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Review de The Outer Worlds 2 | PC

MEU HISTÓRICO COM A OBSIDIAN

Conheci a Obsdian em 2004 com o fantástico e clássico Star Wars: Knights of the Old Republic II: The Sith Lords. Esse jogo é um clássico que segue até hoje na minha lista dos 15 melhores jogos da vida.

Dentre outros jogos marcantes do passado temos ainda: Neverwinter Nights 2 e Fallout: New Vegas.

Na fase intemediária amei ambos os Pillars of Eternity,

A fase mais moderna, entretanto, tem sido menos incrível. Ao menos para mim. The Outer Worlds 1, Avowed e Pentiment embora longe de serem jogos ruins, não tem o brilho de outrora. 

Chega de falar do passado e vamos entrar no jogo do momento: The Outer Worlds 2.

HISTÓRIA/PREMISSA

The Outer Worlds 2 é uma sequência independente ambientada no sistema estelar de Arcadia, em um futuro alternativo que diverge da nossa linha temporal em 1901. O jogo é, portanto, retro-futurista.

Você assume o papel de um comandante do Diretório Terrestre, enviada para investigar fendas devastadoras no espaço-tempo — anomalias etéreas causadas possivelmente pela tecnologia de salto (usada para viagens interestelares) — que ameaçam destruir a colônia e a galáxia inteira. 

O Diretório terrestre é uma organização administrativa e regulatória do universo de The Outer Worlds que coordena a relação entre a Terra e suas colônias interestelares.

Ao chegar em Arcadia, você acorda após uma missão que dá errado, dez anos depois, em um sistema em caos: uma guerra civil entre três facções que disputam o controle, em meio a alianças instáveis e ambições corporativas. As facções incluem o Diretório Terrestre (seu lado inicial), a tirânica Protetorado e rivais como Primicias da Titia e a Ordem do Ascendente, com elementos satíricos de capitalismo desregulado e autoritarismo. 

A narrativa é altamente ramificada e impulsionada por escolhas, com 8 missões principais multi-etapas, dilemas morais perigosos, companheiros recrutáveis de facções rivais cujas histórias pessoais exploram temas de pertencimento, predestinação e lealdade, e consequências que alteram o mundo, facções e finais múltiplos. 

A história conta com o humor ácido, sarcástico e absurdo, tradicional da Obsidian.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

A gameplay the The Outer Worlds 2, segue a mesma linha dos últimos RPGs da Obsidian, tal como o The Outer Worlds 1 e Avowed. É um RPG de ação que dessa vez parece ter sido criado com a opção de jogar em terceira pessoa como algo estrutural.

Ainda assim, eu preferi a visão em primeira pessoa, pois é algo que me parece mais o DNA atual da Obsidian. 

Quando você cria o seu personagem, você escolhe uma história que pode influenciar alguns diálogos na história e três classes de habilidades. Essas sim, influenciam bastante as opções durante o jogo. 

Por exemplo, por vezes, ao invés de enfrentar os inimigos de frente, você pode arrombar dutos de ar e passar por eles. Porém, isso só será possível se tiver a habilidade de arrombar. Há inúmeros terminais que em tendo a habilidade de hackear, você poderá ligar torretas e robôs mecânicos para matar seus inimigos.

Com a habilidade de engenharia, pode abrir portas emperradas. Com a habilidade corpo a corpo, pega inimigos desprevenidos com stealth. Com a habilidade de fala, pode resolver muita coisa na conversa e não na bala e por aí vai. As opções são bem ricas e variadas e você pode escolher o que mais se adapta ao seu estilo de jogar.

Além das habilidades, tem também um sistema de “fraquezas”. À medida que você faz muito uso de determinadas ações, o “Diretório Terrestre” vai te mostrar a fraqueza e cabe a você aceitá-la ou não. É um sistema que vai te penalizar em alguns pontos, mas vai te dar uma vantagem. Você não é obrigado a aceitar. Na maioria das vezes não me pareceu vantajoso aceitar. 

Esse sistema de habilidades, embora não seja nada revolucionário, é o que há de mais diferente na gameplay do jogo. Fora isso é basicamente, explorar, coletar loot e meter bala.

A mecânica do jogo não tem nada de inovador: Você explora, coleta loot e mete tiro nos inimigos.

Eu, particularmente achei o Loot e os builds fracos, no sentido que parecia que qualquer coisa servia. O jogo até tem um sistema de inimigos resistentes a determinados tipos de dano elemental, mas eu usei basicamente choque e tiro e terminei o jogo na boa. O jogo tem choque, plasma, raios N, gelo etc.

Mesmo com armaduras, não vi diferença nenhuma. Os capacetes até tinham uma característica ou outra relevantes. 

Logo no início eu achei uma arma muito forte e depois no meio do jogo outra e dali para frente, só usei elas. 

Joguei na dificuldade normal e aconselho aos que querem maior desafio que joguem acima desse nível pois foi relativamente fácil. Ainda mais se você levar o robô Valerie como companheiro, pois ela oferece cura.

As animações de engenharia e lockpicks também são bem divertidas. 

