
Chave cedida por Bandai Namco
O início
O início do jogo explica pouco, e o contexto fica para depois. Você começa como um mecha, ou um piloto de um mecha, em uma base que está sendo invadida e, após aquilo que parece ser sua morte (ou expurgo), você é sumonado para um local sombrio pela entidade PLUCK. Esse começo de história pouco introdutória e ligeiramente rápida e confusa te joga diretamente na lore de Pluck e no que realmente vai passar a fazer sentido a partir daqui, respondendo algumas perguntas como: O que é esse lugar? Quem é você? Quem é Pluck? Qual seu objetivo?
Agora sim, vamos a um pouco de contexto para que você consiga se situar melhor no jogo.
O conceito e a História
Diferente das plataformas coloridas que estamos acostumados quando falamos de Pac-Man, aqui o jogo tem um tom mais sombrio e sério, trazendo o famoso amarelinho para uma aventura diferente, onde ele serve de guia durante a sua jornada. Vale lembrar que a série “Secret Level” abordou no episódio “Circle” uma aventura dentro desse novo universo reimaginado, que servia de pano de fundo para o jogo. Nesta reimaginação, pegando o tema da série, nós controlamos o Espadachim Nº 8, enquanto a série apresentava o Nº 7.
Seguindo a mesma lógica, PLUCK, o famoso Pac-Man, usa os corpos dos humanoides para tentar escapar de seu ciclo sem fim contra os labirintos recheados de fantasmas e monstros.
O seu espadachim, o Espadachim Nº 8, parece ser especial. Logo no início do jogo ele consegue resistir a uma “rejeição” e se apoderar de uma espada para o início da jornada. Durante todo o início, PLUCK vai te ensinar exatamente para que serve cada ponto de interesse, movimentos, ataques, pontos de melhoria, como usar sua vida, energia e regeneração, e isso é extremamente importante, então preste atenção, pois isso pode evitar dores de cabeça futuras em momentos em que você estiver em apuros.
Não apenas controlamos o espadachim em sua jornada com PLUCK como também aprendemos a controlar o PLUCK em bases energéticas que nos colocam em plataformas similares aos jogos antigos de PAC-MAN. O jogo também apresenta a mecânica de um MECHA, GAYA, no qual podemos nos transformar para enfrentar inimigos muito mais fortes. Com isso, adquirimos a habilidade de consumir a energia dos mobs que derrotamos para podermos nos transformar em GAYA a qualquer hora.
Esse universo reimaginado te jogará em uma aventura desafiadora 2D com alguns elementos que eu percebi serem inspirados no gênero metroidvania, apesar da Bandai não identificar o jogo nesse gênero.
Começando o jogo – Poucas habilidades e morte, muita morte.
Você está aprendendo a jogar e entendendo o level design que é propositalmente construído em uma geometria que lembra muito um “labirinto”. Ir e voltar, subir e descer, completar puzzles e matar inimigos é parte essencial de sua descoberta dentro do jogo e, com isso: morte, muita morte.
Cada inimigo que você derrota dropa pontos que você pode coletar. A cada 500, 1000 e 1500 pontos em diante, você conseguirá desbloquear novas habilidades e comprar itens com vendedores para melhorar sua jornada.
Porém, cada vez que você morre seus pontos NÃO SÃO ZERADOS, fazendo com que, querendo ou não, morrer faça parte do processo para enfrentar novamente seus inimigos e coletar mais pontos. Um processo que vai acontecer com muita frequência, dada a dificuldade gradual do jogo (não existe opção de dificuldade no menu inicial).
Gameplay
Você vai se sentir um noob no início, mas vai melhorar, acredite em mim. Afinal, essa é a proposta do jogo, e esse estilo casou muito bem com ele.
A gameplay se divide bastante entre o espadachim, Pluck e Gaya (o mecha), e pode ser meio confusa às vezes, mas vamos lá:
- Com o espadachim nós temos as habilidades de ataque rápido, ataque forte demorado, soco, pulo, esquiva, parry, dash e dash no ar. Todos os elementos de combate necessários para que você consiga avançar e, principalmente, farmar bastante entre os níveis para desbloquear habilidades e melhorias.
- Com Pluck, nosso herói amarelo dos tempos do fliperama, nós temos a habilidade de fundir o espadachim com ele e usá-lo sobre estruturas metálicas deslizantes energizadas que se tornam uma verdadeira nostalgia aos jogos antigos. Porém, atenção: essa parte é extremamente desafiadora, e os trilhos se espalham pelas fases e te levam a locais de difícil acesso e áreas secretas.
