Agradecimentos à Deep Silver pela chave de imprensa
Versão de Xbox Series S

PREMISSA/NARRATIVA
O jogador assume o controle de Aska, uma “Consciência HYPER”, munida de experiência militar e uma incrível submetralhadora automática, que possui uma missão misteriosa, enquanto é guiada pela filosófica voz sem rosto de “Nexus”, o que parece ser uma consciência coletiva de almas digitalizadas. Aska é jogada logo no tiroteio e Metal Eden possui uma qualidade bem similar à vista em Doom 2016: uma rápida cutscenes, o despertar da personagem, uma arma na mão e muitos inimigos pelo caminho.
Mas antes de falarmos mais sobre a gameplay, irei comentar um pouco mais sobre a curiosa história de Metal Eden, evitando, ao máximo, possíveis “spoilers”. Existem momentos geniais do desenvolvimento da história e do mundo, que seriam um crime não serem comentados aqui. Por exemplo, a voz “Nexus” que acompanha Aska, explica o mundo da estação de Moebius e a história da humanidade, de forma bem crítica, o que lembra muito a personalidade rebelde de Johnny Silverhand lá de Cyberpunk 2077.
No entanto, Aska e Nexus não estão sozinhos no mundo e outros personagens são introduzidos no decorrer da excelente história de Metal Eden. À princípio, confesso que fiquei um pouco perdido com a narrativa em meio ao caos dos tiroteios e adrenalina constante das missões do jogo. Mas aos poucos, me foi apresentada uma história densa e profunda, que expõe uma “lore” rica, que com certeza pode render outras histórias dentro desse universo. Por isso, Metal Eden requer que o jogador preste atenção aos breves diálogos que acontecem entre as seções de combate, porque eles são curtos, mas diretos e pouco expositivos. De fato, parece que os devs da Reikon Games capturaram bem a essência de que “mais é menos” e amarraram uma narrativa direta, assim como Doom 2016.
Mas infelizmente, o jogo perde ritmo aos 45 minutos do 2º tempo, o que é uma pena! Sem dar spoilers, mas o final apresenta um “plot twist” amargo, que quebra o excelente tom construído pela narrativa até então. A luta contra o chefe final é mais fácil do que deveria ser e o final da história corre muito rápido e explica muito pouco, deixando mais dúvidas do que respostas e não de um jeito muito bom.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
Para balancear a gameplay frenética, há a questão da duração das fases, que não são muito longas, mas são na medida certa e possuem uma boa duração. E ainda bem! Assim como Doom, as fases de Metal Eden são lotadas de pura adrenalina e o fim da missão acaba sendo uma pausa necessária de todo o estímulo e reflexos que são exigidos do jogador
Dificuldade normal é acima da média do que estamos acostumados, então quem deseja jogar o game pela história, vai querer ir de “modo fácil”. Contudo, as dificuldades superiores são bem desafiadoras e a dificuldade “brutal” requer quase perfeição de movimentos. Apesar disso, todas as dificuldades são super justas e abraçam todos os públicos de um FPS: o que está pela gameplay e o que está pela história. E acredite, como eu disse: a história é incrível e vale muito a pena, apesar do tropeço final.
Já a progressão das fases é rápida e para balancear, a progressão de personagem é bem devagar, gerando alguns picos de dificuldade caso o jogador escolha um upgrade que não é tão útil para si naquele momento. Isso só é um problema nas dificuldades mais difíceis, mas o maior problema acaba sendo uma sensação de que falta algo. Isso acontece, porque não é possível desbloquear todos os upgrades na primeira “run” do jogo, o que deixou uma sensação de que Aska não terminou o jogo tão forte quanto deveria estar. Claro, eu zerei o jogo no “normal”, não ter alguns upgrades não me atrapalhou, de fato. Mas imagino que os jogadores do “brutal” sentirão mais esse defeito.
O arsenal de Metal Eden também é bem interessante e traz armas com propósitos bem variados dentro da gameplay. Algumas podem ser mais fortes contra armaduras e outras causam mais dano à saúde, mas há uma submetralhadora que é incrível em abater alvos aéreos, uma arma de plasma que come escudos e uma escopeta que pode disparar até 3 vezes seguidas. Até a conclusão do jogo, quase todas as armas se mantêm relevantes, incluindo a 1ª arma do jogo. Uma exceção é o revolver, que apesar de útil no começo, perde totalmente sua utilidade para uma arma de raios.
Doom Eternal e Cyberpunk 2077 no espaço? Isso é o videogame!
DIREÇÃO DE ARTE/ASPECTOS TÉCNICOS
A trilha sonora de Metal Eden é incrível e apesar de não ficar grudada na cabeça por causa da curta duração do jogo, é memorável e deixa uma sensação de “quero mais”. Misturando batidas de cyberpunk com “synthwave”, a música dos combates combina demais com a gameplay frenética e tiroteio desenfreado.
CONCLUSÃO
Metal Eden é uma jóia rara, que dá com o pé na porta e impõe muito respeito no meio de um gênero cansado, como os “FPS”. Às vezes, é melhor fazer algo pequeno, denso e bem feito, do que algo gigante, ruim e sem alma. Que bom, que Metal Eden tem muita alma.










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