Bruno Castelo Destaque Jogos Review/Análise

Review de Tainted Grail: The Fall of Avalon – Gameplay competente, mas tecnicamente…

Licença recebida da Awaken Realms via Outreach PR
Review feita no PlayStation 5

Tainted Grail: The Fall Of Avalon é um jogo desenvolvido pelo estúdio Questline e é distribuído pela Awaken Realms. Aqui, sem mistério algum tudo que permeia o jogo com exceção da construção de seu mundo e a história acaba bebendo da fonte de jogos como The Elder Scrolls.

Ele é um RPG de ação que se inspira em The Elder Scrolls não só em suas mecânicas mas na quantidade irritante de bugs, crashes e problemas que impedirão seu progresso em diversas missões do jogo. Potencial desperdiçado só não é maior porque a história é fantástica, o sistema de builds e equipamentos é variado o bastante e o ritmo de campanha dividido em ATOS agrada e ameniza os problemas maiores do jogo.

Gigante, mas igualmente problemático.

PREMISSA/NARRATIVA

Em uma nova interpretação da lenda Arthuriana, o Rei Arthur que aqui lutou para conquistar as terras de Avalon e fugir com seu povo de sua terra natal por conta da devastação causada por uma praga chamada morte rubra é personagem central JUNTO do jogador. A PRAGA que há muito tempo pensaram ter evitado volta com força total. Você é capturado por monges que secretamente vem tentado curar tal doença e se vê numa trama envolvendo o fantástico e o pós – vida. Tudo é tragédia e desolação com as figuras históricas dessa lenda. Não espere um jogo onde há esperança. AQUI, o mundo de fato está acabando.

A história e sua premissa é desoladora. Não há muita felicidade pra encontrar em uma terra assolada pela fome, ódio e violência. Enquanto os nobres se escondem nos portões de Avallon, a plebe e todos os povos das montanhas e das praias ao sul passam necessidade e dor sem tamanho. Monstros, aparições fantasmagóricas e um fenômeno sobrenatural tomando as vidas e mentes das pessoas chamada ESTRANYEZA são a palavra de lei. A premissa é tão pessimista que embora meu impacto entre algumas vitórias como apaziguar rivalidades de uma tribo guerreira e os pomposos sentinelas do sul sejam bacanas de se acompanhar, me vi pego numa redoma de tanta negatividade que preferi focar em melhorar meu personagem e avançar mais na história do rei. Basicamente o heroísmo aqui é sobrevivência a todo custo enquanto você tenta não ser um mercenário panaca mesmo que tenha a possibilidade de agir assim com os personagens do jogo.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

A gameplay é a parte que mais me agradou. Ainda que sinta falta de uma janela de itens mais dinâmica, o combate aqui recompensa seu esforço como todo bom jogo do gênero. Você tem que gerenciar o tanto de equipamentos que carrega, subir de nível fortalecendo os pontos que vão te favorecer enquanto escolhe as habilidades da construção de personagem que quer e o processo é altamente intuitivo e divertido. Há também culinária onde um simples purê de batatas que recupera vida de tempos em tempos pode te salvar nos ermos. Há também uma forja de itens e de equipamentos e tudo é muito divertido e simples de assimilar. Foquei em um guerreiro pesado com arma de duas mãos e apesar do começo difícil e de entendimento de mecânicas propostas mais lento, a janela de habilidades e a minha teimosia e esforço extremos em explorar cada canto das regiões do jogo me permitiram lutar e ter desafios pontuais mesmo na dificuldade normal. O jogo aqui pode sofrer em alguns aspectos um desbalanceamento nos momentos iniciais e em alguns chefes caso você seja um cara mais direto ao ponto, contudo, nada impossível ou que você não consiga se safar.

A inteligência artificial patina entre boa e confusa o que pode interferir diretamente na sua experiência também. Eu tive ótimas bossfights e sempre me vi instigado a enfrentar inimigos mais fortes que eu e confesso ter sido uma experiência bem divertida. As quests principais são muito boas e interagir com os NPC’s sempre acaba gerando uma aventura diferenciada. Há também as mais comuns como caçar alvos notórios e recuperar itens simples pra um mercador por exemplo mas tudo dentro da normalidade do gênero.

