Bruno Castelo Destaque Jogos Review/Análise

Review de Enotria: The Last Song – Um soulslike com toques diferentes

Comprado via PS Store.
Versão de PS5 (base)

Data de lançamento: 16 de setembro de 2024 (PC)
Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X/S e Microsoft Windows;
Desenvolvedor: Jyamma Games;
Distribuidor: Jyamma Games;
Gênero: Soulslike.

O tradicional gênero dos RPG’S DE AÇÃO tem visto durante os últimos anos a ascensão do gênero souls-like. Jogos com uma aura mais impiedosa, dificuldade mais alta e um mundo mais reativo e punitivo. Comecei minha jornada com Bloodborne e ano após ano tenho jogado obras que tem tentado sair da sombra da gigante From Software que é referência do gênero. A Jyamma Games tentando e nos trazer um pouco do sol da Itália Mediterrânea criou Enotria : The Last Song. Minha curiosidade foi saciada com os vídeos do jogo e acabei sendo fisgado pelo mundo e história do jogo.


PREMISSA/NARRATIVA

A história começa com um trecho em vídeo mostrando que um evento chamado Canovaccio criou um cataclisma no mundo. Uma peça eterna criada pelos seus antagonistas chamados de AUTORES. Todos tem seus papéis definidos e são forçados a repeti-los eternamente e o mundo fica imutável, sem autonomia e sem vida. As artes são sagradas e consideradas a retribuição da humanidade ao amor dos deuses. Você é um qualquer, uma fagulha caída da árvore da vida . Sem voz, mas sem ser afetado por esta prisão. Apenas um receptáculo que deve assumir papéis e mantos para conseguir acabar com o canovaccio e ser a mudança dessa estagnação que assola o mundo. Mas, quem será de verdade o manipulador? Haverá alguma chance de uma simples marionete nascida da árvore da mudança em acabar com a estagnação do Canovaccio?

Geralmente , eu leio pouca coisa das histórias de jogos do gênero. E porquê? Porquê tudo tem que ser pesquisado afinco ou simplesmente é subjetivo. Elden Ring, Bloodborne e até Dark Souls tem histórias fantásticas mas todas são contadas em sussurros. AQUI, O que mais me agradou é justamente que o jogo simplesmente vai desenrolando as tramas no vasto compêndio que ele apresenta. Enfrentou um chefe? Explicação. Achou coletáveis em chamas azuis? Foco em contar a história do local. E é simplesmente fascinante e muito mais divertido desse jeito. Acompanhar os desdobramentos, conhecer os deuses e autores dessa fantasia italiana foi muito bacana.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

Fácil de assimilar porém exige uma certa perícia em dominar. O desmascarado pula, esquiva e conta com ataques fortes e fracos. Para dar uma camada de complexidade , movimentos especiais chamados de linhas de máscara são colocados a mesa e são tão objetivos quanto fáceis de se executar. Apertando uma combinação de botões você consegue atacar seus inimigos com golpes elementais poderosos, se curar de qualquer status negativo ou simplesmente atordoar inimigos mais impiedosos. Outra mecânica muito boa é a de buffs, ou, melhorias focadas no seu personagem e na build que nada mais é do que o tipo foco de construção do seu desmascarado. Em um exemplo direto, uma build de assassino é focada em armas rápidas e esquiva enquanto que a do bruto é a do guerreiro que foca em causar o máximo de dano.

Chamada de caminho dos inovadores, conforme você vai avançando pela terra de Enotria derrotando inimigos e conhecendo suas peculiaridades você libera pontos de inovação que são uma outra moeda do jogo  além da coleta de MEMÓRIA se assim pode-se dizer. Outra surpresa escondida são gemas de defesa que favorecem seu contra ataque rápido ou parry contra ataques elementais, físicos ou projéteis. O sistema souls-like de evolução se divide em 5 fatores: Bruto que melhora sua vida e defesas elementais, Assassino que melhora o ataque e a sorte, Elementalista que foca no dano e PODER elemental fortemente presente no jogo, Trapaceiro que melhora a Estamina e a sorte.

