Bruno Castelo Destaque Jogos Review/Análise

Review de Crisol: Theater Of Idols | PS5

Crisol: Theater Of Idols é um excelente jogo de tiro em primeira pessoa. Com uma história intrigante, direção de arte incrível e um combate que demora a engrenar, mas que funciona e diverte, o estúdio Vermila conseguiu, com seu título, criar algo familiar, mas também com muita identidade própria.

A Blumhouse começou a se aventurar também no mundo dos videogames e, quem diria, sua parceria com o estúdio Vermila renderia um fruto desse. Crisol é maravilhoso: um jogo familiar que pega muita coisa boa de jogos do mercado, mas que consegue se impor com muita personalidade. Espero, de coração, que se torne uma franquia como outros que vieram antes dele.

Unindo Bioshock e Resident Evil Village nas mecânicas de mapa e semelhanças no combate e estética, mas trazendo o sangue como fonte central de sobrevivência, Crisol: Theater Of Idols é parada obrigatória para fãs do gênero.

 

HISTÓRIA/PREMISSA

Você é Gabriel Escudero, um membro da ordem do Deus do Sol recém-chegado à ilha de Tormentosa. O local é um centro de veneração do Deus Mar e, com pouquíssimas informações sobre o que os elementos da história são e sua mitologia, você deve avançar pela ilha e investigar os acontecimentos recentes.

Eu confesso que gostei muito da história. A mitologia do jogo contribui demais, e ver seu desenrolar sendo contado por suas ações, acompanhadas de belíssimas ilustrações narrando momentos-chave, contribui demais para a imersão. Claro, Gabriel pode ser mal-humorado demais e algumas interações parecem simplesmente rudes, mas, ainda assim, o mundo de Tormentosa é fantástico e nosso anti-herói tem muito o que compreender sobre o Deus que venera. Crisol é sobre fanatismo? Com certeza.

GRÁFICOS

Confesso que fui surpreendido positivamente. O estúdio Vermila caprichou demais, e esse cuidado na construção e ambientação de seus gráficos agrada desde o primeiro minuto. Houve um trabalho sério aqui com ambientes detalhados ao extremo, sejam prédios, lojas, casas, inimigos grotescos e até personagens principais e secundários. Tudo é muito bem trabalhado e coeso com a experiência.

 

Crisol não apresenta texturas feias e toda a ilha de Tormentosa é belíssima. Claro, há alguma repetição em certos locais e inimigos, e a falta de um “modo qualidade” e “desempenho” — separando assim configurações de visuais que atenderiam a todos os jogadores — faz falta. Espero que, no futuro, considerem essa otimização nos consoles.

JOGABILIDADE

É impossível não recordar de obras como Bioshock e Resident Evil Village enquanto se joga Crisol. Inimigos que remetem a estátuas de obras de arte e outras construções dantescas, menus rápidos para armas, ambientação steampunk unindo um passado e futuro alternativos (altamente enraizados no folclore espanhol), sistema de upgrades baseado em coleta de moedas e exploração afiada para encontrar itens-chave para melhorar sua vida, armas e habilidades na lojinha do jogo são como déjà vus maravilhosos que nunca cansam.

Os puzzles são maravilhosos e não subestimam o jogador, nem frustram. O tiroteio demora a engrenar porque as ferramentas são dadas conforme a complexidade vai aumentando, mas tudo funciona como deveria aqui. O sistema de sangue é o ponto criativo: o Deus Sol dá e ele também pede que Gabriel se sacrifique no processo. Cada recarga deve ser feita com um sacrifício de sangue, exigindo perícia em níveis mais altos.

A mecânica não é mais punitiva do que deve ser. Os encontros com inimigos são sempre tensos por conta disso, mas não a ponto de fazer o jogador arrancar os cabelos. A faca pode ser usada como mecânica de defesa com um parry funcional e a distribuição de itens é equilibrada. Sem muita cerimônia, o aspecto survival do jogo não é pela escassez em si, mas pela força e habilidade do próprio jogador.

No mais, mecânicas de corrida e até giro rápido se fazem presentes. A jogabilidade clássica de FPSs modernos faz muito bem à obra, com menus rápidos para cura e até um menu radial mais detalhado para atribuir atalhos. Senti falta de uma variedade maior de inimigos, mas é compreensível mediante o escopo do projeto.

 

SOM E MÚSICA

A Vermila, junto da Blumhouse Games, criou um exemplar digno de nota neste quesito. A trilha sonora agrada e se torna parte da exploração; coletar vinis libera o acesso à escuta de trilhas que tocam durante o jogo. Os efeitos sonoros são o ponto alto: ruídos, barulhos de madeira e até gritos de uma perseguidora implacável são muito bem-feitos.

A ambientação se beneficia demais, criando uma atmosfera tensa. As dublagens em inglês e espanhol não fazem feio também. Minha única crítica, talvez, é no uso repetitivo de algumas vozes para elencos secundários na dublagem, e o efeito de tiros poderia ser melhor. Em alguns trechos, é difícil escutar projéteis inimigos também; mas nada que manche o trabalho excepcional feito.

PARTE TÉCNICA

O jogo roda muito bem a maior parte do tempo, mas reitero: faltaram os modos “desempenho” e “qualidade” nos consoles. Ainda assim, a otimização ficou boa e não atrapalha em nada a jogatina.

Joguei uma versão anterior à 1.03 de lançamento, então alguns erros podem não ocorrer em sua jogatina: em um determinado puzzle, a porta não abriu, impossibilitando continuar. Recomecei o meu save e consegui passar. Alguns tiros atravessaram inimigos sem contar dano e, ao abrir a porta de um cômodo no Bar Esmeralda, os gráficos não carregaram. Ainda assim, Crisol: Theater Of Idols manteve sua consistência na minha jogatina de quase 25 horas

CONCLUSÃO

A Blumhouse Games e o estúdio Vermila criaram um jogo de personalidade. Ainda que tenha seus pequenos tropeços, Crisol é feito com carinho e muita devoção a obras anteriores, sem perder seus traços únicos. É uma experiência sólida no gênero e eu recomendo a obra. E é barato ainda!

HISTÓRIA

GRÁFICOS

SOM E MÚSICA

JOGABILIDADE

PARTE TÉCNICA

80
87
85
82
78

PATÔMETRO

82
Licença enviada por:
Blumhouse Games
Agradecemos pela oportunidade.

Review de Jogos | Criador de Conteúdo
Fã de PlayStation, mas não da Sony | Fã de Castlevania | Gamer | Apresentador do programa "Castelo do Caos" no Youtube.

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