Eu já esperava que Sonic Racing: CrossWorlds fosse apenas mais um capítulo na tentativa da SEGA de alcançar Mario Kart. Mas depois de horas grudado no playtest, posso dizer sem medo que esse jogo não está tentando só competir. Ele quer redefinir a bagunça que conhecemos como corrida arcade. E olha, ele chega bem perto disso.
O primeiro choque foi perceber como os Travel Rings realmente mudam a corrida. Você dá a primeira volta em uma pista e já pensa que entendeu tudo. Só que o líder ativa um desses anéis mágicos e, de repente, você está no meio de um CrossWorld que parece saído de outra dimensão. É quase como se o jogo tivesse um toque de multiverso, só que aplicado nas pistas. É impossível não rir do desespero de quem está acostumado a decorar atalhos, porque aqui nada dura muito tempo.
Outro ponto que me surpreendeu foi a customização dos veículos. Não estamos falando de trocar só a cor do carro. É um Frankenstein automobilístico completo. Eu passei uma boa meia hora tentando montar uma combinação entre um chassi futurista, rodas clássicas e gadgets que pareciam armas secretas da Eggman Industries. O detalhe é que cada peça realmente muda a forma como o carro responde. Você não está só deixando ele bonitinho, está montando a sua própria versão de veículo de corrida maluco.
E por falar em gadgets, esse sistema pode ser o grande diferencial do jogo. Eles ocupam slots limitados, então não dá para sair carregando tudo como se fosse mochila de GTA. A escolha é estratégica e faz diferença. Eu apanhei bonito porque entrei confiante demais com um kit focado em velocidade, mas fui triturado por jogadores que usavam gadgets de defesa. É aquele momento em que você percebe que não basta ser rápido, precisa ser esperto.
As pistas seguem a tradição da SEGA de caprichar nos visuais. A cada cenário eu sentia aquela mistura de nostalgia com toques de novidades. Os CrossWorlds são a cereja do bolo, porque dão a sensação de que você está jogando vários jogos em um só. Um detalhe que curti muito foi o cuidado com a trilha sonora, que varia junto com os cenários e dá ainda mais vida às corridas.
Claro que não dá para dizer que tudo é perfeito. O jogo ainda precisa de alguns ajustes na questão de colisão e no balanceamento de certos gadgets que parecem apelões demais. Mas se a SEGA realmente refinar isso até o lançamento, a experiência pode ser sólida o suficiente para bater de frente com o intocável Mario Kart.
No fim das contas, jogar Sonic Racing: CrossWorlds me deixou com aquela sensação positiva. Não é só um clone colorido de Mario Kart, é uma proposta própria que mistura corridas rápidas, customização quase absurda e um sistema de pistas que nunca deixa você relaxar. Depois de algumas horas de jogo, percebi que era impossível sair sem pelo menos mais uma corrida. E mais uma. E mais uma.
Se esse playtest foi apenas um gostinho, eu já estou pronto para o banquete completo assim que lançar.

