Bom, chegou o momento de buscar informações e decifrar o motivo de a Konami não lançar outro game da franquia Castlevania.
O último jogo lançado (não contando coleções) foi Castlevania: Grimoire of Souls, um título mobile que chegou em 2021 e, lamentavelmente, foi descontinuado já em 2022. Agora, falando de consoles, já fazem 84 anos… Não, brincadeira, mas fazem 11 anos! O último foi Castlevania: Lords of Shadow 2, lançado em 2014!
Mas, afinal, o que aconteceu para não vermos mais jogos? Vamos ao dossiê.








Nesse cenário, com a internet ainda engatinhando, as revistas especializadas em videogames eram inundadas por investimentos massivos de marketing da Konami, focando exclusivamente nessas três franquias. Essa estratégia acabou deixando Castlevania em segundo plano, tornando-o um título mais nichado. A série dependia, então, quase que inteiramente do boca a boca entre os jogadores e daqueles poucos que já tinham acesso facilitado à internet para se manter relevante..

Naquele momento, parecia que a franquia havia superado seu nicho e que a retomada para o sucesso era certa. Spoiler: não foi bem isso que aconteceu.

Essa recepção negativa impactou drasticamente suas vendas: mesmo disponível em três plataformas (PlayStation 3, Xbox 360 e PC), o jogo mal alcançou as 600 mil cópias, tornando-se um dos piores desempenhos da franquia. Como consequência, essa nova linha de Castlevania não teve continuidade. A série clássica também permaneceu “congelada” por um tempo, sendo revivida aos poucos em coletâneas, mas sem nenhum conteúdo novo de peso. Novas incursões apenas no mobile, mesmo assim, nada que desse seguimento na história, apenas jogos de captar dinheiro, só.

Inclusive, você pode conferir nossa review de Chronicles of the Wolf [aqui] para ver o quão bem-sucedido esse projeto é, e existem vários outros também.

Em 2017, apenas três anos após o fracasso do último jogo, a Konami decidiu apostar em uma série animada de Castlevania na Netflix, a maior plataforma de streaming do mundo. A produção foi muito bem recebida, apesar de algumas polêmicas ao longo das temporadas e de membros da equipe afirmarem nunca ter tido contato com os jogos. O sucesso da série deve-se, em grande parte, à sua história envolvente e aos personagens centrais, e adivinha? Alucard é um deles. Devido ao sucesso dessa empreitada, tivemos outra série, Castlevania – Noturno, mas que não foi tão bem recebida, por vários motivos.


Não é preciso ser um gênio para perceber a equação: jogos de Castlevania não vendem bem, mas as colaborações e o conteúdo audiovisual sim. Se somarmos os dez jogos mais vendidos da franquia, o total não chega a 10 milhões de cópias. A estimativa é que a franquia inteira tenha vendido cerca de 16 milhões de unidades. Para ter uma ideia, a franquia Power Pros — que muitos talvez não conheçam e e vende quase que exclusivamente no Japão — já superou a marca de 22 milhões de cópias.
Tudo isso indica que Castlevania, pelo menos no que diz respeito a novos jogos, está, de fato, “morto”. É provável que vejamos apenas coleções e conversões para plataformas móveis no futuro.
Ramos! Salve Castlevania!

Mas será que Castlevania não pode ser salvo? Uma reinvenção faz todo sentido. Estamos em uma era de remakes bem-sucedidos que não apenas agradam aos fãs de longa data, mas também apresentam franquias clássicas a novas audiências.
Apostar em um “Alucard’s Saga”, com um remake ambicioso de Castlevania: Symphony of the Night, parece uma estratégia promissora. Symphony of the Night é, para muitos, o ápice da série, um jogo icônico que se prestaria perfeitamente a uma reimaginação em larga escala. Dividir essa experiência em três jogos permitiria expandir a história, explorar novos elementos e aprofundar a narrativa de Alucard, um grande atrativo.
Além disso, o investimento em marketing é crucial. Não basta lançar um grande jogo; é preciso engajar os antigos fãs com a promessa de uma experiência renovada e, mais importante, mostrar aos novos jogadores por que eles DEVEM se importar com Castlevania. A Konami tem nas mãos uma rica mitologia, personagens marcantes e uma base de fãs sedenta por algo novo e digno do legado da franquia.
A receita está aí. Reinvenção através de um clássico reinventado, focado em seu personagem mais icônico, e com uma estratégia de marketing robusta. É uma fórmula que tem funcionado para outras franquias e funcionaria aqui!
Konami, me pague depois.
- Os números de vendas são números aproximados, já que muitas fontes divergem, então utilizei uma margem realista com base na média;
- O número total de vendas não inclui os relançamentos, vendas digitais em consoles posteriores ou mobiles;
- Estima-se que somando todos os itens acima, mais as coletâneas, Castlevania teria vendido aproximadamente 30 milhões de cópias.
- Agradecimentos ao Bruno Castelar por ajudar em alguns pontos.
