Agradecimentos a Dear Villagers por ceder essa licença do game
Review produzida no Xbox Series S

Star Overdrive é um indie muito charmoso e ambicioso, mas que tropeça em seu próprio tamanho. O que poderia ser um dos melhores jogos que misturam a adrenalina de um jogo de skate, com uma trilha sonora super rock ‘n roll e poderia entrar no hall de “grandes jogos indies” como Sunset Overdrive e Hi-Fi Rush, acaba sendo uma experiência quase memorável e que chega perto do nível de excelência, mas possui problemas que tiram o brilho de suas próprias qualidades.
Star Overdrive é desenvolvido pela Caracal Games, uma desenvolvedora italiana, que começou com apenas 3 pessoas e fez um jogo chamado Downward. Após um modesto sucesso, a Caracal desenvolveu Star Overdrive com uma equipe de 10 pessoas, o que impressiona pela qualidade alcançada no jogo. Star Overdrive é um jogo publicado pela Dear Villagers, uma distribuidora e publicadora de jogos francesa, que nos enviou a chave para esta Review.
Ambicioso, mas que tropeça em seu próprio tamanho.
JOGAMOS! COMO É O JOGO NA PRÁTICA?
A primeira coisa que chama atenção em relação ao jogo é a sua similaridade com a franquia mais recente de Zelda, Breath of the Wild e Tears of the Kingdom. A inspiração no “zeldinha” aqui é muito clara e também foi confirmada pelos desenvolvedores da Caracal Games. Então se você curte os Zeldas mais recentes, Star Overdrive com certeza vai chamar sua atenção.
Os gráficos, em estilo “animação aquarela” deixam o jogo lindo e muito vivo. Sem dúvida, é um dos pontos altos do jogo. Alguns podem dizer que os gráficos não são tão bonitos quanto Zelda, mas sinceramente? A gente não pode esquecer das diferenças de orçamento entre os estúdios, e para uma equipe de 10 pessoas, o trabalho gráfico feito na Engine Unity foi nota 10.
Jogar Star Overdrive em uma tela OLED HDR, faz toda a diferença e deixa as cores do jogo muito ricas e vivas. Isso é um detalhe muito interessante de se observar, uma vez que nem todos os jogos indies calibram bem seus níveis de HDR e acabam perdendo grande parte do potencial que uma tela OLED pode oferecer.
Além dos visuais, a maior sensação após zerar Star Overdrive é sem dúvidas, o divertimento. Nas 20 horas que passei no planeta arenoso de Cebete, diversão foi a máxima e o jogo rende muitos momentos de “uau!” e “hahahah, que daora!”.
Muito desse divertimento está ligado ao Hoverboard, que BIOS, nosso protagonista, usa para surfar pelo mapa. O “skate do futuro” que vimos pela primeira vez em “De Volta para o Futuro 2” é também um dos pontos altos do jogo e a movimentação pelo mapa é muito boa, veloz e divertida com as suas manobras. Aqui, existe o charme que a gente vê em outros grandes jogos desse estilo, como Sunset Overdrive e Hi-Fi Rush. Atravessar o mapa é muito satisfatório, acompanhado de manobras muito loucas e a trilha sonora de hard-rock, estilo anos 80, contribui para uma exploração geral muito legal.
Falando na música, a trilha sonora é o ponto alto! Misturando sons de sintetizador, tirados diretamente dos anos 80, com um álbum completo de músicas autorais da Caracal Games, inspirados em bandas como Motley Crue, Whitesnake, Deep Purple e Bruce Springsteen, a trilha de música está sempre expandindo conforme coletáveis vão sendo pegos e contribuem para Star Overdrive ser um dos melhores jogos rock ‘n roll disponíveis no mercado. Mas eu não posso deixar de dizer, que a versão que recebemos para análise, estava com o som das músicas totalmente bugado, granulado e chiado. Não consegui identificar se esse chiado é proposital, o que era comum nas fitas de rock dos anos 80, mas a falta de uma qualidade de som limpa e clara tirou um pouco da diversão da experiência. O som chiado incomoda e acaba atrapalhando a clareza de outros sons do mundo, como sons de movimento, pulo e combate.