A estrutura das missões é relativamente simples, linear e bem guiada. Raramente você se perde. Tem algumas que você precisa procurar alguma coisa em um raio e isso fica marcado no mapa. Em outras tem as famosas “tintas amarelas” para te mostrar aonde ir.

O Stealth não funcionou comigo pois não investi na habilidade corpo a corpo, então tive que resolver na bala mesmo, mas foi de boa. 

O jogo bebe na fonte da Bethesda abertamente. Tem o mesmo estilão, principalmente nas conversas com os NPCs, um monte de bugiganga para coletar e as animações quando dá um headshot crítico nos inimigos. São apenas alguns exemplos, lembrando que como disse a pouco, eles fizeram Fallout New Vegas. 

Como outros jogos da Obsidian, o jogo tem bastante conversação e textos. Se você não curte muito, pode ser um pouco chato. Entretanto, se você manipular o objeto que tem um texto para “ler” sem de fato ler, a informação é registrada e você poderá usá-la automaticamente mais para frente. É super importante que você explore e pegue livros, áudios e textos pois eles influenciam nas opções das missões.

A IA dos inimigos alterna bons e maus momentos. Por vezes, os inimigos fogem e buscam cobertura. Já em outros momentos, correm em sua direção de peito aberto, ou ficam presos olhando para paredes esperando para serem mortos. 

O senso deles do perigo é meio limitado também. Por exemplo, houve casos que eu dei tiro matei um cara do lado do outro e ele “não percebeu”.

A interface de gerenciamento de inventário é confusa e difícil de você comparar os itens. 

Os companheiros são interessantes, tendo cada um deles sua história e missões relacionadas. Adorei a Valerie que é o robô que além de um humor sarcástico é supereficiente como companheiro.

DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA

The Outer Worlds 2 foi desenvolvido com o já conhecido Unreal Engine 5 e para a surpresa de zero pessoas, tem problemas de otimização. O jogo tem muitos Stutters. Chega em um planeta? Super Stutter. Mexe rápido o controle? Stutters. Entra em uma sala, carrega tudo em paralelo e o mundo parece que vai montando na sua frente. 

Pô, mas você é muito exigente! Penso que a gente paga caro por um jogo e o estúdio precisa entregar algo perto da perfeição. Imagine se você tivesse um carro e que a cada 5 arrancadas, uma falhasse. Acho que você não ia ficar satisfeito.

Só para deixar claro, stutter é quando o jogo dá uma micro travada para que os ativos possam ser carregados e os efeitos carregados na GPU. Esse problema ocorre mais no PC do que nos consoles. O problema parece afetar menos quem joga com mouse e teclado.

Graficamente tive momentos de ficar impressionado e outros decepcionado. Nos ambientes internos o jogo no geral está muito bonito. Os NPCs são bem renderizados nas conversas, com roupas bem detalhadas e efeitos de luz bem aplicados.

Como o jogo é retro futurista, os gráficos são estilizados e é importante levar isso em consideração. 

As texturas, principalmente nos ambientes internos, são sensacionais, de alta qualidade e muito bonitas.

A minha crítica aqui fica para o mundo aberto. Aqui a qualidade das texturas fica mais pobre e o mundo como um todo parece faltar iluminação. Mal tem sombra, não tem sol, quase nada emite luz. É esquisito. Pode ser liberdade criativa? Pode, mas a mim não agradou.

O jogo tem full voice acting em inglês e legendado para português.

Uma falha chata para quem joga no PC e não é o primeiro jogo da Xbox studios negligência é não ter nas opções gráficas a escolha do monitor onde o jogo vai rodar. Eu uso um notebook conectado à TV. A TV, obviamente é o monitor 2 e para que o jogo rode na TV e leia a resolução correta, tenho que por o monitor 2 como o padrão toda vez que vou jogar.  Isso é muito chato. Jogos indies tem isso!!!! 

Em termos de desempenho, no meu notebook com i9 e RTX 4080. Joguei a 4K com DLSS Qualidade e quase tudo no máximo com exceção do Raytracing por Hardware. 

Tive que usar Frame Generation senão ficava por volta dos 40 fps que ficou ruim. Com FG, rodou entre 75-80 e bem aceitável.

CONCLUSÃO

Se você gostou do primeiro The Outer Worlds, vai encontrar a mesma dinâmica com uma história nova e melhorias técnicas. Se o primeiro não clicou, esse não será diferente.

Levei 37 horas para terminar o jogo na dificuldade padrão, longe de platinar. Muitos troféus era só fazer, mas eu sinceramente nem olho pra isso.

Se você curte RPG de ação vai encontrar diversão aqui, mas não espere nada revolucionário. 

Quer uma nota? 77, boa diversão sem grandes surpresas.

PATÔMETRO

77

Review de Jogos / Criador de Conteúdo
Ex empresário e professor de Assembly, atualmente vive em Portugal e adora passar o tempo nos seus joguinhos, com o gênero RPG de turno como seu preferido. Além de videogames, adora viajar e curtir uma boa gastronomia.

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