Fazia tempo que um jogo em lançamento não me deixava tão animado.

Por Astrobit (Josyas França)
História
Hell is Us é um daqueles jogos que chamam a atenção logo de cara pela sua proposta e pela atmosfera que ele apresenta. Desenvolvido pela Rogue Factor e publicado pela Nacon, ele se apresenta como uma experiência narrativa sombria, que mistura exploração, combate e puzzles em um mundo semiaberto misterioso. A base da história gira em torno de um protagonista que retorna a um país devastado por conflitos e guerras civis e por forças sobrenaturais enquanto desvenda mistérios ligados a uma religião ou culto, que são no mínimo, bem interessantes. Ele parte em busca de respostas sobre sua própria origem e sobre os segredos que assolam aquela terra. Essa combinação de drama pessoal com um cenário político e sobrenatural cria uma base envolvente que prende o jogador desde os primeiros minutos. O tom sério, repleto de tensão e suspense, coloca Hell is Us como um jogo que busca entregar muito mais do que apenas batalhas desafiadoras: ele quer contar uma história forte, carregada de emoção e simbolismo.
Exploração e gameplay
A exploração em Hell is Us se destaca como um dos seus maiores pontos fortes. O jogo não aposta em um mapa inteiramente aberto, mas sim em zonas interconectadas, que se apresentam de maneira orgânica e natural ao jogador. Essas regiões são vastas o suficiente para despertar a curiosidade, mas também carregam um senso de propósito, com cenários repletos de detalhes que incentivam a observação atenta. Explorar cada canto rende descobertas, sejam documentos que aprofundam a história, rotas alternativas ou até encontros inesperados com criaturas e personagens. Essa sensação de estar em um lugar vivo, onde tudo tem uma razão de existir, dá ao jogador a recompensa de sentir que sua exploração nunca é em vão, trazendo uma ótima experiência de progressão.




Mesmo sem contar com um minimapa — uma decisão de design que poderia parecer arriscada em um primeiro momento —, Hell is Us não deixa o jogador perdido. Isso se deve ao excelente trabalho de construção dos cenários, que possuem landmarks naturais, caminhos bem planejados e uma ambientação detalhada que guia o olhar de forma intuitiva. Árvores estranhas, ruínas, rochas em formato de serpentes, isso mesmo, e até a arquitetura dos vilarejos ajudam a criar referências visuais que servem como guia natural. Esse design bem pensado acaba tornando a ausência de um minimapa não apenas irrelevante, mas até positiva, já que aumenta a imersão e obriga o jogador a prestar atenção ao mundo, em vez de apenas seguir um marcador na tela.
Os NPCs e documentos espalhados pelo jogo também têm papel fundamental em guiar o jogador. Em vez de indicar objetivos de maneira óbvia, eles fornecem pistas, relatos e descrições que o incentivam a montar sua própria rota, utilizando a bússola que o personagem carrega como ferramenta principal. Esse sistema traz uma sensação de descoberta muito mais natural, quase como se o jogador estivesse investigando de verdade os mistérios do local. Encontrar um diário que fala de uma fortaleza a leste, ou um aldeão que descreve um templo escondido nas colinas, se torna parte da jornada. Isso transforma a exploração em uma atividade mais engajada e significativa, reforçando a ideia de que o conhecimento do mundo vem da interação e da atenção aos detalhes.
Visuais e o uso da Unreal Engine
Visualmente, Hell is Us impressiona bastante. Os gráficos e as texturas são um destaque, uma vez que normalmente jogos feitos em Unreal Engine acabam tendo muitos asset’s de cenários parecidos, Hell is Us apresenta texturas e ambientação únicos o que me supreendeu positivamente com cenários que misturam ruínas antigas, natureza selvagem e construções tomadas pelo tempo de forma convincente e atmosférica, por exemplo. As cutscenes são muiot bem produzidas, ajudando a conectar o jogador com a narrativa e dando vida às emoções dos personagens, e veja, mais uma vez eu preciso destacar a importância de um jogo nesse escopo de um estúdio não muito grande em entregar esse nível de detalhe e qualidade. A história é contada de maneira clara, mas sem subestimar a inteligência do jogador, deixando espaço para interpretações e para a construção de um clima sombrio e denso. Esse cuidado na apresentação mostra que o jogo não quer apenas entregar bons momentos de jogabilidade, mas também criar uma experiência imersiva e cinematográfica, onde cada detalhe visual e narrativo contribui para o impacto geral.
Mistéiros e Puzzles
Outro destaque de Hell is Us são seus puzzles. Inteligentes e variados, eles não estão ali apenas para servir de obstáculos, mas sim como parte natural do mundo. Resolver enigmas se torna uma extensão da própria narrativa, e olha que eu fiquei impressionado até o momento com a quantidade de formatos de puzzles, não são mesmices nem puzzles repetitivos que muitas vezes vemos em jogos clássicos, cada puzzle tem sua apresentação e forma de resolver que são bem diferentes e exigem muita atenção ao ambiente, interpretação de símbolos e até mesmo usar a criatividade. Esses momentos de quebra-cabeça trazem um ritmo diferente ao jogo, equilibrando bem as sequências de exploração e combate. O jogador nunca sente que está diante de um puzzle gratuito ou forçado, mas sim de um desafio que faz sentido dentro da lógica daquele universo. Isso mantém a imersão e reforça a sensação de estar dentro de um mundo misterioso e coeso.


Outro SoulsLike? Nada disso!
Muito tem se falado sobre a comparação entre Hell is Us e os chamados jogos soulslike. E, embora ele traga alguns elementos reconhecíveis, como combates cadenciados e um certo grau de desafio, reduzir a experiência a esse gênero seria injusto. Hell is Us bebe muito mais da fonte do action horror, do suspense e da aventura sombria, com um foco claro na narrativa e na atmosfera. O combate, mesmo possuindo similaridades no peso e na estratégia, não é o centro absoluto do jogo; ele é apenas mais uma peça dentro de um mosaico maior que prioriza a contação de histórias. Essa escolha dá ao jogo uma identidade própria, afastando-o de rótulos fáceis e permitindo que se destaque em meio a tantos títulos que seguem a fórmula souls.
No fim, Hell is Us é uma experiência que busca entregar algo único dentro do cenário atual dos videogames. Ele aposta em uma narrativa densa, exploração recompensadora e uma ambientação que respira mistério e tensão. Longe de se apoiar em modismos, o jogo apresenta suas próprias ideias, mesmo que arrisque dividir opiniões por suas escolhas de design e gênero. Mas justamente nessas ousadias está o seu valor: é um título que não tem medo de desafiar expectativas e ser diferente, ele é tipo um “tudo em todo lugar ao mesmo tempo”, porém sem abrir mão de arriscar e de momentos intensos de combate e desafio. Para quem gosta de mundos sombrios, cheios de segredos e de histórias bem construídas, Hell is Us já mostra, em suas primeiras impressões, que é um jogo que merece ser explorado com atenção.
Até o momento desse texto eu estou com 9 horas de jogo e indo para a ultima missão do ato 1. Se você gostou desse artigo não esqueça de deixar seu comentário aqui no site e compartilhar em suas redes sociais.
Eu sou o Astrobit, vou ficando por aqui, e até a próxima.
