Licença recebida via SEGA

Lançamento: 10 de junho de 2025;
Plataformas (Brasil): PC (Steam, Game Pass PC), Xbox Series X/S (incluído no Game Pass). Não há versão para PlayStation ou Epic Games.
Desenvolvedoras: SneakyBox (remaster) e Relic Entertainment (jogo original);
Distribuidora: SEGA
Gênero: Ação em terceira pessoa com foco em combate corpo a corpo e tiroteios brutais; mistura de shooter e hack‑n‑slash.
Tinha tudo para ser bom, mas fizeram de tudo para ser ruim.
PREMISSA/NARRATIVA
O ano é o 41º milênio e o universo está basicamente no modo “tudo explodindo o tempo todo”. Neste caos cósmico, você encarna o Capitão Titus, um Space Marine dos Ultramarines, a definição ambulante de testosterona embalada em cerâmica azul. Sua missão? Defender o planeta-forja Graia, uma fábrica colossal onde o Império produz armas e outras bugigangas de destruição em massa. Só que, como é tradição em Warhammer 40K, nada é simples: primeiro vêm os Orks, barulhentos, verdes e sedentos por pancadaria… depois, surgem ameaças bem mais sombrias que fazem os Orks parecerem festa infantil.
O jogo não perde tempo com firulas narrativas ou diálogos existencialistas. A história aqui é direta ao ponto: você é um “semideus” de armadura enfrentando uma invasão brutal com uma serra elétrica na mão e uma bolter na outra. E sinceramente? É exatamente isso que os fãs querem. A trama avança entre sessões de combate, cenários industriais sombrios e revelações que, apesar de previsíveis, mantêm o ritmo acelerado como uma descarga de plasma no peito de um Chaos Marine.
Mesmo sendo um remaster, Master Crafted Edition mantém a alma do original: um conto de heroísmo exagerado, máquinas rugindo, gritos de guerra em latim gótico e litros de sangue pixelado voando na tela. Não espere profundidade shakespeariana, espere frases de efeito, ordens gritadas, e aquela clássica vibe “morrer lutando é melhor que viver devendo”.
No fim, essa é a beleza da coisa: Space Marine não tenta reinventar a franquia. Ele a abraça com força, como se dissesse: “Você quer guerra, irmão? Então pega essa armadura, sobe nesse drop pod e vambora quebrar crânios por um imperador morto há dez mil anos”. E sinceramente? É difícil não sorrir com isso.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
Se você curte jogos onde a diplomacia é feita com uma chainsword na mão e o argumento mais convincente é uma bolter cuspindo chumbo grosso, então Space Marine – Master Crafted Edition fala diretamente ao seu coração (e ao seu fígado, porque o impacto aqui é pesado). A jogabilidade continua sendo uma deliciosa mistura de tiro em terceira pessoa e combate corpo a corpo brutal, sem nenhuma transição forçada entre os dois. É entrar atirando, cortar tudo no meio e sair como se nada tivesse acontecido. Simples, direto e absurdamente satisfatório.
O sistema de combate é construído em torno da ideia de manter você na ofensiva o tempo todo. Aqui, não existe “cobertura” no sentido tradicional. Esquece ficar se escondendo atrás de caixas esperando a barrinha de vida voltar. Titus se cura descendo a porrada em geral, com execuções violentas e gloriosas. A violência é terapêutica, quase medicinal. Te acertaram? Então pegue sua serra elétrica, avance no primeiro Ork que vir pela frente e trate ele como um pedido urgente de recuperação de HP. Isso é Warhammer puro.
Com a Master Crafted Edition, os controles foram ajustados, os combates ganharam mais fluidez e o arsenal recebeu um upgrade visual bonito de ver. O impacto dos tiros está mais visceral, o barulho das explosões mais encorpado e, mesmo com a idade do jogo original gritando no fundo, o conjunto ainda entrega um gameplay sólido e cheio de personalidade. A weapon wheel (roda de troca de armas), no entanto, continua sendo o ponto de discórdia: um pouco lenta, meio desajeitada, mas nada que atrapalhe demais sua fome por destruição.
