Sworn é ótimo Roguelite. Bons gráficos, combate viciante, mecânicas simples, mas funcionais, e MUITO conteúdo para liberar jogando são atrativos. Porém, a maneira como a história é contada não funciona, e o chefe final extra não traz nenhuma conclusão satisfatória para a trama.
Sworn veio para matar a fome que eu estava de um bom jogo do gênero. Infelizmente, Hades 2 vai demorar para chegar aos consoles de mesa e pensei em começar uma nova temporada de jogos onde devo recomeçar caso eu morra. O resultado é excelente. As variedades de arquétipos nunca deixam uma tentativa entediante, o combate é viciante e há muito o que se destravar na campanha, que pode variar de 10 a 40 horas, dependendo do que você quiser fazer ou completar. Porém, um esforço em contar, de fato, a história ajudaria aqui.
HISTÓRIA/PREMISSA
Baseada em uma interpretação do Rei Arthur, seu reino e o Graal, o jogo tem uma premissa muito boa. O Rei Arthur, enlouquecido pelo poder do Graal, derrota os deuses Feéricos e toma o poder do reino de Camelot para si. Antes, a convivência era em igualdade e, agora, a opressão e a vontade do rei são absolutas. Você é uma “alma cinzenta”, assim chamada por Merlim. Sua missão? Derrotar o Rei e trazer a paz para o reino. Certo? Na teoria, sim. Na prática, não. Me incomoda muito quando um jogo tem uma temática tão boa, mas tem preguiça de contar essa história ou criar um final digno para ela. Os deuses comentam e NPCs falam rapidamente sobre, mas tudo muito ralo e desinteressante. Uma pena.
GRÁFICOS
Os gráficos desenhados à mão lembram muito o trabalho da Passtech com Curse Of The Dead Gods, e isso é um TREMENDO elogio. Biomas e efeitos de golpes comuns e especiais são lindíssimos. A arte dos DEUSES e PERSONAGENS são muito bacanas também. Os arquétipos também têm bons exemplares no jogo; achei caprichado o desenho de inimigos. Casam com a experiência tranquilamente. Outro fator positivo são as arenas. Caóticas? Com toda a certeza, mas as armadilhas, sinalizações de perigo e afins são sempre bem representadas aqui, o que merece elogios.
JOGABILIDADE
Deliciosa, satisfatória e PRECISA. Um roguelite decente que se preze tem que ser perfeito ou quase perfeito neste segmento, e aqui isso acontece. Os arquétipos são baseados em um guerreiro leve com táticas variadas (de arcos a espadas) e até uma monja que pode usar uma clava pesada ou um sino mágico. E funciona. E funciona a ponto de você querer experimentar quaisquer variedades apresentadas, e isso diz muito do trabalho da WindWalk Games. Os golpes leve e pesado se fazem presentes, mas há também movimentos especiais que utilizam mana, esquivas e o famoso especial.
Todas as bençãos e a variedade desses deuses são funcionais. Do dano crítico ao envenenamento, os efeitos são didaticamente explicados e, conforme você avança no jogo, vai criando seu personagem e sua jogatina de acordo com o que você vê vantagem. Ainda assim, me diverti muito criando combinações novas, ou fiquei frustrado (como é parte da experiência) ao mesclar construções de personagens que, ao meu ver, poderiam funcionar com outras combinações. As moedas do jogo são variadas (Cristais, Seda, água do Graal), e você precisa investir um bom tempo para melhorar sua janela de habilidades e a raridade das bençãos. Minha única ressalva é que, por ser uma experiência pensada para jogar com amigos, eles erram a mão um pouco na dificuldade da campanha solo nas dificuldades mais punitivas. AH, MAS O JOGO É FEITO PRA SER DIFÍCIL, E… Sim, é, mas quando se compara Sworn com experiências solo como Curse Of The Dead Gods e HADES, acho triste que, nas dificuldades mais altas, a coisa desande a ponto de ser QUASE IMPOSSÍVEL derrotar os inimigos nelas sem COOP. E eu ainda estou penando contra a Chefe Extra final na dificuldade “cavaleiro”…
SOM E MÚSICA
Roguelite, se fosse um gênero musical, seria Rock, e aqui as escolhas das trilhas ressaltam isso. Lógico que tem as mais tranquilas, como as da floresta; contudo, chegando próximo ao final, a epicidade delas aumenta. Efeitos sonoros funcionais e ÓTIMA dublagem em inglês dos personagens ajudam demais. Ao menos aqui houve um esforço notável.
PARTE TÉCNICA
Sworn rodou de maneira tranquila no PlayStation 5. Não notei engasgos em arenas caóticas lotadas de inimigos e projéteis, e o jogo não teve bugs em toda minha jornada, a não ser UM. E ele me chateou um pouco. Após ser derrotado pelo chefe final secreto, a tela de reinício, onde você retorna para a torre, simplesmente congelou. Perdi todo meu progresso de itens daquela RUN. Não me frustrou tanto, porque não é novidade ser derrotado em roguelites, mas testadores do acesso antecipado NO PC já mencionaram esses congelamentos ocasionais para o estúdio, e acho que poderiam ter já matado esta questão.







CONCLUSÃO
Sworn é aquele tipo de jogo que diverte sem precisar de muito enfeite. A jogabilidade é excelente, e o conteúdo apresentado vai te engajar horas e horas, sem sombra de dúvidas. A maneira como a história é contada e seu final sem ter uma conclusão pode ser uma pedra no caminho, junto à dificuldade elevada em solitude, o que pode afastar jogadores que preferem uma experiência solitária. MAS, ainda assim, o jogo tem um charme próprio e merece, sim, estar na sua biblioteca, com toda a certeza. Mais um excelente jogo do gênero Roguelite!
HISTÓRIA
GRÁFICOS
SOM E MÚSICA
JOGABILIDADE
PARTE TÉCNICA
PATÔMETRO
