Licença recebida via Atlus (Deixamos aqui o nosso muito obrigado!)
Xbox Series
Por: Vilger (TocaDuCorvo)

Atlus não se contentou em entregar um titulo novo e um remake absurdo em 2024, de forma certeira nesses últimos anos ela está dosando perfeitamente o clássico com o atual, e chegamos em 2025 com ela mostrando como que uma remasterização deve ser feita.
RAIDOU Remastered: The Mystery of the Soulless Army é a remasterização do game de PlayStation 2, Shin Megami Tensei: Devil Summoner – Raidou Kuzunoha vs. The Soulless Army. Sim meus queridos, um nome gigante e já vemos aqui que o a nova versão já começa acertando diminuindo, por mais que nem tanto, os caracteres do titulo. A proposta é trazer o titulo a essa geração com varias melhorias na qualidade de vida, gráficos mais refinados e vozes ao game.
O que é uma boa remasterização para você?
Comigo uma boa remasterização tem muito haver com acertar o momento certo hype com lançamentos atuais do mesmo titulo/franquia, e também, ter a linha logica de que “estou velho e preciso de melhorias” isso acaba sendo muito comum em jogos do passado, presos de forma geracional seja por gráficos e mecânicas mais datadas.
Isso pra mim é um bom remaster, melhorando sua qualidade de vida e mantendo a sua memória viva na comunidade.
RAIDOU acerta nesses pontos, ele tem o “timing” na crescente da Atlus com remakes e IPs novas e ao mesmo tempo pega um titulo antigo e o melhora, abrindo portas para uma galera nova adentrar de cabeça nesse universo. A minha recomendação desse game é feitas com ressalvas que vou abordar em breve, porém, se você gostou dos Personas recentes, gostou de Metaphor e até está considerando ir mais a fundo em Shin Megami Tensei, bom esse game já vale a sua atenção.
O preço sim é salgado para uma remasterização, mas ao mesmo tempo quantas empresas fazem uma remasterização descente que nem esse titulo? E isso não é uma passada de pano ao preço mas sim um questionamento, se todas as remasterizações do mercado fossem competentes como essa o cenário seria mais competitivo inclusive trazendo valores mais acessíveis.
Um clássico remasterizado de forma bem competente a nova geração.
Qual a história desse game?
Raidou Kuzunoha XV é um jovem estudante que lida com sua vida dupla sendo em Devil Summoner, um invocador de “capetas” que faz parte de uma linhagem milenar de protetores do Japão.
A historia principal começa como um caso isolado que vira uma grande historia de sequestro e conspirações, que ligado a data que estamos traz perfeitamente a atmosfera noir ao game. Ponto legal é que ao se unir a uma agência de detetives bem no começo do game e começar as suas investigações, RAIDOU me lembrou um clássico dos animes onde o protagonista é um detetive espiritual.
Vemos nesse game os traços e características que se tornaram feijão com arroz nos projetos seguintes da empresa, revisitando ou conhecendo agora é bem divertido passar por essa época dos games da Atlus.
Um breve contexto histórico
RAIDOU se passa no Japão alternativo de 1930 e nisso já pensamos que game terá camadas narrativas fortes conectadas ao nacionalismo, imperialismo e extremismo. Mas não conte com isso, quem pensou nessa linha “história e games” o game prioriza o período Taisho como se ele nunca tivesse acabado, esse período é representado nos canários e desing de personagens, um Japão antigo mas em modernização, “politicagens” e expansão econômica internacional.
Gráficos e direção de arte
Graficamente o salto do game base pro remaster é quase um “poxa parece um remake mas não é”, é bonito é fluido, a dublagem potencializa, nos conectando melhor com a história. Essa era de modernização, a trilha sonora evocando um Jazz, traz um Japão que combina muito com a estética noir que o game propõe.
Gameplay
Se eu resumisse esse game a alguém que está entrando agora nesse universo com poucos títulos jogáveis ou até mesmo um gamer que não tocou em nenhum título da Atlus, eu diria que RAIDOU é um Persona sem turnos onde é possível pausar e dar comandos a suas invocações. Trazendo assim uma gameplay mais dinâmica, que trás pitadas legais de hack and slash com mecânicas táticas de um RPG.
Claro que isso está aos moldes do Playstation 2, então não terá a fluidez e dinâmicas atuais de gameplay por mais que o game se esforce muito para se reformular atualizando detalhes importantes, as famosas melhorias de vida dão um up legal na gameplay deixando ela menos datada ao publico atual.
O combate consiste em luta em tempo real contra inimigos e invocações, podemos dar com golpes leves (rápidos que recuperam mana) temos os golpes pesados (maior dano) e no decorrer do combate utilizamos a pausa para escolher habilidades e golpes dos demônios, inclusive aqui podemos chamar dois ao mesmo tempo uma melhoria super acertada a gameplay original. Eles se deram ao trabalho de melhorar e acrescentar esse detalhe de forma humorada logo no inicio do game, provando que teve um carinho legal da equipe nesse projeto.
Existe uma mecânica divertida mas pouco explorada que é a arma de fogo, lembrando até Stands de JoJo’s mas infelizmente, ficamos no potencial desperdiçado.
Ao enfrentar os demônios em encontros, temos a possibilidade de capturar eles e utilizar no combate. Lembrando que toda aquela parte de danos elementais e fraquezas comuns em Persona e Shin Megami Tensei estão aqui em gameplay.
Fazendo um breve comparativo ao original: sem encontros aleatórios com inimigos invisíveis, marcadores no mapa, mais demônios, maior presença de saves podendo salvar até no menu do jogo.






Exploração
A exploração desse game está conectada a sua liberdade de explorar pelo mapa mais a mecânica de “vai e vem” do modo história, essa estrutura engessada vem da época PS2 algo que não é possível de melhorar em uma remasterização. Porém vozes em inglês e japonês para quase todos os diálogos é adicionada, dando um respiro aos vai e vem repetitivos para concluir a história.
Considerações
Aqui existe um retrocesso nos títulos recentes da Atlus, a falta de legendas em português, infelizmente um fator a se considerar, por mais que seja um ótimo remaster a falta de uma localização em nosso idioma impacta negativamente o consumidor brasileiro.
Um lado que me pegou nesse game é que ele passa uma impressão de ser mais ágil e dinâmico pela gameplay e início com uma história bem direta, as rotas engessadas de ir ao ponto A a B em siclos colabora com isso, mas com o tempo você percebe que não é tão dinâmico assim e existem barrigas em narrativa, mecânicas de combate e principalmente em sua exploração que deixam o game mais longo do que precisa e repetitivo, comum pela sua época de lançamento, porém não quer dizer que eu deva ignorar nessa análise.
Essa estrutura “menos é mais” que o game tenta passar acaba sendo um tiro no pé, pois o acesso de outros títulos ajudam a mascarar esses tipos de problema.
CONCLUSÃO
RAIDOU Remastered: The Mystery of the Soulless Army é um ótimo remasterizado que agrega em muito ao original, trazendo um clássico de forma bem competente a nova geração. Mas infelizmente peca com o público brasileiro ao não colocar o game localizado em nosso idioma.