Ainda sobre deslocamento, mapa e movimento, uma das atividades secundárias mais divertidas do jogo é caçar as minhocas gigantes que se deslocam pelo mapa, em um estilo bem “Duna”. É uma perseguição intensa, divertida e difícil a ponto de te deixar sem fôlego no final.
Outra atividade secundária que rouba a cena são os desafios de corrida, que exigem dos jogadores todas as habilidades disponíveis para o Hoverboard. Para vencer, é necessário aprender a pular bem, encaixar manobras, utilizar habilidades e enxergar as oportunidades para turbos e impulsos pelo mapa. Apesar de, às vezes, ficarem bem complicadas e desafiadoras, não atrapalham o progresso do jogador e são desafiadoras na medida certa. Mas para quem quer fazer 100% das corridas, fica o aviso: você vai ter que conhecer e dominar muito bem o seu Hoverboard. É uma das melhores e mais engajantes side quests do jogo, sem sombra de dúvida.
Com relação ao mapa que mostra todas as missões principais e side quests, vale mais um destaque positivo para a Caracal Games, que fez um mapa muito claro e intuitivo de mexer. O planeta Cebete conta com muitas atividades secundárias e coletáveis e o mapa do jogo faz um belo trabalho de guiar o jogador com checklists e filtros que facilitam muito a localização do próximo objetivo.
Deslocamento muito legal, movimentação dinâmica, boas side quests, mas ao que leva tudo isso? Bem, um sistema simples de coleta de recursos e pontos de habilidade que vão melhorar as habilidades de BIOS ao longo do tempo e dar a progressão ao protagonista silencioso. Coletar materiais e upgrades vão permitir customizar e melhorar a velocidade, impulso, controle e energia para turbo no Hoverboard. A progressão de personagem e no Hoverboard começam bem, mas após a metade jogo, depois de fazer um bom número de melhorias, BIOS já fica forte o suficiente para derrotar todos os inimigos e passar por todos os desafios, o que acaba tirando o incentivo do jogador de buscar materiais e coletáveis após o começo do 3º Ato do jogo e no endgame. Os ganhos passam a ser mínimos e perdem o sentido. Por fim, em relação à customização do Hoverboard, é possível deixar sua prancha espacial bem bonita, com várias opções de desenhos e tintas para deixar do jeitinho que você quiser.
Uma coisa muito positiva sobre os recursos é que eles são mais do que o suficientes para fazer todas as melhorias e customizações que o jogador deseja, de forma que sempre tenhamos um excedente para testar novas formas e combinações. Isso é incrível, porque não limita o jogador em explorar possibilidades, tirando a necessidade de ficar “limpando” totalmente o mapa.
Progredir na campanha e explorar o mapa, vai render o desbloqueio de novos poderes para a arma de BIOS, que é um teclado-guitarra chamado “Keytar”. Os poderes influenciam na resolução de puzzles, no combate e ao voar na prancha. E são muito legais, mantendo a gameplay variada do começo ao fim do jogo. São apenas 6 poderes básicos, que já vimos em outros jogos, mas no final entregam uma experiência divertida e incitam a criatividade dos jogadores para resolver os quebra cabeças de diversas formas distintas.
Os sistemas de puzzle são em um formato de “fases fechadas” dentro de minas de escavação, que são bem comparáveis com os templos ou as “shrines” de Zelda, sendo um sistema muito legal e recompensador para quem gosta de um bom quebra-cabeça. Por serem puzzles baseados em física, pular entre as plataformas pode ser impreciso por conta de erros em cálculos da física do jogo, o que pode causar muitas quedas e falhas, tornando os puzzles chatos. Mas no fim do dia, os desafios são super inteligentes e testam as habilidades dos jogadores que desejam um desafio ou ir atrás do 100%. Por fim, apesar de ser um sistema simples e com algumas falhas, é um dos pontos altos do jogo e vai te divertir demais, porque recompensa e torna BIOS mais forte, tornando o jogo progressivamente mais fácil em alguns aspectos, como o combate e a acumulação de recursos para upgrades.
