HISTÓRIA/PREMISSA
Marisa of Liartop Mountain não é um RPG qualquer, é uma experiência que parece ter saído diretamente de um gamebook clássico misturado com a imaginação vibrante do universo Touhou (sim, precisei ir atrás e conhecer mais). A história começa com o desaparecimento de Marisa, e é Reimu Hakurei quem assume o protagonismo, mergulhando em uma montanha misteriosa feita de livros e segredos.
Ao longo da jornada, Reimu cruza com figuras conhecidas da Scarlet Devil Mansion, como Remilia, Flandre, Patchouli e Sakuya. Elas não estão lá apenas para aparecer como participações especiais, mas sim para oferecer conselhos e influenciar suas decisões, criando um clima de mesa de RPG em que cada escolha pode mudar os rumos da aventura. O enredo se divide em capítulos, cada um trazendo novos desafios, personagens e dilemas que mantêm a sensação de estar folheando páginas de um livro vivo (e também, colocando você como jogador de RPG de mesa, quase como literalmente).
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
O grande diferencial de Marisa of Liartop Mountain está no modo como ele mistura narrativa interativa com mecânicas de RPG. Tudo é baseado em decisões e rolagens de dados, lembrando os RPGs de mesa onde a sorte e a estratégia caminham lado a lado. Isso significa que até mesmo uma escolha simples pode levar a consequências inesperadas, mantendo o jogador sempre em alerta.
O combate também segue essa linha. Cada encontro exige estratégia, e os resultados podem variar conforme as rolagens, adicionando uma dose de imprevisibilidade que combina perfeitamente com a proposta. Não é um RPG para quem busca apenas grind ou batalhas tradicionais, mas sim para quem gosta de tomar decisões, avaliar riscos e aceitar as surpresas que vêm pelo caminho.
Outro detalhe interessante é a forma como o jogo recompensa a exploração narrativa. Ao seguir ou ignorar os conselhos das personagens secundárias, a campanha se abre em diferentes direções, oferecendo bastante rejogabilidade. A sensação é de estar sempre testando novos caminhos em busca da melhor forma de avançar pela montanha de livros.
DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA
Visualmente, o jogo aposta em um estilo artístico encantador que respeita a identidade do Touhou Project, mas também traz sua própria personalidade. Os cenários são simples, mas cheios de charme, com ilustrações detalhadas que reforçam a atmosfera de conto de fadas misturado com mistério.
O design dos personagens é um dos pontos altos, fiel às suas versões originais, mas adaptado para o clima de livro ilustrado que a aventura pede.
Os menus são funcionais e a interface é clara, facilitando a navegação mesmo para quem não está acostumado com jogos baseados em texto e escolhas.
Do ponto de vista técnico, o jogo roda de forma leve e estável, então computadores mais modestos não devem sofrer.
A trilha sonora também cumpre bem o papel, com músicas que variam entre temas calmos para momentos de exploração e composições mais tensas durante os combates.







CONCLUSÃO
Temos aqui uma experiência única que mistura RPG narrativo, escolhas significativas e o carisma inconfundível do universo Touhou. Ele não é para todos, já que exige paciência e gosto por histórias que se moldam às decisões do jogador, mas quem embarcar nessa proposta vai encontrar um título criativo, cheio de surpresas e com uma identidade própria muito bem definida.
É um jogo que consegue unir a nostalgia dos RPGs de mesa à interatividade digital, e faz isso sem perder a leveza e o humor característicos da franquia. Para fãs de Touhou ou de aventuras que valorizam narrativa acima de ação constante, é uma verdadeira joia.
PATÔMETRO
