Neon Inferno é um daqueles jogos que chamam atenção logo nos primeiros minutos. Ele mira diretamente na nostalgia dos fãs de retrô gamer, mas entrega isso de uma forma muito única, e caras, eu fiquei empolgado.
HISTÓRIA/PREMISSA
A história do jogo traz uma Nova York distópica, no ano de 2055, completamente dominada por luzes neon, corrupção e violência institucionalizada (Mas quem diria né). Nesse cenário, o jogador atua como um assassino da “Família”, um sindicato do crime que luta pelo controle das ruas contra uma força policial tão criminosa quanto os próprios bandidos e contra a própria gangue Yakuza, que disputa espaço no submundo.
As missões são selecionadas dentro de um bar, isso é muito filme dos anos 80/90. A cena de seleção de missões mostra seu personagem conversando nesse bar em um clima noir, e o homem sentado com você no bar te repassa os trabalhos. Esse pequeno detalhe mostra que o estúdio se comprometeu demais em criar uma imersão decadente.
O jogador pode escolher entre dois protagonistas:
- Angelo – órfão criado pela “Família”, moldado pela violência desde cedo e em busca de uma suposta redenção através do sangue.
- Mariana – ex-integrante da classe média alta, que desceu ao submundo após pequenos furtos e acabou se tornando uma das assassinas mais respeitadas da organização.
A narrativa gira em torno da disputa entre essas facções, ambientada em um cenário cyberpunk com influências claras de Blade Runner, entre outras obras do gênero.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
A jogabilidade é um dos pontos mais sólidos do jogo, absloute gostosíssima de jogar. Apesar de ambientado em um cenário de plataforma, Neon Inferno trabalha esses dois planos — o de frente e o de fundo — que eu falei anteriormente, de forma bem distribuída o que abre espaço para um recurso interessante: um ataque acionado com RB, que mira nos inimigos que estão no plano de fundo. Essa troca constante entre os planos cria dinamismo e deixa a ação muito mais frenética.
O sistema de parry é outro destaque, apesar de eu achar que “parry” já está se tornando uma mecânica massante nos jogos atuais. Ele permite rebater tiros inimigos e, ao segurar o botão Y logo após o parry, o tempo desacelera e você pode redirecionar as balas para outros alvos. Funciona bem e adiciona um quê de estratégia em meio ao tiroteio frenético.
As boss fights seguem a linha clássica: exigem repetição, atenção e estudo dos padrões. É necessário decorar os movimentos dos chefes e com isso morrer algumas vezes. Mas, depois que você entende as sequências, a luta flui de forma natural e a vitória vem com aquela sensação de alívio.
A dificuldade eu achei bem desafiadora até nos níveis mais fáceis, então não sei dizer se ela é justa. Os inimigos variam bem entre padrões e intensidades, porém eles funcionam como hordas a cada cenário que você avança e às vezes a tela fica tão cheia de coisas acontecendo no plano de frente e no plano de fundo, que é inevitável morrer algumas vezes. Os chefes, além de visualmente muito bem feitos, seguem aquele estilão clássico de padrões que precisam ser observados, entendidos e repetidos até que a vitória se torne natural, como eram nos jogos de SNEs e MEGADRIVE.
DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA
Em vez do tradicional pixel art, Neon Inferno aposta em um estilo mais puxado para os quadrinhos, e devo dizer que os traços lembram bastante o jogo COMIX ZONE, lançado em 1995, mas claro, com um fluidez e nitidez digna de 2025 misturando traços fortes, contornos marcados e um design que aposta em cores vibrantes e vivas. O trabalho com luzes e cores reforça essa estética neon, enquanto os cenários mantêm a fluidez que as engines atuais permitem.
O jogo também conta com a opção gráfica de filtro CRT, simulando o visual de TVs de tubo dos anos 80 e 90. Para quem prefere uma imagem mais limpa, o filtro pode ser desativado sem prejuízo. Os cenários são bem detalhados e desenvolvidos e o level design é bem intuitivo, porém requer atenção. Você pode usar o plano de frente e o plano de fundo do cenário, bem como se pendurar em plataformas, subir em janelas e saltar sobre carros.
TRILHA SONORA
A trilha é um dos pontos mais altos do jogo. O jogo aposta pesado em Synthwave e Vaporwave, criando uma vibe totalmente oitentista e retrofuturista. Em vários momentos, esses estilos se misturam com elementos de rock, dando um up na energia das cenas de ação. O resultado combina perfeitamente com o visual neon e o clima decadente da cidade.






CONCLUSÃO
Neon Inferno traz todo aquele charme que a gente gosta em jogos que fazem referência aos anos 80 e 90, porém se arrisca para ser mais que isso.
Ele mistura estética, narrativa e mecânicas com personalidade, entregando uma experiência muito boa para quem veio dos jogos do passado e, ao mesmo tempo, apresenta algo novo para quem é das gerações atuais.
Visual, gameplay e trilha sonora são uma combinação muito bem feita, mas, ele pode ser bastante difícil e punitivo, mesmo nas dificuldades mais baixas.
PATÔMETRO