A variedade de inimigos, especialmente nas fases avançadas, mantém o combate interessante. Os Orks vêm em ondas, berrando palavrões em sotaques espaciais, enquanto as forças do Caos aparecem mais organizadas e… demoníacas. Cada facção exige uma abordagem diferente, e embora o jogo não reinvente a roda, ele gira essa roda com tanto estilo que você mal se importa. É o tipo de experiência onde desligar o cérebro e ligar o modo berserker é não só permitido, como incentivado. Titus não é um estrategista, ele é a martelada no problema.
DIREÇÃO DE ARTE/ASPECTOS TÉCNICOS
No papel, Master Crafted Edition promete um banho de loja completo: texturas refeitas, resolução em 4K, modelos repaginados, iluminação aprimorada e som remasterizado. E sim, muita coisa está visualmente mais bonita. Os detalhes da armadura do Capitão Titus brilham mais do que ego de Ultramarine, e os Orks agora parecem ainda mais nojentos, o que é um elogio, claro. As cutscenes também receberam retoques, com menos serrilhados e expressões faciais menos robóticas… ainda que Titus continue com aquela cara de “durmo, mas a arma está em baixo do travesseiro”.
Mas o salto técnico não vai tão longe quanto o marketing sugere. A estrutura do jogo é basicamente a mesma da versão original de 2011. Os cenários continuam meio “quadradões”, com pouca verticalidade e uma certa rigidez nos objetos do ambiente. Por mais que o visual tenha ganhado texturas novas e sombras mais suaves, ainda se nota que o esqueleto do jogo é de outra geração. É tipo colocar LED em um Fusca: fica bonitinho, mas o motor continua o mesmo.
O desempenho, pelo menos, é louvável. O jogo roda suave como servo-skull bem lubrificado, mesmo em máquinas medianas. O frame rate é estável, os loadings são curtos. No entanto, nem tudo são flores em Graia: vários jogadores têm enfrentado problemas com bugs — como telas pretas, travamentos em menus, clipping aleatório e crashes que aparecem do nada, do tipo que fazem você gritar “PORQUE, EMPERADOR?”. Esses problemas vêm sendo relatados desde o lançamento e, até agora, e seguimos aguardando melhorias, porque os problemas vão além, o game não justifica seu valor, ele é basicamente o mesmo jogo com alguns retoques, nem vou comentar sobre a nova interface, especialmente a roda de seleção de armas, é desajeitada e muito menos funcional que a anterior.
No som, a remasterização acerta bonito. A trilha sonora continua épica, cheia de corais imperiais e metais que gritam “guerra santa”, mas agora com mais definição e impacto. Os efeitos de áudio — tiros, cortes, explosões — ganharam um reforço de graves e nitidez. Quando sua chainsword entra em ação, o som é tão gostoso que dá vontade de aumentar o volume e cortar inimigos em câmera lenta, só pra ouvir de novo.






CONCLUSÃO
Warhammer 40,000: Space Marine – Master Crafted Edition é, sem rodeios, um tapa de martelo na nostalgia. A brutalidade do Capitão Titus continua intacta, o combate ainda é um dos mais satisfatórios do gênero e a campanha mantém seu ritmo de ação acelerada do início ao fim. Para quem nunca jogou o original de 2011, essa é — sem dúvida — seria a melhor versão para conhecer, se ela estivesse estável, o que não é o caso, a versão está comprometida com uma série de bugs e mudanças questionáveis nas interfaces.
Mas o “master crafted” no nome vem com asteriscos. Apesar dos visuais atualizados e do som melhorado, o jogo ainda carrega limitações de design da geração passada. E o preço salgado, somado à ausência de melhorias realmente profundas, deixou qualquer fã com cara de servo. Some isso aos bugs e multiplayer deserto, e temos uma remasterização que entrega mais pelo coração do que pela cabeça.