É interessante notar que evoluir seu personagem envolve mais de um fator e apesar de ser fácil ignorar e sair evoluindo o que você preferir o interessante é notar todas essas nuances para dominar o jogo. A árvore de habilidades é vasta e variada e a melhor parte é que você pode combinar até três SETS DE MÁSCARAS, alternando efeitos dessas habilidades, quais armas e dano usar  e cria abordagens para as mais diversas situações de perrengue do jogo. O próximo tópico é a mecânica mascarada e os aspectos. Cada máscara tem dois efeitos passivos. Geralmente, um sem precisar do estado desperto e outro apenas neste estado. A da mudança, a primeira do jogo por exemplo aumenta a força de seus ataques fortes enquanto que o efeito desperto é o aumento do poder físico do seu personagem. O modo desperto nada mais é que uma aura temporária de força quando você muda de máscara no meio da batalha. E acredite, da pra trabalhar bastante até com essa mecânica de jogo.

Tive bossfights memoráveis e me diverti muito. Já os aspectos influenciam diretamente na abordagem de construção do desmascarado e geralmente são baseados em inimigos derrotados e alguns já vem nativos com você. Os primeiros são simples como o do assassino que melhora seu ataque comum com 5 pontos dessa habilidade sem precisar subir de nível para melhorá-la. Mas após avançar mais em Enotria você deverá ponderar qual se adapta melhor pois também haverão aqueles que diminuirão certa habilidade para fortalecer mais outra. Um fator que gostei aqui foi o pulo e as passagens por seções onde o a precisão é requerida. Em outros jogos do gênero controlar personagens por seções estreitas e tábuas de madeira é um martírio e aqui vi um balanceamento nesses trechos. Logicamente que eles ainda existem mas o controle do personagem mais amplo permite não passar raiva com truques baratos. Enotria é um souls que te permite se frustrar do jeito certo e não com armadilhas em demasia e encontros onde o posicionamento do inimigo sempre acaba sendo opressivo. E PRA FINALIZAR, os efeitos negativos merecem destaques.

É uma curva fantástica aprender a usá-los no combate e o jogo premia quem faz isso. Por exemplo, VIS causa tontura em você e no oponente. O lado bom? Ele aumenta seu ataque e recuperação de stamina mas diminui suas defesas elementais e físicas. Malanno que causa DOENÇA é o status de veneno da vez com uma pitada diabólica: Ficar perto de inimigos afetados te envenena também com o tempo. Gratia funciona causando o status RADIANTE que recupera vida com o tempo mas qualquer ataque que você receba ou o inimigo gera  uma explosão que tira DANO alto e te empurra. E meu favorito, Fatuo. Ele causa o status de perversão que potencializa ataques elementais e pode fazer tanto você quanto o inimigo recuperar vida ao receber ataques. Esse último aqui me ajudou muito. Há uma arma fortíssima nas catacumbas do primeiro local de Quinta que é simplesmente a melhor espada colossal do jogo e tem como fator principal o alto dano desse elemento. E falando sobre armas e equipamentos o que não falta é variedade.

São 6 grupos de armas: Sabres, espadas longas, maças, armas de haste, espadas colossais e martelos. Logicamente cada uma pede um nível de para equipar mas aqui é importante notar a variedade de movimentos, visuais e foco em dano diferente uma das outras. Se tem algo que Enotria sabe bem é criar uma jogabilidade variada e complexa sem deixar de ser acessível. Ponto alto do jogo.

Um frescor ao mercado de souls – likes com uma ambientação mais viva, ótimo sistema de habilidades, boa história, combate divertido e trilha sonora fantástica porém tropeça em otimização e bugs.

DIREÇÃO DE ARTE/ASPECTOS TÉCNICOS

Gráficos e ambientação são bonitos e bem construídos , é um deleite explorar as cidades, templos e cavernas do jogo. Uma pena que falhas visuais em demasia prejudicam um pouco essa admiração. O jogo tem problemas de pop – in ( texturas que aparecem e somem do nada ) Draw Distance ( construções e prédios que ficam mais a frente ou longe do personagem ) MUITO borrado, iluminação intermitente e até algumas texturas não condinzem com a qualidade que o jogo merece principalmente os efeitos visuais de status durante as batalhas . Mas ainda assim no contexto geral a ambientação salva e muito . As regiões distintas exploradas por você são magníficas, variadas e permitem ao jogador visualizar pontos de exploração, baús e inimigos de maneira bem coesa. E arrisco dizer que são baseadas em localidades reais da Itália certamente. Se perder em caminhos e atalhos aqui te beneficiam com um Level Design primoroso e que recompensa e muito os jogadores mais ousados. Sub – Chefes e itens que aumentam seu frasco de vida, novas armas…há muito o que se fazer no jogo.