O combate de Star Overdrive é competente, mas é truncado e, ao contrário da movimentação no Hoverboard e a pé, no combate, BIOS fica muito rígido e não possui fluidez em seus movimentos. É possível fazer combos e lançar os inimigos ao ar com a Keytar, mas os combos são muito limitados, acabando depois de 2 ou 3 golpes. A movimentação atrapalha um pouco emendar os combos, já que o jogador não consegue se posicionar pra acertar todos os golpes do combo. Em relação ao combate, um sistema sem combos e com uma movimentação mais fluida e livre, poderia tornar esse aspecto do jogo muito melhor.
Beleza, então falamos da gameplay, da exploração, da customização e melhorias, do combate, mas e a história? Não falei da história até agora, mas ela acaba sendo secundária no jogo, apesar de ser a missão principal.
As missões principais são simples e com objetivos repetitivos, de uma forma geral. A história do jogo começou muito bem, e com o nosso protagonista silencioso (BIOS), mas carismático. NOUS, a princesa Zelda perdida de BIOS também é muito carismática. O mistério, que envolve a trama principal da história é simples, mas prende bem o jogador, dando vontade de sempre querer saber mais e deixando a intriga sempre no ar. O meio do jogo tem pouca presença da história, o que é um pouco decepcionante e acaba piorando muito a qualidade geral da história, por conta das missões repetitivas. Apesar de simples, Nous e Bios poderiam ter suas nuances muito melhor exploradas pelos roteiristas, de forma que eles são cativantes, mas não alcançam excelência. Apesar de tudo, vale dizer que o chefe final do jogo é incrível, mas não vou dar spoilers, a surpresa vale a pena! Por fim, a história termina em bom tom e vale a pena pela duração da campanha. Star Overdrive possui a premissa para uma grande história, que se dilui pela pouca presença de tela de NOUS e pelas missões repetitivas da campanha principal. No fim, o jogador fica mais focado em fazer as missões secundárias mais divertidas, deixando a história e as missões principais em segundo plano e perdendo o impacto que os roteiristas quiseram passar.
Star Overdrive possui um ciclo de gameplay repetitivo, mas que se sustenta pela diversão de resolver os quebra cabeças e andar no Hoverboard. A história perde muito potencial e o combate é medíocre, mas diante de toda a diversão garantida pelas atividades secundárias, o jogador vai se sentir compelido a zerar o jogo, por querer fazer a famosa “só mais uma missão” aqui e ali.
Minha única crítica aos objetivos secundários é o modo “Teste Cronometrado”, que deixa o jogador um pouco perdido com relação ao percurso a se fazer, deixando os 100% do jogo somente para os jogadores que dominaram totalmente as habilidades do hoverboard. Mesmo com todos os upgrades liberados, a atividade ainda é bem difícil e o maior problema é achar as bolinhas azuis no mapa para achar o percurso. Isso torna a atividade muito sensível a erros e mesmo corridas comuns, mais difíceis, não possuem a mesma dificuldade dos Testes Cronometrados.
Conteúdo, os Testes não foram a única barreira para completar os 100% de Star Overdrive.
Não foi possível ir atrás de 100% do conteúdo do jogo, devido a bugs que atrapalharam a progressão de algumas side quests e atividades secundárias. Espero que esses bugs sejam eventualmente corrigidos para os jogadores, uma vez que não se tratam apenas de bugs pontuais, mas sim que atrapalham a progressão. Em relação às missões da história principal não tive nenhuma experiência de bug.
De forma geral, os bugs foram mínimos exceto:
– o bug de áudio pra efeitos sonoros e música de rock, que deixa o som granulado e estourado, mas o som da música ambiente está ok.
– Bug de diversos personagens secundário inexistentes, o que atrapalhou a progressão de alguns “mistérios”, side quests do jogo.
– Bug para os animais entrarem nas gaiolas, na maioria das vezes, o que é uma mecânica essencial para a resolução de diversos puzzles.