DIREÇÃO DE ARTE/ASPECTOS TÉCNICOS

Os gráficos são medianos e remetem a geração passada.  Não há outra coisa que eu fale que vá mitigar isso. Com jogos no mercado como Avowed e o remake de The Elders Scrolls 4 Oblivion por ai a diferença chega a ser palpável. Sim, é um projeto indie e de  menor escopo então temos algum bom senso ao abordar, mas, realmente não há nada que salte os olhos. O que salva é a direção de arte. Bela e ao mesmo tempo criativa. Me peguei conferindo as discrepâncias de um forte para um jardim noturno druida na floresta e aqui devo dizer que é a única coisa que vale na parte visual. Npc’s tem animações básicas e seus designs são extremamente simples na mesma proporção. O mesmo vale para inimigos encontrados pelo caminho.

A música e efeitos sonoros agrada. O tema inicial que remete a mitologia nórdica é belíssimo. Músicas de exploração tem seu tom de acordo com a exploração que o jogador fizer no momento. Espere por temas mais acelerados em combate e outros mais sinistros explorando criptas e regiões desoladas. Barulhos de lâminas, ataques em armadura e efeitos gerais são bem feitos e dão o tom necessário pro jogo. Ponto alto até aqui.

A parte técnica é ultrajante. Não tem como dizer outra coisa. Stutterings, travamento entre masmorras constantes, crashes…Recomendo jogar com a resolução em 1080p e 30 fps ou você vai ter problemas diversos na campanha. Mesmo jogando nessa configuração pífia, o jogo crashou diversas vezes principalmente usando a viagem rápida. O que denota a falta de experiência é que portaram literalmente a versão de pc pros consoles. Até os logos de comandos são mostrados como os de PC se você desliga o controle no console.

Pode-se configurar V-Sync e qualidade de vegetação mas honestamente? A exceção do V- Sync e a resolução, o impacto foi nulo pra mim. E pra melhorar, o patch focado em desempenho nas plataformas ( isso inclui Xbox e PC ) tem sido prometido só para Agosto. E hoje, conforme escrevo essa análise , um dos desenvolvedores culpa tudo : A limitação de memória dos consoles, um update de engine usada no jogo que mitigou suas ambições… Em nenhum momento a responsabilidade é dada aos criadores que lançaram um jogo permeado de problemas.

Um dos vários problemas técnicos presenciados.

O patch mais recente, 1.0.4 corrigiu muita coisa enquanto gerou outro bug enfadonho de inventário onde muitas pessoas estão reclamando no discord oficial do jogo e com razão.

CONCLUSÃO

É difícil recomendar Tainted Grail pro gamer médio no momento no que tange aos consoles. Ao que parece, mesmo com os problemas a versão de PC pode estar melhor do que a vista nos aparelhos de memória limitada como dita o desenvolvedor. Mas, se você jogou qualquer Skyrim ou outro RPG Bethesda – like e adora romantizar esses jogos serem permeados de bugs, problemas em quests, balanceamento e até soft locks de quests secundárias, então, Tainted Grail é um prato cheio pra você. Eu aguardaria o Patch de Agosto ou até mais 1 aninho ainda pra tentar se aventurar por Avallon mas seria extremamente CÍNICO da minha parte não dizer que no fim eu acabei me divertindo e o estou jogando até agora. O que chateia o consumidor é desenvolvedor culpabilizar limitações de hardware ao invés de reconhecer seus erros mesmo com jogos fazendo milagres por aí no mercado. É de uma desfaçatez tremenda. Uma pena, tendo em vista que o jogo me agradou DEMAIS e está me fazendo lutar contra tudo isso pra tentar ver o final que eu quero para meu personagem.

Review de Jogos | Criador de Conteúdo
Fã de PlayStation, mas não da Sony | Fã de Castlevania | Gamer | Apresentador do programa "Castelo do Caos" no Youtube.

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