Enotria: The Last Song é um jogo baseado em um folclore rico que tem em seu pináculo as artes musicais também e sua trilha sonora e efeitos sonoros proporcionam momentos belíssimos. A celebração de quinta onde seus residentes tocam instrumentos, cantam e vibram! Monólogos de atores com vozes estridentes, tenores cantando livremente nas ruas de Litumnia e claro, porque não, o hino de Falesia Magna sendo cantado enquanto você chega próximo ao seu objetivo. Pra mim, é importante demais esse fator e aqui eu devo dizer que a Jyamma Games brilhou e muito. Vou levar sempre com carinho também uma missão secundária onde você enfrenta uma assassina em três encontros esporádicos enquanto explora a cidade de Litumnia. A trilha é cantada em italiano, com violinos e tudo que uma ópera precisa. A variação mais leve e doce cantada pela trágica personagem que lhe dará está missão e a versão diferente de batalha causarão uma imersão fora do comum . E para minha surpresa, muitas dessas canções foram adicionadas apenas no último patch 1.08. A espera valeu a pena e confesso que se tivesse jogado sem experimentar essa trilha magnífica, eu teria dado uma nota menor nesse aspecto.

Na parte técnica, infelizmente Enotria: The Last Song é mais uma vítima da má otimização e dos problemas da Unreal Engine. A não resolução de alguns bugs também denota a falta de um suporte mais focado da Jyamma Games . O modo qualidade melhora alguns problemas gráficos que o modo performance pode causar já citados na análise mas as travadas do motor gráfico se acentuam em qualquer modo escolhido principalmente em Litumnia. Enquanto que nas outras regiões eles seja mais esporádicos, neste trecho chega a incomodar muito o jogador. Ainda assim nada me incomodou mais que três bugs que tive em minha jornada: O sistema de trocas de máscaras travar forçando eu entrar e sair do jogo para voltar ao normal e o travamento numa conversa com um importante personagem necessário para o final verdadeiro porque o jogo decidiu não me dar a opção de avançar mais o diálogo causando um soft lock chato. E finalmente enfrentando um chefe ele simplesmente começou a me encarar e não me atacou mais. São contornáveis? São, basta entrar e sair do jogo mas mesmo sendo um estúdio menor é inadmissível isso ainda acontecer após meses de otimizações. O que só piora é que jogadores já reclamavam desses mesmo problemas em updates anteriores e nada foi resolvido. Acho engraçado que a Jyamma Games soube muito bem consternar a falta de suporte que vinha recebendo do XBOX para lançar o jogo na plataforma, mas, assumir seus erros sobre o lançamento morno do jogo devido a problemas de bugs e ativamente resolvê-los pareceu ser um entrave para a companhia. Eu espero de coração que esses problemas recebam suporte e sejam corrigidos no futuro pois finalmente o jogo está BEM ATRATIVO e acho que se sobressai muito bem naquilo que propõe. Estaremos vigiando e cobrando e recomendo que vocês visitem o Discord dos caras e falem diretamente sobre problemas que encontrarem nas diferentes versões do jogo.

CONCLUSÃO

Enotria: The Last Song é um bom souls-like. Fãs do gênero vão gostar da jornada e novatos podem ver nele uma boa entrada no gênero porque felizmente ele tem a acessibilidade do modo história. E aqui, o modo normal soulslike diverte sem frustrar e vai proporcionar até a certos veteranos um pouco de suor antes de masterizar chefes e inimigos mais fortes. Gráficos ok, ambientação fantástica, sonografia sublime e um combate e jogabilidade viciantes superaram tanto o descaso com a otimização que terminei o jogo duas vezes e completei dois finais, inclusive o verdadeiro e mais trabalhoso. Recomendo a experiência!

Review de Jogos | Criador de Conteúdo
Fã de PlayStation, mas não da Sony | Fã de Castlevania | Gamer | Apresentador do programa "Castelo do Caos" no Youtube.

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