Bruno Castelo Destaque Jogos Review/Análise

Review de Chronicles Of The Wolf – Uma carta de amor aos fãs de metroidvanias

Chave recebida via Keymailer

Chronicles Of The Wolf é muito mais que uma homenagem a franquia Castlevania: É um tapa na cara da KONAMI dado por fãs. É um lembrete de que com carinho, dedicação e força de vontade é possível sim criar um jogo de qualidade ímpar que não só tem fôlego para criar uma boa história fora dos domínios de Drácula mas também proporcionar uma aventura divertida, com dificuldade NA MEDIDA e muito conteúdo. Torço para que a MIGAMI games e os talentosos Mig Perez, Jeffrey Montoya e François Perez continuem nos agraciando com obras tão fantásticas quanto essa.

Querido leitor, esse crítico está empolgado. Essa análise não será apenas uma crítica técnica, mas um testamento. Pra quem não sabe ou me acompanha, sou fã hardcore da franquia Castlevania. Ano após ano me aventurei com o clã Belmont e Alucard na eterna luta contra Drácula e seus asseclas. Cresci jogando. Doces memórias foram feitas e muito do que sei como gamer foi aprendendo com Castlevania. Dito isso, é impossível não conhecer o projeto desses caras: O Fan Game Lecarde Chronicles.

Lecarde Chronicles 1 e 2 são jogos tão bons que ninguém ligaria se a Konami oficialize e os lançasse pros consoles. O 2 ainda tem a participação de Robert Belgrade, lendária voz de Alucard em Symphony of The Night. Um metroidvania vasto, de 12 horas, recheado com remixes de músicas clássicas da franquia que fizeram um fã calejado como eu se emocionar e muito.

A KONAMI, responsável pela franquia, começou a se mover. Logicamente, a série da Netflix reacendeu o interesse e o remake de Haunted Castle e as coletâneas dos jogos de DS foram espetaculares e necessários. Mas… Nenhum novo jogo a não ser parcerias com jogos de terror e indies. Koji Igarashi, o lendário diretor responsável por essa guinada de mapa aberto para a franquia graças a deus continuou nos agraciando com seu tino pra criar jogos metroidvania com a franquia Bloodstained que receberá seu segundo jogo no próximo ano.

E eis que para minha grata surpresa, Chronicles Of The Wolf chegou aos consoles em Junho deste ano. Desenvolvido pela Migami Games, o conglomerado de fãs que trouxe vida aos amados fangames o jogo não só entrega um metroidvania de alta QUALIDADE, mas entrega também o que a partir de hoje chamarei de Castlevania – LIKE. Tem tudo lá. O personagem se veste como um Belmont. Anda como um Belmont. É corajoso como um Belmont. Não há dúvidas de que o jogo é sim uma imagem de inspiração da franquia Castlevania.

Um Metroidvania extremamente bem feito, robusto e cheio de conteúdo.

PREMISSA/NARRATIVA

A história busca origens no passado: A Besta de Gévaudan. Acontecimentos entre 1764 e 1767 relatavam que uma criatura nunca antes vista assassinou mais de 100 pessoas no sul da França. Você é Mateo Lombardo, membro de uma Ordem de cavaleiros chamada Rosacruz. O nosso herói parte para o local onde a besta foi vista pela última vez e acaba sendo vítima de uma emboscada da Besta. Sendo o único sobrevivente, Mateo então recebe a ajuda de uma intrépida aliada e decide com muito esforço derrotar a ameaça e salvar o máximo de vidas que puder. Espere muitas surpresas na campanha do jogo que promete entregar uma experiência sólida que varia entre 15 – 20 horas.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

A jogabilidade é muito boa. Responsiva e simples de dominar ela não vai ser pormenor na sua aventura. Os tutorias são diretos e raramente você vai ficar com problemas em lembrar comandos. E sim, eles são personalizáveis no menu inicial e isso é ponto muito positivo.

Como todo metroidvania que se preze há trechos de plataforma onde toda sua precisão e habilidades serão exigidas. Pulo Duplo, dash aéreo… O tempero aqui não é só atrelar isso no avanço entre os cenários mas a utilidade desses elementos em batalhas contra chefes é muito interessante também. Conforme avancei no jogo a dificuldade aumentou mas as possibilidades com um Mateo mais preparado com movimentos mais variados também adicionou uma camada de complexidade muito bem vinda. Há também atrelado a esse sistema, a idéia curiosa de usar botas especiais para certos trechos. Há uma específica para andar em terrenos lotados de espinhos e até outra focada em uso aquático por exemplo. Achei criativo e não me lembro de ver um equipamento tendo esse uso tão prático no jogo.

