
Uma Review de Astrobit
O nome Alone in the Dark carrega um peso histórico. Lançado pela primeira vez em 1992, foi um dos primeiros jogos a estabelecer as bases do survival horror, servindo de inspiração para gigantes como Resident Evil e Silent Hill. Em 2024, a franquia retornou em formato de reboot, tentando resgatar a atmosfera clássica com uma roupagem moderna, unindo investigação, terror psicológico e narrativa de mistério.
Mas afinal: o retorno faz jus à importância da série?
A história: suspense no coração da década de 1920
O jogo se passa na cidade de New Orleans, durante os anos 1920, e coloca o jogador dentro da mansão Derceto, um asilo misterioso que serve de palco para eventos macabros e sobrenaturais.
Dois protagonistas estão disponíveis: Emily Hartwood (interpretada por Jodie Comer), que busca respostas para o desaparecimento de seu tio, e Edward Carnby (interpretado por David Harbour), um detetive particular contratado para ajudar na investigação.
A trama gira em torno de elementos de terror lovecraftiano, explorando temas como insanidade, alucinações e horrores cósmicos. A história é conduzida por diálogos, documentos espalhados pelos cenários e encontros com NPCs. A cada sala investigada, novas peças narrativas surgem.
É importante destacar: assim como no Resident Evil 2 Remake, é preciso zerar o jogo com os dois personagens para compreender totalmente a narrativa. Jogar apenas uma campanha entrega apenas parte da visão do enredo, deixando lacunas importantes na história.
Atmosfera e ambientação
Um dos grandes méritos do jogo é sua ambientação. A mansão e os cenários externos possuem uma atmosfera carregada de tensão, explorando diferentes estilos arquitetônicos e mudanças de ambientes que lembram a estrutura de Alan Wake 2 — embora com uma identidade própria.
Apesar das limitações orçamentárias do projeto, o estúdio conseguiu construir locais variados e intrigantes, que prendem o jogador não apenas pelo medo, mas pela curiosidade em desvendar cada detalhe.
Gráficos: altos e baixos no terror





Visualmente, Alone in the Dark entrega uma experiência irregular. Em alguns momentos, os gráficos brilham, criando ambientes sombrios e detalhados que reforçam a imersão. Porém, em outros, deixam bastante a desejar:
- NPCs parecem mal renderizados, mesmo rodando no épico/ultra.
- Há presença de desfoques e trechos embaçados na tela, mesmo ao desligar opções gráficas específicas.
- O polimento é abaixo do esperado, e detalhes técnicos comprometem a imersão.
- As cutscenes são, em sua maioria, “in game” e não cinematográficas, o que tira um pouco do impacto narrativo.
Ainda assim, a direção de arte salva o jogo. O uso de sombras, iluminação e cenários surrealistas traz um peso artístico que compensa parte das falhas técnicas, garantindo uma atmosfera única.
Gameplay: exploração e sobrevivência
Na jogabilidade, o jogo segue a tradição do survival horror clássico, mas adaptado ao padrão atual:
- A câmera é over the shoulder, já comum em jogos modernos de terceira pessoa.
- Armas e munições são relativamente fáceis de encontrar, reduzindo um pouco da tensão em relação à sobrevivência.
- Há itens colecionáveis espalhados pelos cenários que desbloqueiam partes escondidas da história e até mesmo armas específicas, incentivando a exploração.
- Os puzzles, embora não sejam extremamente desafiadores, obrigam o jogador a investigar cada canto da mansão, reforçando a imersão.
O combate, no entanto, não apresenta grandes novidades: é funcional, mas básico, sem mecânicas que realmente se destaquem.
Uma crítica aos críticos
Antes de escrever esta análise, busquei entender por que o jogo recebeu tantas avaliações negativas. Li diversas reviews e percebi um ponto em comum: a maioria critica fortemente a virada narrativa que acontece do meio para o fim do jogo.
Minha impressão, porém, é que muitos desses críticos parecem não estar familiarizados com a essência lovecraftiana que inspira a série. A narrativa, de fato, apresenta algumas derrapadas, mas continua coesa dentro de sua proposta de horror psicológico e psicodélico.
É verdade: o jogo oferece poucos sustos diretos, e quem espera jumpscares pode se decepcionar. Mas essa não é a proposta. O terror aqui é construído pela atmosfera, pelo desconforto e pelo surrealismo, e isso parece ter passado despercebido em boa parte da recepção negativa.
Outro ponto ignorado é a importância de jogar com ambos os protagonistas. Assim como em Resident Evil 2 Remake, cada campanha revela informações exclusivas. Quem joga apenas uma versão da história perde a experiência completa — e pode acabar julgando o jogo de forma injusta.
Duração
Um detalhe que pode dividir opiniões é a duração da campanha. Concluir a história leva em torno de 8 horas de gameplay. Para alguns jogadores, isso pode parecer curto demais; para outros, é um tamanho ideal, evitando que a narrativa se estenda desnecessariamente.
Vale a pena?
Mesmo com falhas técnicas e uma narrativa que exige mais atenção do que o normal, Alone in the Dark (2024) é uma experiência válida. O jogo consegue equilibrar nostalgia e modernidade, oferecendo um mergulho na escuridão da mente humana e no terror cósmico.
Não é um título que vai agradar a todos, e certamente não alcança o nível dos grandes nomes do gênero, mas para fãs de horror psicológico, de narrativas inspiradas em H.P. Lovecraft e para aqueles que respeitam a importância histórica da franquia, vale a jornada.

