Que jogo incrível. Simplesmente inesquecível.
Uma preview de Bruno Castelo

Hoje é um daqueles dias em que é difícil esconder a empolgação, agradeço à Migami Games e ao portal Patobah pelo envio da chave de acesso ao jogo Chronicles of the Wolf. Para quem ainda não conhece, o estúdio responsável é o mesmo que desenvolveu o que considero o melhor fangame de Castlevania até hoje: a subfranquia The Card Chronicles. O primeiro título foi lançado em 2013, com uma abordagem mais clássica da série, e, alguns anos depois, veio The Card Chronicles 2, um Metroidvania incrível. Simples e direto: a sequência recebeu o nome de “2”.
Agora, com essa nova parceria, eles entregam uma obra completamente autoral, claramente inspirada no universo de Castlevania. Quem jogou Symphony of the Night ou os títulos lançados para Nintendo DS — especialmente Order of Ecclesia, um jogo excelente e muitas vezes subestimado — vai se sentir em casa aqui.
Comecei minha jornada ontem à noite, com a intenção de testar por 30 ou 40 minutos. Quando percebi, já haviam se passado duas horas. Enfrentei dois chefes e comecei a entender melhor as mecânicas de progressão e o sistema de mapas. A estrutura lembra muito os jogos da franquia Castlevania, com uma diferença interessante: enquanto o avanço nos Castlevanias se dá principalmente através de habilidades, em Chronicles of the Wolf também é necessário encontrar itens específicos para prosseguir.
Em certo ponto da minha exploração, encontrei um moinho que exigia um equipamento específico para ser ativado. Isso me levou a explorar outras áreas do mapa, que é dividido em regiões — oeste, leste — de uma localidade inspirada na França. A exploração é constante e recompensadora.





A trama tem como base uma lenda real, simples, mas eficaz: você é o último cavaleiro sobrevivente de uma ordem encarregada de derrotar uma criatura mítica. Mesmo gravemente ferido, carrega sozinho essa missão.
A gameplay é precisa e fluida. Os comandos respondem bem e a trilha sonora impressiona desde os primeiros minutos. Vivemos uma fase em que muitos jogos — com exceções como Clair Obscur e Death Stranding 2 — optam por trilhas mais ambientais, quase minimalistas. Aqui, a música tem identidade. A trilha da floresta, por exemplo, é belíssima e embala perfeitamente a experiência. O jogo ainda conta com efeitos climáticos dinâmicos como chuva e ciclos de dia e noite.
O sistema de progressão é tradicional: você ganha experiência, sobe de nível e desbloqueia habilidades como o dash, o pulo duplo, entre outras. Tudo muito bem integrado ao estilo Metroidvania. Joguei por enquanto cerca de três horas e mal posso esperar para continuar.
Gostaria de destacar o trabalho do estúdio. Esse jogo estava no meu radar há algum tempo, e quando descobri quem estava envolvido, minha empolgação foi imediata. Vocês estão realizando o sonho de muitos fãs de Castlevania, em um momento em que a Konami promete um novo título da franquia, mas ainda não entregou nada concreto. Mesmo o recente remake de Haunted Castle não se compara ao carinho e à dedicação visíveis em Chronicles of the Wolf.
Mesmo quem não tem familiaridade com a franquia original encontrará aqui um Metroidvania com visual retrô belíssimo e muito bem executado. A arte pixelada é detalhada e cheia de personalidade. O design do protagonista, desde o modo de andar até a faixa no cabelo, é um tributo evidente aos Belmonts.
O jogo superou todas as minhas expectativas. Se fosse necessário apontar algo a melhorar, destacaria apenas dois pontos:
- Os menus apresentam um leve atraso ao serem acionados;
- O pulo mais alto, às vezes, não responde como deveria, mesmo com o botão pressionado até o final.
No entanto, nada disso comprometeu minha experiência.
A dublagem de Robert Belgrade, voz original do Alucard, está excelente. No jogo original, Symphony of the Night, a dublagem tinha suas limitações técnicas, o que resultava em uma performance um pouco caricata — algo que acabou se tornando parte do charme. Aqui, o resultado é mais polido, e ainda preserva a identidade nostálgica.
A trilha sonora é uma atração à parte. Se não estou enganado, é assinada por Jeffrey Montoya, e Duas faixas foram compostas de forma colaborativa por Oscar Araujo (o compositor da série Castlevania Lords of Shadow).
que trabalhou em Castlevania: Lords of Shadow. Um compositor de altíssimo nível, que trouxe à tona memórias emocionantes. A qualidade do trabalho musical é impressionante.
Só tenho a agradecer à Migami por entregar uma obra que respeita e valoriza tanto os elementos clássicos de jogos da década de 90. Chronicles of the Wolf não é só um tributo: é uma evolução com identidade própria.
A review completa sai em breve. Espero que esse conteúdo chegue até o estúdio e que possamos conversar mais sobre futuros projetos. Estarei acompanhando de perto, e podem contar comigo desde o primeiro dia.
Que jogo incrível. Simplesmente inesquecível.
