Agradecimentos à Deck13 Spotlight pelas chaves de imprensa
Versão de PC

PREMISSA/NARRATIVA
A narrativa não enrola. Ela te prende logo nos primeiros capítulos com diálogos inteligentes e reviravoltas que lembram muito os clássicos da era 16-bits, mas sem parecer datada. Cada personagem tem seu arco bem construído e, ao longo da jornada, você se pega torcendo e sofrendo com eles. O legal é que, apesar da estética nostálgica, a história não tem medo de ser séria, mostrando como guerras não têm vencedores, só sobreviventes.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
O grande diferencial é o sistema de Overdrive. Essa mecânica funciona como uma barra de equilíbrio que dita o ritmo das batalhas. Manter o ponteiro na zona verde significa que o grupo está no auge, causando mais dano e recebendo menos. Se passar para a zona vermelha, as coisas ficam complicadas, já que os inimigos se tornam muito mais perigosos. Para manter o controle, você precisa variar suas ações: atacar, defender, usar habilidades específicas e até trocar de personagens na hora certa. Isso faz com que cada batalha se torne um quebra-cabeça tático, em vez de um simples troca de golpes.
Outro detalhe que brilha é que o jogo não depende de grind. O sistema de progressão é construído em cima de pedras de habilidade (Skill Stones) e pontos de classe, que você conquista conforme avança. Não existe aquela pressão de farmar experiência por horas, o que deixa a aventura sempre fluida. Você evolui de forma natural, desbloqueando habilidades novas que mudam a forma como encara os inimigos.
A composição do time também tem um peso enorme. São vários personagens jogáveis, cada um com sua classe única, como magos, guerreiros, ladrões e até papéis híbridos. O jogo incentiva a montar estratégias diferentes e a usar todo mundo, já que o sistema permite troca em tempo real durante as lutas. Isso não só evita que algum personagem fique esquecido no banco, como também abre espaço para combinações criativas de habilidades.
E não dá para esquecer os mechas gigantes. Eles mudam completamente a escala do gameplay. As batalhas em armaduras mecanizadas trazem habilidades próprias, barras de energia diferentes e até a opção de alternar entre modos terrestres e aéreos. Quando o jogo libera a exploração com os mechas voadores, você sente como se tivesse desbloqueado um novo mundo dentro do mesmo jogo. Áreas antes inatingíveis se abrem e os confrontos ganham um novo peso, quase como se fosse um RPG dentro do RPG.
O jogo começa com uma fagulha simples no enredo e cresce até virar uma epopeia épica, cheia de mechas, dragões, intrigas políticas e magia
DIREÇÃO DE ARTE/PARTE TÉCNICA
Chained Echoes é aquele tipo de jogo que prova como pixel art ainda pode ser absurdamente bonita. Cada cenário parece pintado com cuidado, cheio de detalhes e personalidade. Cidades movimentadas, florestas cheias de vida, desertos, ruínas antigas e até o céu quando você está voando com o mecha… tudo tem uma identidade própria.
A trilha sonora, composta por Eddy Antonini, é outro show à parte. Ela alterna entre músicas calmas e emocionais durante momentos de diálogo e canções épicas nas batalhas mais intensas. Não é só um complemento, é um dos motores que carregam a imersão da história.
Tecnicamente, o jogo roda liso, sem quedas de desempenho. Mesmo sendo uma produção independente, a qualidade é impressionante. A interface é limpa, intuitiva e nunca atrapalha o ritmo. Dá para sentir que cada escolha artística foi feita com carinho e precisão.
DLC ASHES OF ELRANT
A DLC Ashes of Elrant te traz de volta ao universo de Chained Echoes, colocando você com o grupo Crimson Wings num momento crítico, logo antes da batalha final do jogo base. Você recebe uma missão simples que, claro, se transforma numa armadilha que te teleporta para a misteriosa cidade antiga de Elrant, lar do passado de Lenne e das origens da Ordem de Leonar.
O enredo investe numa viagem temporal com potencial para revelar muito da lore, até porque o White Wolf (novo personagem jogável) rouba a cena como um dos pontos mais legais da narrativa. Mesmo assim, a expansão não resolve grandes mistérios nem muda o final original, funcionando mais como uma história paralela que aprofunda o universo do que como um epílogo definitivo.
O sistema de combate continua com aquela base sólida que já conquistou, combate por turnos sem encontros aleatórios, com muita estratégia e uso inteligente do Overdrive. O DLC traz um chefão super desafiante com mecânica de xadrez e converte marcas em estratégias poderosíssimas. O White Wolf adiciona uma mecânica nova bacana: ele marca os inimigos ao morder, e depois causa dano extra conforme esses marcadores se acumulam. Outro sistema interessante é o Reward Board renovado; explorar Elrant te dá acesso a Poços de Poder que melhoram stats permanentemente.
Além disso, há um sistema de Pontos de Grupo (PP) para desbloquear talentos que afetam combate e exploração, como buffs, visão dos Poços de Poder, minigames, pesca, etc. Só que tem altos e baixos, a pesca é uma distração simpática mas esquecível, e o minigame de escavação oscila entre tedioso e frustrante por sua aleatoriedade.
Ashes of Elrant é uma expansão honesta e apaixonada, ideal para quem amou Chained Echoes e quer mais do mundo de Valandis. A experiência rende entre 7 a 15 horas de conteúdo nutritivo, com combates afiados, exploração recompensadora e uma atmosfera familiar e nova ao mesmo tempo.
Tem suas imperfeições (enredo desigual, minigames questionáveis, e narrativa que não ultrapassa alguns limites) mas ainda assim é divertido revisitar o universo, descobrir segredos, testar estratégias e sentir que está vivendo dentro de Valandis novamente.
CONCLUSÃO










