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Review de The Necromancer’s Tale – Mais uma prova de que RPGs narrativos sempre tem espaço

Agradecimentos à Keymailer/Game.Press pela licença
Versão de PC

Data de lançamento: 17 de julho de 2025;
Plataformas: Steam (PC);
Desenvolvedor: Psychic Software;
Distribuidor: Psychic Software;
Gênero: RPG tático.


The Necromancer’s Tale é um RPG narrativo sombrio ambientado em uma versão alternativa da Europa do século XVIII. O jogo te coloca na pele de um jovem nobre que herda um grimório necromante, e com ele, o fardo de mergulhar em um submundo de intrigas políticas, segredos profanos e cadáveres que insistem em conversar. Com forte foco em escolhas morais, relações sociais e uma escrita digna de romance gótico, o jogo aposta mais em história do que em ação, entregando uma experiência densa, única e deliciosamente macabra.

Um jogo feito pra quem gosta de boas histórias.

PREMISSA/NARRATIVA

Tem jogo que começa com dragão, tem jogo que começa com tutorial… The Necromancer’s Tale começa com uma herança macabra e um livro suspeito que brilha à meia-noite. Pois é, o jogo já te coloca no centro de uma trama gótica digna de um romance do século XVIII, mas com uma pitada generosa de bruxaria, segredos de família e cadáveres que não ficam onde deveriam.

Você controla um jovem nobre de uma cidade fictícia bem inspirada na Veneza do século 18, onde a ciência está começando a dar seus primeiros passos, mas a superstição ainda corre solta pelas vielas. Seu personagem, depois de um prólogo super bem escrito e cheio de ramificações, acaba se vendo às voltas com o grimório da família. A partir daí, tudo desanda de um jeito lindo. Necromancia, chantagem, conspiração política, pactos com forças além do véu da sanidade. Tudo isso sem perder a compostura… ou pelo menos tentando.

O que me pegou mesmo foi o tom da história. O jogo tem mais texto que muito livro por aí, mas nunca soa chato. É como ler uma boa novela gótica cheia de mistério, com personagens cheios de camadas e nomes que dão até um nó na língua. E o melhor: as suas escolhas realmente importam. Você pode ser um necromante sombrio e cruel ou alguém que apenas… levanta uns mortos de vez em quando, por motivos totalmente acadêmicos.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

É aqui que o jogo começa a mostrar que não é só papo furado. The Necromancer’s Tale mistura elementos de RPG clássico com sistema de escolhas e combate por turnos. Mas calma que ninguém aqui tá reinventando nada. O foco é bem claro: narrativa.

Durante boa parte da experiência, você vai conversar. Muito. Cada NPC parece ter saído de uma peça de teatro. E não são só figurantes. São mais de 180 personagens com quem você pode interagir, influenciar ou simplesmente esnobar se estiver se sentindo superior. Suas ações e falas afetam diretamente como as pessoas te enxergam, e, olha, isso pode te colocar em situações bem delicadas. Já vi RPG onde você pode ser odiado… mas aqui, ser odiado é questão de tempo se você não souber jogar o jogo social.

O combate existe, e funciona. É em turnos, tem sistema de magia, armas, buffs e claro… os mortos-vivos. Você invoca bichos que já deviam estar empoeirando num caixão, e eles te ajudam na luta como bons companheiros de túmulo. Tem modo só de história pra quem não curte combate, e até um sistema de resolução automática pra quem só quer seguir a história.

Ah, e o prólogo. Que coisa maravilhosa. É praticamente um mini-livro interativo que define suas estatísticas e histórico. Sério, só ele já vale uma leitura num dia de chuva.

DIREÇÃO DE ARTE/ASPECTOS TÉCNICOS

Visualmente, o jogo entrega uma estética gótica e melancólica muito bem feita. Não espere gráficos 3D super realistas ou coisas piscando na tela. Aqui o charme tá nos detalhes: retratos pintados à mão, cores escuras que refletem a decadência da nobreza e uma interface que parece saída de um diário antigo amaldiçoado.

A trilha sonora é sombria na medida certa. Aqueles acordes que fazem você olhar pro lado só pra confirmar que tá sozinho mesmo. O design de som também ajuda a mergulhar nesse mundo de velas, sussurros e livros profanos. E sim, tem dublagem nos momentos certos, feita por um elenco que manda bem.

Em termos técnicos, o jogo roda liso, mesmo em setups mais modestos. Não encontrei bugs graves, nem travamentos bizarros. Os menus são simples e fáceis de navegar, o que é ótimo pra um jogo com tanto texto.

CONCLUSÃO

Temos aqui um jogo feito pra quem gosta de boas histórias, com pitadas generosas de trevas, escolhas morais complicadas e a possibilidade de conversar com um cadáver de vez em quando. Não é um RPG pra quem busca ação desenfreada ou loot voando pela tela, mas sim pra quem quer mergulhar num mundo denso, cheio de intrigas, feitiços proibidos e decisões com consequências reais.

Como fã de RPGs, me senti em casa. Como necromante amador, me senti… observado. Mas tudo bem, faz parte do pacote (eu acho).

Se você curte Disco Elysium, Planescape: Torment ou aquele clima “literatura gótica de fim de semana”, vai fundo. Só não se apegue muito aos personagens. Eles podem acabar partindo… voltando.

Texto escrito por mim. Revisado por IA.

Co-Founder / Press Manager / Imprensa / Jornalista Digital / Streamer / Criador de conteúdo / Reviews
Fã incondicional de Cavaleiros do Zodíaco, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Tartarugas Ninjas, Robocop, Power Rangers e Caça Fantasmas. Gosto de Tokusatsus e animes dos anos 80, 90 e comecinho dos anos 2000. Jogo desde o Super Nintendo (Snes) e meus jogos favoritos são RPGs ou ARPGs, como Final Fantasy IX e Parasite Eve.

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