Wuchang: Fallen Feathers é um souls-like lotado de boas ideias e um combate com foco na sensação de conquista do jogador.
O sistema de habilidades e magias é muito divertido e os combates belíssimos contra chefes se perdem em uma janela de habilidades confusa, dificuldade completamente desbalanceada e uma performance terrível.
Entra ano, sai ano, e o mercado de RPGs de ação continua aquecido.
O nicho souls-like segue firme e forte, nos agraciando com muitos jogos de diferentes temáticas.
Dessa vez, a desenvolvedora Leenzee trouxe uma história pautada firmemente na cultura de seu país: a China.
Você é Bai Wuchang, uma pirata.
Sem se lembrar de nada que lhe ocorreu e com o braço tomado por uma praga chamada “plumagem”, a nossa heroína deve desbravar os mistérios dessa chaga e da terra de Shu para entender o que está acontecendo e obter respostas sobre sua vida passada e origem.
HISTÓRIA/PREMISSA
Falo isso como fã do gênero: por mais que as tramas dessas obras sejam muito atraentes, é consenso que elas são um fator secundário.
Logo, o peso aqui é menor. Ainda assim, confesso que a Leenzee fez um ótimo trabalho.
Reuniu figuras históricas e generais para retratar o final da dinastia Ming (por volta de 1644) e criou o contexto de um povo ancestral que habitava essas terras e agora reivindica seu lugar como donos incontestáveis.
Atrelar fantasia ao legado real da China, um país tão cheio de culturas, guerras e histórias, deu uma estética única ao jogo.
Confesso que esse tópico me agradou bastante e fugiu do eurocentrismo convencional de jogos do gênero.
DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA
Cenários, detalhes de construções e texturas são muito bem feitos.
Os palácios e matas agradam bastante, assim como os trajes de Wuchang, tecidos e armas.
Mas há deslizes que comprometem a experiência:
Feições de personagens grosseiras, renderização de texturas falha e, principalmente, um dos efeitos de neve mais feios que já vi em um jogo da atual geração.
Creio que, apesar de ser um estúdio inexperiente nesse mundo de jogos mais complexos, faltou capricho.
E as polêmicas com patches que reduzem a resolução nativa para tentar melhorar o desempenho não ajudam em nada nesse problema.
Som e Música
Efeitos sonoros agradam.
O som da espada cortando, lâminas se chocando e golpes elementais — tudo funciona muito bem.
Barulhos da natureza, templos cheios de doentes e até os cantos do pássaro que segue Wuchang, fornecendo penas com efeitos especiais, causam uma ótima imersão.
Nada muito sublime, mas o trabalho do time de som é muito bom e merece destaque.
Parte Técnica
Antes de destrinchar este tópico, quero ser justo com você, leitor:
Wuchang não é de todo ruim.
O efeito catártico das lutas acontece, e é um jogo que te convence pelo êxtase.
Mas o que a Leenzee fez aqui é um dos piores trabalhos de otimização de 2025, rivalizando com o desastroso Oblivion Remastered.
Ambos merecem o trono.
Se um peca com bugs e crashes, o outro sofre com congelamentos aleatórios, engasgos e carregamento pífio de texturas, principalmente nas montanhas nevadas.
Mesmo com seis grandes patches, o jogo continua com esses problemas.
Em batalhas comuns, não fui tão prejudicado, mas tive travamentos em lutas críticas.
E aqui está o ponto: um jogo que custa 40 dólares (ou R$ 285) não pode ter esse nível de engasgos.
Estamos falando de um souls-like, onde precisão é tudo.
Infelizmente, quem quiser se aventurar terá de se contentar com esses problemas — e seguir a vida.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
Outro ponto de inconsistência.
Jogos do gênero se baseiam em combate visceral e estratégico, mas aqui a estratégia foi embora.
Wuchang premia o jogador que é extremamente agressivo e acerta o timing preciso de esquivas e ataques pelas costas.
O diretor disse em entrevistas que seria possível adotar uma abordagem passiva, contudo, isso é impossível.
Todas as vezes em que joguei à distância, os chefes me moeram na porrada em segundos.
O que resta é entender que os chefes vão te atacar repetidamente, sem dó, e que você precisa se atentar à ofensividade sempre.
Outro problema é o sistema de habilidades, pautado em uma árvore cheia de ramificações confusas.
Como eu vou saber que o parry está atrelado à ramificação da espada grande?
E a festa fica melhor, senhores: o sistema de acupuntura.
Bai pode — e deve — usar efeitos que causam aflições nos chefes, como fogo, congelamento e veneno.
Contudo, uma poderosíssima habilidade estava escondida sem contexto algum: a agulha de roubar vida.
Sabemos que outros jogos dão ao jogador mais liberdade para aplicar efeitos nas armas.
Em Bloodborne? Papéis que você compra ou coleta — direto e reto.
Em Elden Ring? Cinzas de guerra, o mímico e outras armas contextuais.
Aqui, tudo se resume a uma árvore lotada de caminhos obrigatórios, onde você precisa seguir rotas que não queria só para desbloquear mais upgrades no frasco de vida ou habilidades de acupuntura.
Até que não seria ruim se os inimigos dropassem mais mercúrio vermelho nos estágios iniciais, o que não ocorre.
Wuchang é desafiador, entendo isso, mas o desbalanceamento em certos trechos da campanha irrita até o mais zen dos monges.
No início, a General Honglan. Depois, a Senhora da Noite.
Só quase no fim da jornada o jogador tem liberdade maior para farmar e formar a guerreira ideal.
A hitbox é uma coisa de maluco, e novamente a premissa de manter distância se esvai em segundos contra chefes maiores.
O sistema de magias é o que mais funciona desde o início.
Com cargas melhoráveis e efeitos nocivos variados, ele oferece uma esquiva extra e é uma das melhores partes da jogabilidade — um lembrete de que mecânicas funcionais sempre serão a melhor escolha.





CONCLUSÃO
Wuchang: Fallen Feathers é o souls-like mais polêmico que já joguei.
Se o diretor Xia Siyuan queria criar embates difíceis, ele conseguiu com louvor.
O problema é que o foco em criar uma sensação de conquista esbarra em um desbalanceamento alto durante a campanha, o que pode desanimar até veteranos do gênero.
Correções foram feitas, e hoje o jogo está mais acessível, mas ainda assim requer aviso prévio.
Contudo, não posso negar: o jogo me intrigou.
Mesmo com limitações e problemas sérios, nada me impediu de continuar a aventura e desbravar a terra de Shu.
Numa promoção — ou quando quiser mais motivos para se detestar (digo, se desafiar) — Wuchang estará te esperando pacientemente, como uma boa e punitiva escolha.
HISTÓRIA
JOGABILIDADE
GRÁFICOS
SOM/MÚSICA
PARTE TÉCNICA
PATÔMETRO
