Knight Witch é um excelente jogo do nicho bullet hell, com ótima exploração metroidvania e construção de combate pautada em randomização de cartas. História simples, mas com temas mais adultos, boas músicas e gráficos animados: o jogo não pode e nem deve passar em branco por ninguém.
O estúdio Super Awesome Hyper Dimensional Mega Team me chamou a atenção com a premissa do seu jogo, Knight Witch: um jogo de tiros frenético do gênero bullet hell com aspectos de metroidvania? Por que não? Depois que vi a postagem do estúdio comentando que o jogo não foi tão bem quanto o esperado, comprei na hora e resolvi que ajudaria a divulgá-lo. Esse momento chegou.
HISTÓRIA/PREMISSA
Knight Witch conta a história de Rayne e do grupo de Knight Witches. Rayne acaba sendo exilada do fronte por pouca experiência. Faruru, Sykra, Irine e a líder Robyn, conhecida como o Anjo da Destruição, são as principais membros do coletivo Filhos de Gaia. Em meio à guerra contra a casa Daigadai e seus leais servos, os Infernais—que exauriram os recursos ambientais na construção de seus golens e autômatos visando criar uma dinastia—um cataclisma ocorre, tornando a terra superior inabitável. Assim, os sobreviventes de todas as raças resolvem deixar as rivalidades de lado para um bem comum: sobreviver no subsolo.
A história é um dos pontos altos do jogo. Apesar de motivações simples, a ascensão de Rayne como protetora e as outras subtramas—como os links mágicos, a verdade dos atos das Witches e um mundo que convive com essa força invisível, mas poderosa—são muito bem feitas. Apesar de gráficos que remetem à animação e momentos mais “bobinhos”, a verdade é que Knight Witch tem uma história séria e cativará adultos também. Rayne é a exemplificação de alguém que faz o seu melhor todos os dias e é muito provável que você se identifique com ela: doce, mas de personalidade forte; assertiva, mas paciente; cheia de confiança e força de vontade, mas com dúvidas, como todos nós. Excelente trabalho do time de desenvolvimento.
GRÁFICOS
Knight Witch tem gráficos que remetem a animações. Tudo é muito bem feito, colorido e com modelos bem variados, seja de personagens ou inimigos. Cenários de fundo são bem construídos também. Por ser um bullet hell, a parte visual pode influenciar diretamente na percepção do jogador e, em nenhum momento, isso foi problema. Os projéteis são bem desenhados e, pela coloração dos mesmos, dá para saber se eles podem ou não atravessar uma parede, por exemplo. A única crítica nesse quesito é quanto às animações de alguns personagens, principalmente quando eles se movimentam, mas isso em nada atrapalha o jogo e sua qualidade geral.
JOGABILIDADE
A movimentação de Rayne é um pouco lenta, mas funcional. O lado ruim é que o jogo tem pouquíssimos pontos de viagem rápida e (todos vamos concordar) que a esquiva deveria ser uma habilidade inicial. Isso é notado nos trechos iniciais, devido à sua flexibilidade e ao quanto é urgente desviar de tudo que jogam em você. A mira automática e a mira com o analógico direito são simples e fáceis de usar também. O sistema de baralho de cartas para construir suas habilidades e quais projéteis usar por um período adiciona estratégia e é uma mudança bem-vinda dos inventários fixos de jogos de ação convencionais. São quatro tipos: Destruição, Conjuração, Armas e Trapaça. Todos esses movimentos usam pontos de mana que variam de 1 a 6 pontos. Confesso que os feitiços de arma, aliados a boas cartas de destruição, são meus favoritos, mas misturar os tipos de benefícios é viciante, e Rayne realmente acaba virando uma bruxa de respeito. Há um sistema de níveis baseado no link que você tem com os cidadãos, conforme você os liberta ou cumpre certas tarefas. Cada nível destrava uma melhoria para Rayne. São dez níveis para “Cavaleira” e dez para “Bruxa”, e eles são cruciais para uma boa campanha. E aqui cabe a crítica à jogabilidade: o jogo demora um ato inteiro para começar a ficar mais complexo. Quando você vai melhorando suas habilidades e coletando mais cartas, a ação fica muito melhor e viciante.
SOM E MÚSICA
A trilha sonora do jogo varia de temas mais tranquilos e heroicos até momentos de tensão e perigo. Há um cuidado em criar uma variedade nas músicas ambiente de fases também. Os efeitos sonoros de tiros e explosões são bem feitos e condizem com a situação. Senti falta de uma dublagem nos personagens, mas, pelo escopo do jogo, é entendível que isso não ocorresse naquele momento. Achei incrível o jogo ter uma canção própria. Cantada por Greta G, “The Knight Witch Tales” aparece de maneira instrumental no jogo e é parte dos créditos finais. É um trabalho que não é muito comentado, mas que fez diferença para mim e me fez torcer por Rayne desde o começo.
PARTE TÉCNICA
Não tive nenhum problema sério, bugs ou crashes que atrapalhassem minha experiência. O jogo roda perfeitamente, com estáveis 60 FPS no PS5. A única coisa que incomoda são os loadings. O de inicialização demora um pouco demais, e o que aparece entre biomas pode ser um pouco chato, mas isso é a geração de jogos que vivemos. SSDs nos acostumaram um pouco mal. Nada disso atrapalha, no entanto.







CONCLUSÃO
Knight Witch é um jogo divertido e excelente no que se propõe. Sua dificuldade mais elevada pode ser um entrave para jogadores casuais, e a falta de mais pontos de viagem rápida, um pequeno contratempo, mas todo o resto compensa. É um jogo feito com amor e muita dedicação e pode, sim, figurar em uma lista de 10 jogos do gênero Bullet Hell.
HISTÓRIA
GRÁFICOS
SOM E MÚSICA
JOGABILIDADE
PARTE TÉCNICA
PATÔMETRO
