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Review de Europa Universalis V | PC

O melhor jogo já feito pela Paradox, mas que ainda falha em ser atrativo para um novo e mais jovem público.

 

A REVIEW

Europa Universalis V é o grande filho prodígio de uma franquia que vem se aperfeiçoando a anos e cultivando um público fiel, mas que tropeça em agradar quem não aprecia jogos complexos de estratégia. Esta talvez seja a melhor forma de descrever o mais novo jogo da franquia Europa Universalis, o carro chefe da desenvolvedora sueca Paradox Interactive.

Lançado em 4 de novembro de 2025 e desenvolvido pelo estúdio dedicado Paradox Tinto, EU5 é simplesmente um jogo impressionante em tudo que se propõe a fazer: ser o jogo definitivo do gênero conhecido como “Grand Strategy” no mercado de games. “Grand Strategy” ou “Estratégia Massiva”, em tradução livre, é um gênero de jogos voltado à administração de nações em um determinado momento histórico da humanidade. No caso de Europa Universalis V, o jogador assume o controle de qualquer nação do mundo entre o período de 1337 e 1837, em um ambiente “sandbox”, onde é possível administrar, conquistar e fazer as mais diversas rinhas políticas, à vontade do jogador.

Em Europa Universalis, não há regras de como jogar o jogo: é possível assumir o controle da nação de Aragão e lutar pela Reconquista espanhola, tomar o controle dos Bizantinos e restaurar o Império Romano do Oriente, lutar na Guerra dos 100 anos ao lado de Inglaterra e França, assumir o controle de um califado e espalhar a “jihad” ao mundo e até mesmo assumir o controle de uma pequena aldeia na América do Sul, cujo objetivo será se fortalecer até a chegada (invasão, né?) dos europeus às Américas, no século 16.

Parece simples? Definitivamente não é! Como já é costumeiro da saga Europa Universalis, assim como outras franquias da Paradox, o jogador será o responsável por administrar cada detalhe de sua nação, incluindo questões econômicas, políticas, militares e coloniais. Há uma boa dose de microgerenciamento dos assuntos de sua nação, mas como se trata de um “sandbox” até não fazer nada, pode ser considerado uma ação com consequências. Talvez até mais contundente que um RPG narrativo, Europa Universalis nunca apresentou um sistema de missões ou uma história específica, cabendo ao jogador construir sua própria história e narrativa.

Além de toda a complexidade de mecânicas e detalhes, Europa Universalis 5 evolui consideravelmente com o seu novo sistema de populações, onde cada pessoa do mundo é representada individualmente por um sistema que mede as demandas, necessidades e produtividade de cada uma delas. Esse sistema é impressionante, pois é capaz de medir e quantificar uma quantidade absurda de informações, que podem ser usadas pelos jogadores para tomar suas decisões sobre sua nação ou sobre com quem fazer comércio no mundo.

Falando em comércio, o sistema de economia impressiona muito aqui também! Em vários momentos, é fácil se esquecer que estamos jogando um jogo e não um simulador histórico completo da humanidade. Ainda que nem todas as decisões da inteligência artificial das outras nações façam completo sentido em 100% do tempo, é difícil perceber grandes distorções no sistema econômico global, que flui muito bem do começo ao fim do jogo, sem apresentar quaisquer bugs, algo bem raro em um jogo com esse complexo escopo e tamanho. O sistema econômico de EU5 interfere e se mescla diretamente no sistema de necessidades das populações, gerando um cálculo impressionante de oferta e demanda, que possui uma precisão histórica inacreditável. A organização militar dos países também impressiona muito: exércitos muito grandes sofrem atrição em regiões montanhosas, ao passo que exércitos bem treinados e menores podem ser super eficientes. Nunca é simples e nunca é um cálculo da maior quantidade de homens contra a menor, exigindo inteligência do jogador.

Os sistemas políticos dos países também estão mais incríveis do que nunca: monarquias, repúblicas, ditaduras e até bancos (sim, é possível jogar como a burguesia dona dos bancos italianos e alemães da Renascença) possuem cada um seu próprio sistema de organização política, que vai exigir astúcia do jogador para eliminar seus inimigos políticos e fazer casamentos reais benéficos à sua nação. 

Todos os sistemas novos e tradicionais da franquia Europa Universalis foram aperfeiçoados ao máximo aqui e com certeza vão agradar aos fãs dos jogos da Paradox, que podem micro gerenciar sua nação da forma exata que sempre quiseram. Claro que tudo isso vem ao custo de um jogo extremamente exigente de CPU e memória RAM. Os requisitos recomendados para o jogo são um i7 das novas gerações e 32GB de RAM. E acredite: se vc não tiver esses requisitos, seu PC vai chorar nos anos finais de campanha do jogo, aonde as populações do mundo se multiplicam, geram ainda mais necessidades e dinâmicas na economia, além do surgimento de novas nações, povos e guerras coloniais acontecendo ao redor no mundo inteiro. Eu joguei Europa Universalis através de uma máquina virtual em nuvem bem poderosa e deixo aqui minha recomendação, se a sua máquina não for tão potente.

