ENTRE LUZ E SOMBRAS
Se existe uma palavra que define Shadows of Zana, é contraste. O jogo da SnuggleFry Games pega a clássica estrutura de um metroidvania de ação 2D e injeta nela um sistema de dualidade que muda a forma como você enxerga e joga o seu mundo.
A história começa com Lawt, uma agente enviada para investigar o desaparecimento da Rainha de Vrila, um reino que lentamente está sendo engolido por uma energia sombria conhecida como Zana. A narrativa mistura misticismo e política de uma forma leve, mas cheia de simbolismo, e o destaque vai para o clima de decadência do reino, que parece à beira do colapso.
A demo cobre o Ato 1, e já mostra que a desenvolvedora quer entregar algo mais do que um simples jogo de plataforma. Há uma clara preocupação em construir um universo coerente, com NPCs que reagem às suas ações e segredos escondidos. Mesmo nas primeiras jogadas, é possível sentir um toque de melancolia na ambientação, algo que lembra levemente Hollow Knight e Ender Lilies, mas com um tom próprio e mais esperançoso.
JOGANDO
Logo de início, Shadows of Zana se mostra um metroidvania responsivo, com foco em combate mais técnico e exploração de camadas sobrepostas. A principal mecânica é o modo de alternância entre “luz” e “sombra”, que muda completamente o ambiente ao seu redor. Plataformas invisíveis aparecem, inimigos se tornam vulneráveis, e novas rotas se abrem. É uma ideia simples, mas que adiciona uma profundidade impressionante à jogabilidade.
O combate é direto e satisfatório. Lawt pode usar ataques físicos e mágicos, e conforme avança, desbloqueia subclasses que permitem especializações diferentes, como focar em golpes corpo a corpo, feitiços à distância ou habilidades de suporte. A combinação de até dez subclasses cria possibilidades interessantes, e mesmo na demo já dá para experimentar variações bem distintas.
Outro ponto positivo é o nível de desafio. Os inimigos punem erros, os chefes exigem paciência e leitura de padrões, e o jogo não tem medo de fazer você morrer para aprender. Nada é impossível, mas tudo exige atenção. A dificuldade é justa, e mantém o jogador engajado o tempo todo.
A exploração também é recompensadora. Há segredos escondidos, baús trancados que só podem ser abertos de tal maneira, e power-ups que mudam completamente sua mobilidade, a sensação de descoberta é constante, e isso é o que torna Shadows of Zana interessante.
VISUAL E TÉCNICO
O visual é um dos grandes trunfos aqui. O jogo tem uma pixel art lindíssima a seu jeito, com animações suaves e efeitos de iluminação que realçam a diferença entre os mundos de luz e sombra. O contraste entre as duas é impressionante, mesmo que de forma minimalista em um conceito geral, uma é colorida e acolhedora, outra escura e distorcida. A trilha sonora acompanha o ritmo de forma impecável. Músicas, com toques de piano e violinos, criam uma atmosfera imersiva e emocional até. Quando você alterna, o som também muda, dando a sensação de estar realmente atravessando dois planos de existência.
Tecnicamente, a demo roda muito bem. Os controles são responsivos, o desempenho é estável e o jogo reconhece o controle instantaneamente. Mesmo sendo uma build de pré-lançamento, não encontrei bugs graves ou quedas de performance.
CONCLUSÃO SOBRE A DEMO
Se a demo for um indicativo do que vem por aí, Shadows of Zana tem tudo para figurar entre os 20 melhores metroidvanias indie de 2025. Ele une um sistema de gameplay criativo, visuais diferentes e uma história que, apesar de simples, é carregada de atmosfera.
A alternância entre luz e sombra não é apenas um truque visual, mas o coração da experiência, e faz o jogador pensar de maneira diferente a cada passo. É um jogo que desafia, encanta e instiga, e que já mostra um potencial enorme mesmo antes do lançamento completo. Claro, se você gosta de pixel art e suas variações, para quem vive no “Mundo 3D”, esse jogo deve parecer obra de videogame antigo, mas a verdade é que ele é carregado de mecânicas atuais.









