Agradecimentos à Blizzard Brasil pela licença
Versão de Xbox Series S
Por: Fauno (História & Games)

A nova temporada de Diablo 4, Pecados dos Horadrim, chegou para os jogadores no dia 1º de Julho de 2025, prometendo uma nova experiência online para o “endgame” do RPG de ação online da Blizzard.
Pecados dos Horadrim é a 9ª temporada do jogo e traz algumas inovações para o jogo de 2023, que vem tendo alguns problemas para manter sua base de jogadores, em vista das diversas outras opções de RPG de ação isométricas como Path of Exile 2.
Uma temporada com novidades medíocres para os fãs de longa data e novamente a comunidade não é ouvida.
DIRETO AO QUE INTERESSA
Infelizmente, a nova linha de quests, apesar de não ser o atrativo principal das temporadas de Diablo é confusa e muito mais rasa do que as historinhas contadas nas quests das outras temporadas. Para completar a história, os jogadores terão que avançar bastante nas atividades de temporada, o que é um grande problema para os jogadores que estão voltando ao jogo por motivos de “lore”. O ritmo da quest de temporada progride bem até a metade, mas depois é amarrada na progressão geral do personagem e sofre uma pausa de muitas e muitas horas até a sua conclusão. Sendo assim, somente os mais corajosos e viciados na “lore” de Diablo 4 vão encarar o “grind” da temporada até o final, para ver a conclusão da história. E isso é um grande problema: travar a progressão de história atrás da jornada de temporada não é do feitio tradicional da Blizzard, que já abordou a questão de forma muito mais acessível, em outras temporadas anteriores do próprio Diablo 4. Impossível não ressaltar que essa decisão é um retrocesso em relação a tudo que a Blizzard já construiu em sua própria franquia diabólica.
Mas falando de gameplay, como está a nova temporada? Mantendo o estilo e progressão, já vistos nos últimos anos em Diablo 4, o jogador agora possui um novo poder, que pode ser atribuído a qualquer espaço de habilidade, em conjunto com outro espaço já existente. Dessa forma, ao ativar alguma habilidade do personagem, o jogador também irá ativar o “Poder dos Horadrim”, que atribuiu ao mesmo espaço de habilidade.
Os poderes são variados e podem ser utilizados para dar um pouco mais de poder a um personagem comum do jogador, sendo possível gerar ondas elementais ao atacar, criar um raio que irá dizimar os inimigos e “amaldiçoar” certos inimigos, o que permite juntar esses poderes a virtualmente qualquer build existente.
Outra novidade, são as “alcovas horádricas”, desafios com tempo incluídos dentro das masmorras, que permitem aos jogadores acumular boas recompensas, enquanto exploram as tradicionais masmorras do jogo. Nesse modo, um tempo é dado para o jogador e quanto mais pontos acumulados, maior a recompensa. É uma novidade, mas que também não é uma real novidade, tendo em vista que os jogadores de Diablo 4 já viram modos de jogos parecidos em outras temporadas anteriores.
Os selos das masmorras de pesadelo também estão atrelados a essas novidades da nova temporada, sendo possível encarar masmorras que oferecem “tesouros horádricos”, “experiência horádrica” e “itens horádricos”.
Além das novidades em gameplay, os jogadores de Diablo 4 ficarão felizes de saber que algumas classes receberam “buffs” como o Bárbaro, que vinha sendo “escanteado” pela Blizzard quando o assunto é poder das “builds”. Jogadores experientes de Diablo 4 sabem bem como algumas classes possuem arquétipos muito mais poderosos do que outros, havendo uma preferência clara da Blizzard em dar destaque para algumas classes como o Mago, o Necromante e a classe exclusiva da DLC paga Vessel of Hatred, o Natispírito.
Mas talvez o maior problema da nova temporada seja o “grind”, que mencionei anteriormente. Claro, Diablo 4 é um ARPG online e um jogo “live-service” no final do dia. O “grind” faz parte e é esperado, mas na nova temporada ele está mais lento do que nunca e ressalta ainda mais um dos grandes problemas originais de Diablo 4, o que pode ser muito frustrante.
Um dos problemas fundamentais de Diablo 4, o “grind infinito” pela “build” perfeita é uma reclamação que inunda os fóruns e comunidades do jogo desde que o jogo foi lançado em 2023. Diablo sempre foi sobre montar builds e o grind é intrínseco da franquia. Quanto a isso, nenhuma reclamação. Mas o que os jogadores tanto reclamam são as dezenas de horas gastas mexendo com equipamentos, têmperas e afixos, que estão atrelados em uma mecânica RNG, de aleatoriedade, gerando uma similaridade incômoda com mecânicas de “loot box”, algo que estava presente nos Diablos antigos, mas que aqui está mais ressaltado do que nunca.
Por conta disso, reclamações na comunidade são constantes sobre o estado atual do jogo e como o “grind” impede que mais jogadores apreciem o “endgame” de Diablo 4, junto com os jogadores experientes. Horas, horas e mais horas são requeridas dos jogadores para montar uma “build” legal e isso está pior do que nunca. Contudo, a Blizzard curiosamente continua a ignorar os pedidos da comunidade sobre o assunto e não só ignorou, mas piorou as horas necessárias de “grind” para alcançar aquela “build” que o jogador tanto deseja, aqui na Temporada 9.
Após 30 horas jogadas no Xbox Series S, a sensação de jogar a nova temporada de Diablo 4 é que a Blizzard aprendeu pouca coisa quando o assunto é fazer um jogo voltado à comunidade que sustenta a base de jogadores de Diablo 4. As novidades de gameplay são bem-vindas, mas não alteram o jogo em quase nada e não resolvem o problema de “grind” infinito, que a comunidade implora em fóruns e nas redes sociais todos os dias, para que seja melhorado e se torne mais divertido e menos trabalhoso.
Como um fã de longa data da franquia, não há como deixar de expor a opinião pessoal de que a Blizzard já foi muito melhor ao tratar a franquia Diablo. Mudanças bem-vindas, que já vimos em Diablo 3 e até mesmo em Diablo 4 parecem ter sido ignoradas em 2025, dando uma preferência a um jogo virtualmente infinito e que requer paciência do jogador para derrotar as mecânicas aleatórias de itens e RNG dos afixos e têmperas de itens lendários e únicos.
CONCLUSÃO



