando ótimas avaliações entre os jogadores. De fato, foi o primeiro título em quase 30 anos da franquia a ultrapassar a marca de 1,2 milhão de cópias vendidas, alcançando um total de mais de 1,7 milhão de unidades.
Naquele momento, parecia que a franquia havia superado seu nicho e que a retomada para o sucesso era certa. Spoiler: não foi bem isso que aconteceu.
Lançado em 2014, Castlevania: Lords of Shadow 2 impressionou com seus visuais e combate, que eram igualmente elogiáveis. No entanto, o jogo foi duramente criticado pela narrativa e pela inclusão de seções obrigatórias de furtividade, fatores que afetaram significativamente a experiência geral.
Essa recepção negativa impactou drasticamente suas vendas: mesmo disponível em três plataformas (PlayStation 3, Xbox 360 e PC), o jogo mal alcançou as 600 mil cópias, tornando-se um dos piores desempenhos da franquia. Como consequência, essa nova linha de Castlevania não teve continuidade. A série clássica também permaneceu “congelada” por um tempo, sendo revivida aos poucos em coletâneas, mas sem nenhum conteúdo novo de peso. Novas incursões apenas no mobile, mesmo assim, nada que desse seguimento na história, apenas jogos de captar dinheiro, só.
Com a estagnação da Konami e o cansaço dos fãs, mergulhamos na era “É Castlevania, mas não é“. Nela, diversos jogos que se baseiam na franquia da Konami ganharam vida, muitos com uma qualidade que se aproxima muito de Castlevania: Symphony of the Night, e outros que até superam vários dos outros títulos clássicos.

Inclusive, você pode conferir nossa review de Chronicles of the Wolf [aqui] para ver o quão bem-sucedido esse projeto é, e existem vários outros também.


Em 2017, apenas três anos após o fracasso do último jogo, a Konami decidiu apostar em uma série animada de Castlevania na Netflix, a maior plataforma de streaming do mundo. A produção foi muito bem recebida, apesar de algumas polêmicas ao longo das temporadas e de membros da equipe afirmarem nunca ter tido contato com os jogos. O sucesso da série deve-se, em grande parte, à sua história envolvente e aos personagens centrais, e adivinha? Alucard é um deles. Devido ao sucesso dessa empreitada, tivemos outra série, Castlevania – Noturno, mas que não foi tão bem recebida, por vários motivos.
A Konami, após um longo período de inatividade referente aos games, finalmente se movimentou nos últimos anos. Contudo, em vez de um novo jogo (que era tudo que os fãs esperavam), ela apostou pesado em colaborações. Hoje, vemos elementos e personagens de Castlevania em títulos como Super Smash Bros. Ultimate, V Rising, Dead by Daylight, Brawlhalla, Dead Cells e Vampire Survivors. Apesar de bem recebidas, essas parcerias, no entanto, ainda não parecem ter convencido a Konami a desenvolver um título inédito para a franquia.

Não é preciso ser um gênio para perceber a equação: jogos de Castlevania não vendem bem, mas as colaborações e o conteúdo audiovisual sim. Se somarmos os dez jogos mais vendidos da franquia, o total não chega a 10 milhões de cópias. A estimativa é que a franquia inteira tenha vendido cerca de 16 milhões de unidades. Para ter uma ideia, a franquia Power Pros — que muitos talvez não conheçam e e vende quase que exclusivamente no Japão — já superou a marca de 22 milhões de cópias.
Tudo isso indica que Castlevania, pelo menos no que diz respeito a novos jogos, está, de fato, “morto”. É provável que vejamos apenas coleções e conversões para plataformas móveis no futuro.

Ramos! Salve Castlevania!

É um lamento comum entre os fãs: Castlevania parece estar preso em um limbo, vivendo da nostalgia e de aparições em outras mídias. Os jogos clássicos se tornaram distantes, os mais novos viram o “recomeço” com Lords of Shadow definhar no segundo título, e a geração atual conhece a franquia principalmente pela série animada.

Mas será que Castlevania não pode ser salvo? Uma reinvenção faz todo sentido. Estamos em uma era de remakes bem-sucedidos que não apenas agradam aos fãs de longa data, mas também apresentam franquias clássicas a novas audiências.

Apostar em um “Alucard’s Saga”, com um remake ambicioso de Castlevania: Symphony of the Night, parece uma estratégia promissora. Symphony of the Night é, para muitos, o ápice da série, um jogo icônico que se prestaria perfeitamente a uma reimaginação em larga escala. Dividir essa experiência em três jogos permitiria expandir a história, explorar novos elementos e aprofundar a narrativa de Alucard, um grande atrativo.

Além disso, o investimento em marketing é crucial. Não basta lançar um grande jogo; é preciso engajar os antigos fãs com a promessa de uma experiência renovada e, mais importante, mostrar aos novos jogadores por que eles DEVEM se importar com Castlevania. A Konami tem nas mãos uma rica mitologia, personagens marcantes e uma base de fãs sedenta por algo novo e digno do legado da franquia.
A receita está aí. Reinvenção através de um clássico reinventado, focado em seu personagem mais icônico, e com uma estratégia de marketing robusta. É uma fórmula que tem funcionado para outras franquias e funcionaria aqui!
Konami, me pague depois.
  1. Os números de vendas são números aproximados, já que muitas fontes divergem, então utilizei uma margem realista com base na média;
  2. O número total de vendas não inclui os relançamentos, vendas digitais em consoles posteriores ou mobiles;
  3. Estima-se que somando todos os itens acima, mais as coletâneas, Castlevania teria vendido aproximadamente 30 milhões de cópias.
  4. Agradecimentos ao Bruno Castelar por ajudar em alguns pontos.

Co-Founder / Press Manager / Imprensa / Jornalista Digital / Streamer / Criador de conteúdo / Reviews
Fã incondicional de Cavaleiros do Zodíaco, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Tartarugas Ninjas, Robocop, Power Rangers e Caça Fantasmas. Gosto de Tokusatsus e animes dos anos 80, 90 e comecinho dos anos 2000. Jogo desde o Super Nintendo (Snes) e meus jogos favoritos são RPGs ou ARPGs, como Final Fantasy IX e Parasite Eve.

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