CALMA, TEM MAIS

No departamento gráfico, EU5 não inova demais com relação ao seu antecessor, deixando os gráficos do mundo em qualidade similar a Europa 4. Já os menus e mapas melhoraram demais e ficaram bem mais claros e acessíveis. De uma forma geral, EU5 não exige demais da GPU, e quem não possui uma placa de última geração não vai sofrer. Em compensação, a CPU e a RAM, como eu disse, vão pedir muita energia nas seções finais do jogo, podendo gerar alguns travamentos e crashs. Como eu disse, ainda que você use um “PC da Nasa” vai reparar que o jogo ainda precisa ser otimizado para lidar com a quantidade imensas de informações apresentadas ao jogador. Contudo, é impressionante o que a Paradox conseguiu fazer aqui e em nenhum momento tive qualquer problema sério em continuar com a minha jogatina e mesmo durante os crashs, a incrível mecânica de autosave constante, me permitiu voltar poucos minutos atrás de onde tinha parado, o que mal incomodou.

Com relação à acessibilidade, tutoriais e manuais, a Paradox deixou um pouco a desejar. Há muitos anos atrás, estávamos acostumados com jogos mais “crus” da empresa, onde pouco era explicado e o jogador tinha que se orientar por experiência pessoal ou fóruns da internet para aprender de fato o jogo. Isso mudou para melhor, sem dúvida! Além da excelente localização em português, EU5 conta com o melhor tutorial da série para novos jogadores e um sistema de missões dinâmico, que pode ajudar o jogador a se orientar no meio de tantos objetivos paralelos ou próprios, natural de um “sandbox”. Só que ainda não é o suficiente e isso é muito infeliz para novos jogadores. Quem já joga os jogos da Paradox e dominou o Europa Universalis anterior, vai abrir o jogo e começar a jogar e dominar o mundo sem problemas, entendendo as novas mecânicas sem dificuldades. Mas para os novatos a história é outra…

Ainda que os tutoriais façam um bom trabalho de explicar os conceitos básicos do jogo como economia, tecnologia, comércio, diplomacia e política, faltam explicações sobre como esses conceitos se misturam e interagem entre si, podendo deixar os novatos completamente perdidos sobre o porquê uma guerra civil começou no seu país. Dessa forma, EU5 é uma experiencia frustrante para os novatos e em 2025 isso é decepcionante, ainda que a Paradox tenha fidelidade um público muito fiel com a sua franquia. A sensação que passa é que a empresa está confortável com o seu atual público alvo e faz pouco esforço para trazer um novo público. 

Mas se vale dizer, por experiência pessoal: vale a pena. Todas as incontáveis horas tentando aprender e decifrar o Leviatã de estratégia que é EU5 valem a pena e entregam o melhor resultado de uma fórmula que vem sendo aperfeiçoada a anos, por uma empresa apaixonada pelo que faz.

Outra adição bem-vinda para os novatos (e até para os veteranos) são as automações de sistemas dentro do jogo. Na barra direita lateral do menu do jogo, há uma seção dedicada a automatizar diferentes elementos do jogo, como economia, construções, diplomacia, política, alistamento militar. Isso pode ajudar aos novatos a pegar aos poucos as mecânicas do jogo e é possível até automatizar completamente todos as mecânicas, deixando o jogo funcionar quase que por conta própria. De fato, é um recurso muito legal e interessante, mas que ainda não vai capturar a atenção dos novatos ou explicar algo sobre as mecânicas do jogo.

CONCLUSÃO

Por fim, Europa Universalis 5 é uma mistura de sentimentos, dependendo da sua familiaridade com a franquia e com os jogos da Paradox. Se você é fã dos jogos e da franquia, você vai se sentir em casa e de fato Europa Universalis 5 é a experiência definitiva. O que a Paradox alcançou aqui é a epítome, o ápice de sua obra criativa e ainda que o jogo possua alguns problemas técnicos e não seja acessível para computadores mais fracos, sem dúvida é o melhor que a empresa já produziu, quando o assunto é “Grand Strategy”. Porém, se você é novato, não jogou muito a franquia e não sabe muito bem do que se trata, comece pelos jogos mais antigos da Paradox: Europa Universalis V com certeza vai te assustar com toda sua grandeza e imponência. Quem disse que administrar um império global é coisa fácil?

PATÔMETRO

90
Licença enviada por:
Paradox Interactive
Agradecemos pela oportunidade.

Redator / Repórter / Entrevistador / Análise de jogos
Roteirista, amante de história e jogos. Dono do canal História & Games.

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