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Review de HumanitZ | PC

HumanitZ entra no território perigoso dos sobreviventes de zumbis, um gênero que já foi explorado até o osso (literalmente). Mesmo assim, depois de algumas horas jogando, ficou claro que ele tenta seguir um caminho próprio. Em vez de apostar em câmera em primeira pessoa ou no estilo ultra realista, ele usa uma perspectiva isométrica e mistura sobrevivência, exploração e construção em um mundo aberto dominado pelos mortos.

Você não é um herói escolhido. É apenas mais um sobrevivente tentando durar mais um dia em um mundo que já perdeu a guerra. Essa sensação de fragilidade é um dos pilares da experiência.

 

HISTÓRIA/PREMISSA

A premissa é simples, mas funciona bem. Um surto zumbi destruiu a civilização e transformou os infectados no novo topo da cadeia alimentar. Os poucos humanos restantes vivem em pequenos grupos isolados, tentando sobreviver em um mundo hostil.

O jogo não entrega uma narrativa cinematográfica tradicional. Não existem grandes cutscenes nem personagens marcantes conduzindo a história. Em vez disso, HumanitZ aposta em narrativa ambiental. Você descobre o que aconteceu através de locais abandonados, bases destruídas e pequenas situações emergentes.

Isso ajuda na imersão, mas também pode deixar o jogo com sensação de vazio narrativo em certos momentos.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

Aqui é onde HumanitZ acerta e erra ao mesmo tempo.

O loop principal é baseado em sobreviver. Você explora cidades, casas abandonadas e áreas rurais em busca de recursos, enquanto gerencia fome, temperatura, ferimentos e munição. É possível caçar, pescar, plantar, construir bases e até usar veículos para atravessar o mapa com mais segurança.

No começo, tudo é tenso. Cada bala importa. Cada casa pode conter recursos valiosos ou um grupo de zumbis esperando. Essa tensão é uma das melhores partes do jogo.

Mas depois de algumas horas, começam a surgir os problemas.

O combate, por exemplo, é funcional, mas nunca realmente satisfatório. As armas funcionam, os zumbis reagem, mas falta impacto. Muitas vezes você não sente o peso dos ataques. Não existe aquela sensação visceral de sobrevivência que jogos como Project Zomboid ou DayZ conseguem transmitir.

A movimentação também não é perfeita. Em ambientes fechados, o posicionamento pode ser estranho. Em situações de pânico, isso se transforma em mortes que parecem injustas.

Outro problema é o ritmo. Existe uma grande fase inicial de descoberta, mas depois o jogo entra em repetição. Você coleta recursos, melhora base, coleta mais recursos e repete. Falta variedade significativa de eventos que quebrem esse ciclo.

A construção de base é interessante, mas não é profunda o suficiente para sustentar o jogo por dezenas de horas. Ela funciona, mas não evolui tanto quanto deveria.

O sistema de progressão com habilidades e customização de personagem ajuda, mas também não revoluciona a experiência. É mais uma camada funcional do que algo transformador.

DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA

Visualmente, HumanitZ é competente, mas não impressionante.

A perspectiva isométrica ajuda a visualizar ameaças e gerenciar o ambiente, mas também cria certa distância emocional. Você nunca se sente totalmente “dentro” do mundo.

Os cenários são bons, especialmente áreas rurais e cidades abandonadas. Existe uma sensação legítima de mundo colapsado. Casas vazias, ruas destruídas e bases abandonadas criam uma atmosfera convincente.

Mas também existe repetição visual. Depois de algum tempo, muitos locais começam a parecer versões recicladas uns dos outros.

O design dos zumbis é funcional, mas não algo marcante de fato. Eles cumprem seu papel, mas não têm identidade forte.

O som é um dos pontos positivos. Os efeitos ajudam a construir tensão. O silêncio entre encontros é tão importante quanto os próprios confrontos.

PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS

🟢 Atmosfera sólida de sobrevivência
🟢 Exploração envolvente nas primeiras horas
🟢 Sistema de sobrevivência bem implementado
🟢 Liberdade real de como jogar (solo, coop ou PvP)
🟢 Uso funcional da perspectiva isométrica

Pontos negativos

🔴 Combate sem impacto e pouco satisfatório
🔴 Progressão que entra em repetição após algumas horas
🔴 Mundo que começa interessante, mas perde variedade
🔴 Construção de base limitada em profundidade
🔴 Falta de narrativa forte ou objetivos mais marcantes
🔴 Movimentação e interação às vezes imprecisas

CONCLUSÃO

HumanitZ é um jogo que começa forte, cria tensão, envolve e faz você acreditar que está entrando em uma experiência profunda de sobrevivência. As primeiras horas são genuinamente boas. Existe medo, existe curiosidade e existe vontade de continuar.

Mas conforme o tempo passa, as limitações ficam mais evidentes.

O combate não evolui. O mundo não surpreende o suficiente. A progressão entra em repetição. O jogo não desmorona completamente, mas também não alcança o nível de profundidade que parece prometer no início.

Ele é bom, mas nunca chega a ser excelente.

HumanitZ é um jogo que tem uma base sólida, boas ideias e momentos genuinamente envolventes, mas que ainda precisa de mais conteúdo, mais polimento e mais identidade para alcançar todo seu potencial.

PATÔMETRO

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Co-Founder / Press Manager / Imprensa / Jornalista Digital / Streamer / Criador de conteúdo / Reviews
Fã incondicional de Cavaleiros do Zodíaco, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Tartarugas Ninjas, Robocop, Power Rangers e Caça Fantasmas. Gosto de Tokusatsus e animes dos anos 80, 90 e comecinho dos anos 2000. Jogo desde o Super Nintendo (Snes) e meus jogos favoritos são RPGs ou ARPGs, como Final Fantasy IX e Parasite Eve.

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