Destaque Dungeon Bits Jogos Review/Análise

Review de Demonschool | PC

INTRODUÇÃO

Demonschool nos dá boas-vindas do jeito certo: com uma balsa deslizando rumo a uma ilha misteriosa, dominada por uma grande universidade que imediatamente define o clima do jogo. Cores fortes, atmosfera estranha e um toque de mistério constroem um cenário que mistura influências de Persona, Shin Megami Tensei e o terror italiano dos anos 70, tudo reinterpretado pela Necrosoft Games em um estilo próprio, vibrante e cheio de personalidade.

O jogo não perde tempo com longas exposições: ele te joga na rotina da universidade, nos apresenta seus personagens e já insinua as forças demoníacas que existem por trás da vida acadêmica. Faye, a protagonista, segue o arquétipo da valentona que resolve seus problemas na porrada, herdeira de uma linhagem de caçadores de demônios. Ao seu lado, conhecemos Namako, a nerd tímida de grande coração, ainda na balsa; Knute, o cinéfilo pacifista e fanático por cultura pop; e Destin, praticamente o reflexo de Faye em força e impulsividade, mas com um toque de inocência a mais. Esse grupo inicial compõe o núcleo emocional do jogo e guia a narrativa durante suas semanas de investigação.

Demonschool não se perde em pretensões, é direto, estiloso, e mesmo com inspirações claras, tenta resgatar elementos esquecidos dos primeiros Persona, o foco nos vínculos, no mistério e nas raízes do terror.

 

NARRATIVA

A trama se desenvolve de forma bem linear: em vez de um ano escolar inteiro, o jogador conta com apenas algumas semanas, e cada uma delas culmina em um grande demônio para enfrentar. Isso mantém o ritmo acelerado, mas reduz o peso das escolhas, quase nunca há risco real de “perder” conteúdo ou comprometer relações.

A força da narrativa está nos personagens. Os diálogos, mesmo longos e totalmente em texto, são bem escritos e sustentam o tom emocional da história. Faye brilha como protagonista: divertida, impulsiva e cheia de responsabilidade. Namako mostra seu lado metódico e encantado por fotografia; Destin funciona como o bobalhão carismático que só quer lutar; Knute traz calma, carinho e um olhar único para tudo ao seu redor. Novos membros entram ao longo da história, às vezes de forma apressada demais, mas todos acabam encontrando seu espaço.

As missões de amizade são boas, trazendo momentos íntimos e reveladores, porém com impacto limitado no gameplay. A ausência de consequências mais profundas faz falta, especialmente para quem vem de Persona. Ainda assim, a aura sobrenatural, os mistérios e o humor equilibrado fazem a trama funcionar muito bem.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

Demonschool apresenta um sistema de dias que permite explorar a escola, a cidade, a praça e até o cemitério durante manhã, tarde e noite. Há missões secundárias, minigames e atividades sociais, mas o tempo nunca pesa de verdade: você não precisa otimizar suas escolhas, basta avançar conforme o jogo oferece.

O combate, porém, é o grande destaque. Apesar da aparência tática, ele é muito mais estratégico, quase como um jogo de xadrez sobrenatural. O turno é dividido em planejamento e execução: você define onde seus personagens vão se mover, que ataques usar e como explorar fraquezas inimigas. O posicionamento é tudo. Ataques mudam dependendo da direção, e colocar um inimigo entre dois aliados libera ataques conjuntos devastadores.

Os personagens citados anteriormente tem formas de se comportar nas batalhas a Faye vai atacar com chutes e combos, Namako vai travar os inimigos e os teleportar, Destin é bem semelhante a Faye sendo os carry do time, e o Knute cura os personagens do seu time ao chegar perto e se não houver nada a curar o mesmo pode buffar o time.

O sistema de habilidades equipáveis adiciona estratégia, mas exige estudo e tempo para desbloquear, e personagens precisam descansar cinco dias após aprender algo novo. É uma mecânica interessante, embora limitadora. Os minigames variam bastante: o de pesca é ótimo; o de karaokê é repetitivo e pouco inspirado. Eles servem para aumentar laços, mas os efeitos práticos desse aumento são pequenos demais. Os chefes, por outro lado, elevam o nível. São enormes, estilizados em 3D, exigem estratégias únicas e transformam cada batalha em um evento marcante.

DIREÇÃO DE ARTE

Visualmente, Demonschool é deslumbrante. No mundo humano, a pixel art é linda, detalhada e cheia de personalidade. Mas quando o combate começa, tudo se distorce em 3D, criando uma ruptura estética proposital que reforça o estranhamento do “mundo demoníaco”. Essa troca constante entre 2D e 3D é usada de forma criativa, tanto nos cenários quanto nas transições e principalmente nos chefes, verdadeiras esculturas grotescas e simbólicas em movimento.

A paleta de cores, a iluminação e o contraste carregam a marca do cinema de terror italiano e de mangás de horror. Não é só estilo: essa estética serve à narrativa, fazendo cada ambiente falar por si.

A trilha sonora é outro triunfo. Mistura sintetizadores setentistas, corais e tons melancólicos para criar algo único, às vezes nostálgico, às vezes inquietante. Como não há dublagens, os efeitos e a música carregam o peso emocional da história, intensificando combates, revelações e até momentos cotidianos. As músicas dos minigames são absurdamente contagiantes.

PRÓS E CONTRAS

Prós

  • A narrativa é intrigante
  • Direção de arte inspiradíssima
  • Chefes em 3D são espetaculares
  • Trilha sonora marcante
  • Personagens bem construídos
  • Combate extremamente estratégico
  • Mundo cheio de personalidade

Contras

  • História linear demais
  • Minigames irregulares
  • Sistema social pouco impactante
  • Amizades quase não mudam o gameplay
  • Falta de legendas em português

CONCLUSÃO

Demonschool não tenta competir com Persona, e talvez por isso funcione tão bem naquilo que se propõe. Sua narrativa é intrigante, seus personagens são bem desenvolvidos e o combate é estratégico, criativo e recompensador. A direção de arte e a trilha sonora entregam um espetáculo à parte, tornando cada batalha e cada cenário uma pequena obra estilizada.

Ao mesmo tempo, seu ritmo linear, a falta de consequências reais no calendário e a simplicidade das escolhas podem decepcionar quem espera uma experiência social mais profunda, os minigames variam entre ótimos e descartáveis, e a progressão de laços carece de impacto, Contudo, ainda é um jogo extremamente recomendável, especialmente se você busca algo estiloso, original, e com batalhas brilhantemente pensadas, por fim, para nós, brasileiros, o maior pecado é a ausência de legendas em português. Para um jogo tão focado em texto, isso realmente pesa e pode afastar muitos jogadores.

PATÔMETRO

80
Licença enviada por:
Ysbryd Games
Agradecemos pela oportunidade.

Site parceiro / Notícias, rumores e reviews
Página dedicada a análises, notícias e rumores de games.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *