Bruno Castelo Destaque Jogos Review/Análise

Review de Syberia Remastered | PS5

Syberia Remastered traz a magia do clássico jogo point and click de 2002 para um público novo e saudosistas do jogo original, com pontos positivos e alguns tropeços pelo caminho também.

Parte do trabalho como jornalista gamer e crítico dessa mídia tão vasta e diversa é se arriscar. Jogar algo novo, fora da zona de conforto, e devo dizer que me surpreendi bastante com Syberia Remastered. Fiz a lição de casa: descobri que a franquia focada em resolução de puzzles nos cenários e interações com outros NPC’s tem um gênio em sua criação chamado Benoît Sokal. O artista de quadrinhos ultrapassou qualquer entendimento na época, recuperando o interesse de toda uma comunidade em jogos do gênero point and click com uma proposta vibrante, imersiva e atemporal.

Sair de um senso comum e unir sua arte com o desenvolvimento de videogames foi algo que me emocionou como pessoa e me tornou um jogador mais apaixonado ainda por esse hobby tão maravilhoso. Mas será que a Microids está à altura do legado desse artista ímpar?

 

HISTÓRIA/PREMISSA

Syberia Remastered mostra a jornada de Kate Walker. Advogada de uma firma americana situada em Nova Iorque, nossa heroína viaja até os alpes franceses para uma vila chamada Valadilene. Lá ela deve concluir os toques finais contratuais de uma venda de uma antiga fábrica de autômatos da cidade. E esse é o ponto chave: O que começa como algo impessoal e de uma natureza até certo ponto simples acaba virando uma jornada fantástica por um mundo incrível, onde tecnologia mais avançada e costumes mais antigos se misturam. É impossível não se interessar pela premissa e não comprar a personalidade excêntrica de alguns personagens e, claro, o carisma de Kate. A história de Syberia com certeza continua boa, como sempre foi, e na remasterização é ainda seu ponto mais forte.

GRÁFICOS

Antes de prosseguir nesse quesito, eu gostaria de mencionar que existe uma diferença entre remaster e remake, e o entendimento desses fatores pode ajudar você a formar uma opinião um tanto quanto polêmica no julgamento do jogo. Em remasterizações, pouquíssimas alterações são feitas no corpo do jogo, que vai desde história até gráficos. Em remakes, é comum mudanças em roteiro, história, gráficos e até origem de certos personagens. O termo remasterização foi o acertado aqui porque, tirando a atualização gráfica muito bem-vinda e a adaptação dos controles point and click para consoles, o jogo continua idêntico à sua versão original.

A Microids conseguiu recriar parte do mundo com um trabalho muito fidedigno, mas que fica abaixo do potencial que ele poderia atingir. Feições robóticas, animações com atraso nos gestos e texturas grosseiras em certos cenários com rochas e outros elementos naturais borrados atrapalham a imersão do jogador. O uso das CG’is originais em baixíssima resolução causam estranheza até o jogador compreender o que está acontecendo e denota uma certa falta de valor do estúdio a uma franquia tão bela quanto Syberia. Mas há coisas boas também: Os cenários internos são belos. O clássico trem, a fábrica e o hotel são de cair o queixo, por exemplo, e os puzzles continuam muito bem sinalizados visualmente. Ao menos isso. A ambientação é fora de série. Valadilene parece ao mesmo tempo um vilarejo familiar ou algo tirado direto de histórias steampunk.

JOGABILIDADE

A jogabilidade do jogo é muito simples. Kate corre e interage com objetos ao redor, seja em cenários ou puzzles fixos. Em um dado momento, você fica tão imerso no jogo que as interações ficam muito mais divertidas, e as resoluções dos puzzles, mediante a recompensa de uma boa exploração, se completam.

SOM E MÚSICA

As composições são bonitas e focam na ambientação. O único porém é que, com o tempo, elas se repetem e podem incomodar. No mais, efeitos sonoros, vozes dos personagens e o tilintar dos autômatos e outras engenhocas estão muito bem representados.

PARTE TÉCNICA

Aqui a Microids erra um pouco, além do que poderia. Tive alguns bugs e achei mínimos no contexto geral, mas dois deles atrapalharam um pouco a imersão. Logo na rua principal, ao interagir com um jornal em um banco, o jogo congelou na câmera de visualização, fazendo eu reiniciar o jogo até um trecho anterior. Em outro cenário, próximo ao final, um indicador de ação de mudança de cenário tem que ser apertado à exaustão até funcionar, sem mais nem menos. Tive de olhar a solução em uma gameplay e achei completamente desnecessário o problema.

Além disso, pequenos soluços no som e a disparidade do volume da música e vozes dos personagens me fizeram recorrer ao menu de otimização sonora mais de uma vez. Outro fator que chateia é a falta de textos em PT–BR. Como consigo falar e entender um pouco de inglês, não me impacta, mas é completamente inexplicável a insistência do estúdio em não traduzir os jogos para o nosso idioma. Com Cobra: The Awakening foi a mesma coisa. O modo performance e qualidade funcionam bem e não tive problemas com quedas bruscas de FPS ou nada parecido. Ao menos aqui os modos de otimização ficaram funcionais.

CONCLUSÃO

Syberia Remastered é um remaster que se esforça ao máximo para ser básico e entrega que a MICROIDS quis investir menos para lucrar um pouco mais. Apesar da genialidade da história, da ambientação, ritmo da campanha excelente e jogabilidade simples, mas agradável, o estúdio precisa urgentemente melhorar seu controle de qualidade para aspectos essenciais, caso queira fazer revitalizações futuras. Ainda assim, caso seja fã ou simplesmente queira embarcar no gênero point and click, Syberia Remastered é um prato cheio e ótimo ponto de partida para você.

HISTÓRIA

GRÁFICOS

SOM E MÚSICA

JOGABILIDADE

PARTE TÉCNICA

90
78
70
70
65

PATÔMETRO

75
Licença enviada por:
Microids
Agradecemos pela oportunidade.

Review de Jogos | Criador de Conteúdo
Fã de PlayStation, mas não da Sony | Fã de Castlevania | Gamer | Apresentador do programa "Castelo do Caos" no Youtube.

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