- Com GAYA, temos uma gameplay menos estratégica e mais porradeira. GAYA pode avançar por obstáculos cortantes e passar pelos inimigos sem sofrer nenhum tipo de dano, além de possuir um ataque poderoso baseado em: dar porrada.
É importante lembrar que GAYA é um tipo de invocação que usa seu corpo e o de Pluck para ser sumonada, e isso consome uma energia específica que você coleta comendo os corpos de seus inimigos após matá-los. Qualquer moba, miniboss, boss, etc. que você encontrar pelo caminho, basta pressionar o analógico direito para baixo, o famoso R3, que uma animação “espiritual” de GAYA aparecerá comendo os inimigos e aumentando as fontes de energia do MECHA.
E o mais importante ainda: GAYA PODE SER INVOCADO NAS BOSS FIGHTS, então o uso estratégico do MECHA para chegar na boss fight com a energia carregada é um ponto extremamente importante para avançar no game.
Sobre os saves, não temos nenhuma novidade. Os totens de salvamento estão espalhados pelos mapas a uma distância considerável uns dos outros e possuem dois tipos: o mais importante deles vem com um círculo vermelho em cima do totem e permite recarregar seu PV, melhorar seu personagem e viajar rapidamente entre os outros pontos já descobertos no mapa. E temos também os totens sem nenhum tipo de círculo — são mais simples e cumprem a função específica de salvar seu jogo e restaurar seu PV.
Tenha em mente que, sempre que você ativa um totem, seus inimigos respawnam.
Direção de Arte e trilha sonora
O visual em 2D de Shadow Labyrinth impressiona ao combinar um cenário pós-apocalíptico decrépito e, ao mesmo tempo, variar com fases que possuem biomas distintos, inimigos de todos os tipos e alguns puzzles simples e outros mais difíceis espalhados por mapas enormes. A composição é muito bem aplicada em cada cenário — algo que eu fiquei realmente muito feliz de ver — pois entrega momentos de contemplação mesmo em um mundo sombrio.
As texturas não são uma coisa de outro mundo, mas são bem trabalhadas e equilibram simplicidade e detalhe com uma abordagem criativa que dá um novo conceito à ideia de um Pac-Man moderno, mesmo sendo ele apenas o seu guia.






Um destaque que ajuda a deixar tudo mais bonito é a aplicação de iluminação, sprites das animações e efeitos dos movimentos e ataques.
A fotografia mistura paisagens amplas com distância de visão, que cria muitos momentos esteticamente bonitos. Diversas vezes eu parava nos mapas que não haviam inimigos e ficava apenas observando esses detalhes, que, para mim, são muito importantes na hora de sentir a imersão e o carinho de uma equipe com um jogo.
A trilha sonora é extremamente simples e bem aplicada, cumpre seu propósito e, claro, nos momentos de batalhas, solta aquela guitarra distorcida em um bom e velho rock vindo direto dos tempos de Mega Drive e SNES. Em muitos momentos, essa trilha se assemelha a trilhas sonoras de animes e dá um tom especial, principalmente nas boss fights.
Level Design e Desempenho
Os mapas são vastos, com muitos caminhos alternativos que permitem ao jogador atingir os mesmos objetivos por rotas diferentes, proporcionando uma sensação constante de exploração e descoberta. A estrutura dos níveis foi pensada para parecerem verdadeiros labirintos, com muitos desafios de plataforma e múltiplas possibilidades de exploração. Para quem curte descobrir mapas, é um prato cheio.
Olha, a equipe fez um ótimo trabalho com esse game, mas vale salientar que o escopo favorece bastante também. O jogo é extremamente leve e roda até em um 486 (não ironicamente). Sempre é bom lembrar que, mesmo jogos com esse escopo, se forem mal planejados, acabam tendo um desempenho muito ruim.
“Mas como assim, Josyas? Em um jogo desses isso não acontece.”
Vai por mim, se não tiver o mesmo carinho na riqueza de detalhes com uma otimização leve, acaba acontecendo — e isso é mais um ponto positivo para a Bandai.
Vale a pena?
Shadow Labirynth comemora os 45 anos de Pac-Man nesse universo reimaginado cheio de desafios e aventuras em um jogo 2D plataforma.
É, sem dúvidas, um jogo que vale o seu tempo, mas tenha sempre em mente: esse jogo não possui seleção de nível de dificuldade, então sua progressão será gradual, e você terá que persistir, lutar e morrer bastante para escapar do Labirinto das Sombras.
O jogo será lançado para Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC via Steam.

