A.I.L.A é uma carta de amor aos fãs do survival horror. Com uma história repleta de temas atuais, easter eggs de seriados e jogos que amamos, e ação e tensão na medida certa, a Pulsatrix mostra que o mercado nacional de videogames é repleto de talentos.

A.I.L.A me surpreendeu. Além das doses de nostalgia na jogabilidade e uma campanha divertida, a história e a narrativa prenderam a atenção, fugindo de clichês vistos até em jogos que o projeto se inspira. Apesar de alguns bugs menores na jornada, a performance é satisfatória no PS5 base.

 

HISTÓRIA/PREMISSA

Somos introduzidos a Samuel, um beta tester de videogames. Após uma introdução bem direta, onde o jogador é apresentado ao protagonista, ele recebe um pacote com um kit de desenvolvimento chamado A.I.L.A. Segundo a empresa criadora do kit, o console é uma nova experiência imersiva baseada em inteligência artificial. A premissa é simples: Ela faz uma leitura de perfil do usuário e cria experiências vivas de videogame para ele.

“Simples, não é mesmo? Só que não.” O jogo começa simples e com poucas referências ao jogador; porém, conforme a trama avança, somos apresentados a temas muito mais complexos. Questões morais humanas são debatidas em meio a diversas revelações. De longe, foi a parte do jogo que mais me prendeu, e evitarei falar mais para evitar spoilers a você, leitor. Mas é seguro dizer que o jogo faz um trabalho bem competente, e por vezes até melhor que muitos jogos no mercado em que a obra acaba se inspirando. E acredite, vocês notarão que são muitos.

GRÁFICOS E AMBIENTAÇÃO

Para um jogo de escopo mais simplificado, os gráficos são bons. Curiosamente, os ambientes internos são muito mais bonitos e cheios de detalhes do que os externos, e o design das armas do jogo é muito bonito. Devido à escala de variedade dos cenários e puzzles, o jogo tem um nível consistente nesse quesito. Uma melhora do jogo anterior, FOBIA, de 2022, pode ser vista nas faces e texturas de personagens secundários e principais. E eu não poderia deixar de falar da ambientação variada do jogo. Falarei apenas que é tudo muito caprichado aqui, para não entregar mais sobre as regiões que você acaba explorando. Contudo, algumas texturas poderiam receber mais atenção, principalmente em alguns inimigos comuns e chefes. Nada que atrapalhe ou estrague a experiência, mas que pode ser melhorado nos próximos projetos. Os controles de brilho e contraste do jogo me ganharam, já que dão mais controle a você de acordo com o tipo de TV ou monitor utilizado.

JOGABILIDADE

Simplificada e sem firulas. Um inventário simples para combinar ou usar itens, um botão rápido para girar o personagem, outro para se curar. A Mira/Defesa do personagem, além de outras ações contextuais como tiros ou golpes, fica localizada nos gatilhos superiores. A sensibilidade pode ser personalizada, o que agrada e muito, ainda mais na jogabilidade via joysticks. Adorei também os puzzles, que aqui são divertidos de se resolver e extremamente intuitivos à sua maneira.

A única coisa que pode incomodar aqui é que, em momentos de tensão, a animação de recarga demora demais , a ponto de você ser atingido por ataques inimigos de múltiplas direções apenas nesses momentos. Talvez o único pormenor que me incomodou durante a campanha, mas penso que talvez tenha sido proposital para dar mais estratégia às ações do jogador. Mas, honestamente, acho que caberia um ajuste futuro nessa questão, sem interferir na dificuldade.

SOM E MÚSICA

Os efeitos sonoros de A.I.L.A são ótimos. Grunhidos de inimigos, os rangidos das portas e barulhos de gritos ao fundo criam uma imersão digna. A dublagem, seja em inglês ou no nosso idioma, é de alta qualidade também e vai agradar o fã de jogos legendados e dublados. Os barulhos de armas, no geral, também ficaram excepcionais, principalmente em ambientes abertos. A trilha do jogo é minimalista, mas toca nos momentos certos, gerando a apreensão necessária, digna de jogos e franquias do gênero. O departamento sonoro do jogo, junto da história e narrativa, claramente são os pontos fortes da experiência.

PARTE TÉCNICA

Aqui o jogo sofre um pouco. Embora a experiência no modo “performance” seja boa a maior parte do tempo, o modo “qualidade” precisa urgentemente de um limitador de frames. Apesar da resolução maior nesse modo, a taxa de quedas de FPS fica muito alta, gerando instabilidade em diversos trechos, inclusive os mais tranquilos de exploração. Bugs menores, como animação de ataque travada e um personagem agindo como um boneco de posto, aconteceram, mas foram problemas que em nada atrapalharam minha imersão na obra.

CONCLUSÃO

A.I.L.A é mais uma surpresa que 2025 me preparou. O jogo entrega uma qualidade altíssima em história e narrativa, enquanto que a jogabilidade se apoia no melhor do gênero survival horror. A variedade de cenários e o escopo diverso da campanha também são pontos altos aqui, além de vir 100% localizado e dublado no nosso idioma. Problemas técnicos acontecem, mas são esquecíveis e não atrapalham a jornada como um todo. Se você está querendo um jogo robusto com uma campanha de 8 a 12 horas, sem contar o fator replay, e um preço altamente atrativo, acabou de encontrar.

HISTÓRIA

GRÁFICOS

SOM E MÚSICA

JOGABILIDADE

PARTE TÉCNICA

90
83
80
85
75

PATÔMETRO

83
Licença enviada por:
Fireshine Games
Agradecemos pela oportunidade.

Review de Jogos | Criador de Conteúdo
Fã de PlayStation, mas não da Sony | Fã de Castlevania | Gamer | Apresentador do programa "Castelo do Caos" no Youtube.

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