Após 20 horas jogadas no Xbox Series S, a experiência geral com Star Overdrive foi bem satisfatória, mas os bugs incomodaram mais do que deveriam. Star Overdrive possui uma excelente gameplay, um mundo aberto engajante, bons puzzles, um combate medíocre, uma história com potencial desperdiçado, uma trilha sonora maravilhosa, que conta com diversos problemas técnicos de áudio e bugs que impedem o jogador de aproveitar completamente o belo mundo criado pela Caracal Games.
Star Overdrive é um jogo muito ambicioso para seu nível de execução. Talvez um mundo menor, com mais foco em uma história melhor desenvolvida, um combate que não se vende como algo complexo e um melhor polimento de aspectos incríveis, como trilha sonora e variedade de missões principais, poderia colocar Star Overdrive na prateleira de grandes jogos musicais com combate, como Sunset Overdrive e Hi-Fi Rush. Mas sendo bem sincero? Para a equipe de 13 desenvolvedores da Caracal Games, o resultado é muito satisfatório e você percebe toda a paixão dos desenvolvedores em construir um mundo misterioso e grandioso.
Star Overdrive é um jogo que chega ao Xbox no dia 19 de junho, após ter sido lançado no dia 10 de abril para Nintendo Switch! A versão de Xbox que jogamos possui uma clara melhoria em relação à versão de Switch. Star Overdrive ocupa o espaço de 11 GB de tamanho no Xbox Series S e 20 GB no Xbox Series X. Ambas as versões do jogo rodam a 60 FPS, sendo as resoluções 1080p no Series S e 4k no Series X. Ambas as versões possuem suporte para HDR e som espacial, que infelizmente estava bugado, chiado e granulado, como comentei. Além das melhorias gráficas e de performance, a versão de Xbox conta com melhorias adicionais em relação à versão original do jogo:
– BIOS está com uma movimentação melhorada e com o movimento mais natural, bem como ganhou um aumento de 15% em sua velocidade (aqui, eu acredito que eles poderiam melhorar ainda mais esse aspecto em futuros patches e correções).
– Um sistema muito útil de travar a mira nos inimigos, bem como carregar tiro com o poder de tiro.
– Melhorias de animações faciais durante as cutscenes
– Balanceio da dificuldade de corridas e inimigos (poderiam aplicar balanceamentos na atividade “Testes Cronometrados” também).
– Reorganização de missões da campanha pra uma melhor progressão (adicionem mais cutscenes!)
– Inclusão dos inimigos “Corrompidos” que rendem muitas recompensas legais (essa é uma baita adição e faz a diferença).
Star Overdrive está disponível em edições Standard e Deluxe, que custam R$63,99 e R$71,99, sem considerar eventuais descontos de Pre-Order ou para membros do Gamepass. A versão Deluxe acompanha a trilha sonora original do jogo e um lindo mangá sobre as aventuras de BIOS. Importante mencionar também, que o jogo está custando 30 dólares na Loja Norte-Americana da Xbox, então dá pra ver que os desenvolvedores fizeram um baita trabalho de localização de preço e linguagem para jogo, tornando Star Overdrive super acessível para o público brasileiro. E falando em linguagem, tá? O jogo é totalmente feito em língua inglesa, mas está com menus e legenda totalmente em português, mantendo a dublagem original.
Caracal Games, façam um jogo com vozes em italiano! Vamos adorar!
E para quem não tem um Xbox, mas ficou interessado no jogo, recomendo a Review do meu camarada Ramom do Canal Bitnautas, que analisou Star Overdrive no Nintendo Switch e também deu o seu pitaco sobre o jogo! (LEIA AQUI)






CONCLUSÃO
Star Overdrive poderia ser um jogo muito bom, mas possui erros que atacam suas maiores qualidades e tiram o brilho de uma história cativante e uma trilha sonora fenomenal. Contudo, seria ofensivo chamar esse jogo de medíocre depois nos divertirmos tanto e as desenvolvedoras que se preocupam com localização de preços no Brasil, sempre merecem reconhecimento.




