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Review de Space Adventure Cobra: The Awakening | PS5

Space Adventure Cobra: The Awakening homenageia o legado do anime original da década de 80 e seu autor Buichi Terasawa, com trechos estilizados e um jogo divertido, mas que sofre com escolhas questionáveis na jogabilidade e no design de fases.

Jogar Space Adventure Cobra, da Microids, foi um misto de emoção e um pouco de frustração. Trechos do anime permeiam a experiência da jogatina. Acionar golpes especiais com as ilustrações nunca fica chato e os gráficos são muito charmosos. Contudo, a jogabilidade poderia ser mais bem elaborada. Sim, é satisfatório ver a variedade das batalhas contra chefes. Sim, Cobra é estiloso e explorar seu mundo é fantástico. O design oldschool 2.5D é lindo também. Contudo, a dificuldade punitiva mesmo nos modos normais, devido a um level design baseado em tentativa e erro, a mecânica de mira fixa ser incrivelmente limitadora e beneficiar muito mais os inimigos do que o herói — devido à sua demora e execução problemáticas — e a campanha relativamente curta limitam um pouco a atratividade do pacote. E convenhamos, a Microids poderia lembrar da gente e colocar PT-BR em seus jogos. Astérix & Obélix: Slap Them All! foi outro caso que me chateou muito, e se repete aqui.

 

HISTÓRIA/PREMISSA

O jogo adapta o anime clássico lançado em 1982. Cobra é um pirata espacial que, junto de Lady, sua companheira ciborgue, é a pedra no sapato da guilda pirata. Depois de um grande golpe dado na mesma, roubando um tesouro de um de seus membros, Cobra decide que vai se manter disfarçado. Ele muda sua face e acaba se misturando à sociedade de um planeta distante. Logicamente, tudo acaba mudando quando ele relembra seu passado e recobra as memórias de sua vida após cinco anos. Gostei muito do roteiro e da história, e adorei o conceito da Psychogun. Aposto que o Blue Bomber da Capcom se inspirou no nosso amigo aqui também. Logicamente, a Microids adaptou o arco de maneira competente, contudo, a qualidade se deve ao lendário Buichi Terasawa, criador e idealizador do mangá.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

Aqui, ao meu ver, faltou acertar o tom. O jogo coloca o jogador em diversas situações que variam desde fugas alucinantes em veículos até embates com atiradores no deserto. Porém, a Microids exagerou ao pontuar esses momentos com a mecânica de tentativa e erro. Até aí, contornável, já que os checkpoints são muitos e tecnicamente rápidos. Mas, em alguns momentos, senti que minha habilidade era irrelevante, dada a circunstância. Por diversas vezes, combinações de inimigos que usam barreiras diferentes mais atrapalham do que dão tempero à jogabilidade. Em uma delas, numa espécie de fuga alucinante, consegui desviar de todos os inimigos para simplesmente cair em um penhasco, devido a um atraso no comando de pulo ou porque o personagem não pulou alto o bastante, estragando o que seria uma run perfeita. As mecânicas de pulo são imprevisíveis. Usar o gancho, a esquiva, a esquiva aérea ou qualquer outro movimento de travessia é um trabalho árduo que exige extrema precisão, quando os comandos, em diversas ocasiões, têm um pequeno atraso ou falham. Para pular mais alto, você deve pressionar até o final o botão de pulo, mas esse comando funciona quando quer. Além disso, seções de espinhos e de gancho se tornam martírios simplesmente pela responsividade atrasada dos movimentos do herói. Em determinado momento do jogo, isso fica cansativo a ponto de eu desligar e simplesmente querer retornar outro dia. Outro problema é usar uma combinação de botões e um arco para atirar uma espécie de explosivo. É difícil de acertar e mais difícil ainda acionar a combinação de maneira que permita atacar com clareza seu alvo.

DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA

O jogo tem bons gráficos mediante a premissa da obra. É um 2.5D muito bacana de se ver e com ótimos designs no geral. A única problemática que percebi é que, em alguns cenários, o fundo é muito simples ou rústico. Na segunda fase isso fica claro quando Cobra atravessa ao fundo uma via expressa. Ainda assim, no contexto geral, a Microids conseguiu, com sua direção de arte, criar um tom fidedigno ao anime original e uma homenagem ao legado do autor, sem dúvida alguma.

Som e música: Belíssimos. É impossível não se teletransportar ao mundo do jogo e à época em que o anime foi feito. Aquele toque de jazz e as músicas mais heróicas com uma voz feminina cantando em japonês ao fundo são simplesmente espetaculares. O mundo do jogo é literalmente mais estilizado justamente por conta da trilha sonora. Os efeitos sonoros cumprem seu papel e carregam o charme do anime para a obra. Ponto alto do jogo, sem dúvidas.

Parte técnica: Perfeita. Não tive bugs gráficos, não tive nenhum crash e nenhum problema relacionado ao som ou aos personagens e chefes. Trabalho de otimização muito bem feito pelo estúdio francês, sem dúvida alguma. E não aceito a premissa de que, por ser indie, não deve ser elogiado, porque até jogos mais aclamados como Silksong têm sua parcela de problemas. A Microids merece ser elogiada aqui.

CONCLUSÃO

Space Adventure Cobra: The Awakening é um jogo indie charmoso, mesmo com seus problemas cruciais em jogabilidade. Os checkpoints amenizam esse pormenor junto com as fases curtas e, ainda assim, acho o saldo da obra positivo. Os gráficos são bonitos, as músicas e os efeitos sonoros são charmosos e a performance não deixa na mão em nenhum momento. É um trabalho feito com carinho e amor ao legado do autor Buichi Terasawa, que vai agradar marinheiros de primeira viagem, como eu, e que com certeza vai arrancar lágrimas de fãs do anime.

HISTÓRIA

JOGABILIDADE

GRÁFICOS

SOM/MÚSICA

PARTE TÉCNICA

85
50
77
85
100

PATÔMETRO

79
Licença enviada por:
Microids
Agradecemos pela oportunidade.

Review de Jogos | Criador de Conteúdo
Fã de PlayStation, mas não da Sony | Fã de Castlevania | Gamer | Apresentador do programa "Castelo do Caos" no Youtube.

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