O combate é agradável e o sistema de equipamentos vale ressaltar é útil e muito bem otimizado. Espadas, machados e até rapieiras fazem parte do arsenal de Mateo e todas tem seu uso e equilíbrio corretos. Usar espadas maiores para aniquilar inimigos que se movimentam em tela ou priorizar as rapieiras para inimigos mais rápidos é algo que você fara muito na jornada. Há um movimento especial para cada arma que você utilizar e a moeda para isso são orbes. O mesmo vale pra armas secundárias como adagas e bomba e seus usos são variados e devem ser pensados antes de qualquer abordagem. O sistema de fantasmas, espíritos errantes que você acha durante a exploração é muito satisfatório e útil. Ao custo de uma quantidade certa de mana, você pode se curar ou simplesmente ficar invencível por alguns segundos. Todos esses fantasmas são atrelados a história e o uso inteligente de suas habilidades atreladas a isso realmente fez com que eu nunca enjoasse, pelo contrário, toda essa mística de utilidade faz com que a exploração seja muito mais prazerosa do que encontrar um mero item comum.

DIREÇÃO DE ARTE/ASPECTOS TÉCNICOS

A parte técnica é de altíssima qualidade também. Nenhum BUG sério, crash ou travamento por erros de campanha no jogo ocorreu durante minha aventura. A única coisa que acho relevante e torço para que os desenvolvedores façam é colocar a mecânica de marcadores nos mapas. São muitas regiões e salas com itens escondidos para se lembrar. E a mecânica de pulo e dashes aéreos carecia de um ajuste fino. O pulo do personagem parece não ter tanto controle nas suas mãos em sessões de plataforma mas isso raramente afeta sua experiência já que as quedas não são mortais. O menu apesar de ser intuitivo, tive um problema de atraso nos comandos de equipamentos. As vezes, apertando o botão de confirmar ele não executava a ação. Detalhe mínimo em um pacote altamente robusto. O jogo foi feito por uma equipe pequena e isso com certeza é algo que eles resolverão em breve.

Os gráficos remetem a era 16 bits da franquia com Super Castlevania 4 de 1991 e Rondo Of Blood de 1996. O mundo e sua exploração? Um misto de Simon’s Quest de 1988 com seus vilarejos, florestas e mudança de clima e períodos diurnos e noturnos. O combate? A progressão deliciosa de Symphony Of The Night e seus itens com diversos efeitos e equipamentos estão aqui além do viciante sistema de níveis. E sim caro leitor: Muitos segredos estão espalhados pelas regiões da França! E não só isso, a variedade de cenários os inimigos e chefes extremamente bem construídos e as áreas de exploração são cheias de detalhes. Mesmo sendo um trabalho retrô, é notável o carinho dos desenvolvedores com o produto.

A sonografia é fantástica. Me peguei cantarolando as músicas da floresta e dos vales muitas vezes. A qualidade nesse setor no ASPECTO GERAL é altíssima. Efeitos sonoros e sons de inimigos são variados e as vozes de personagens secundários são dublados por atores. Em um jogo indie, isso conta MUITO. A voz de Robert Belgrade me traz a um passado feliz e me lembra que pessoas como ele tem que saber o quão impactante em nossas vidas seu trabalho foi. Espero de coração que ele saiba a partir desse relato de fã o quão respeitado e querido ele é por nós fãs também.

CONCLUSÃO

Chronicles Of The Wolf é muito mais que uma mera cópia de Castlevania: Ele é um Metroidvania extremamente bem feito, robusto e cheio de conteúdo. As músicas são excelentes e não devem nada a grandes colossos do gênero, os mapas são vastos sem ser maçantes e acima de tudo: O jogo é MUITO DIVERTIDO. A campanha é tão intuitiva que ouvir os aldeões e seguir pistas para onde ir por si só acabam sendo tão naturais que me peguei fazendo os caminhos até a pé, sem necessidade de viagem rápida. Logicamente que há diversos jogos da franquia da KONAMI que os desenvolvedores se inspiram, mas sua execução é tão caprichosa que me vejo querendo mais e mais. E não necessariamente um jogo novo de Castlevania mas um jogo com a marca da Migami Games. Isso não é só uma mera análise, isso é uma carta de amor aos desenvolvedores que foram além e entregaram um dos jogos mais viciantes do gênero do ano e pessoalmente até aqui, o meu GOTY pessoal.

Joguem Chronicles Of The Wolf e vejam por si só.

Review de Jogos | Criador de Conteúdo
Fã de PlayStation, mas não da Sony | Fã de Castlevania | Gamer | Apresentador do programa "Castelo do Caos" no Youtube.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *