RELEVÂNCIA
A franquia Dragon Quest é, sem dúvida, uma das mais importantes para a fundação e base do JRPG, como conhecemos hoje. Sua relevância para os videogames é inegável, assim como a franquia Final Fantasy. A outra grande franquia da Square Enix pode não ter ganho tantos fãs quanto o massivo Final Fantasy, mas possui tanta importância quanto. Quer dizer… para quem sabe o que esperar.
A grande verdade é que a franquia Dragon Quest começou a ficar realmente famosa com Dragon Quest III, o jogo responsável por evoluir a qualidade da série para um patamar respeitável. Quando comparamos os jogos originais da franquia, há uma diferença de qualidade notável entre os três títulos, com relação a escopo, jogabilidade e narrativa.
Com o sucesso do remaster Dragon Quest III HD Remake, lançado no ano passado, o movimento de remasterizar as sequências Dragon Quest I e II era natural, e foi exatamente isso que a Square Enix nos entregou em 2025.
E sim, cronologicamente Dragon Quest III é anterior aos dois primeiros jogos da série, então a coletânea com os dois primeiros foi lançada em 30 de outubro de 2025.
Conhecida como “trilogia Erdrick”, os três jogos remasterizados apresentam um estilo luxuoso de gráficos 2D com sprites 3D, criando uma combinação linda e única.
É aquele típico caso de que “uma imagem vale mais do que mil palavras”, especialmente com a mão mágica de Akira Toriyama.
É notável o esforço para modernizar os jogos após mais de duas décadas. Não somente em mecânicas e gráficos, mas também em narrativa: agora é possível ajustar a velocidade dos diálogos e há dublagem em inglês e japonês, algo muito bem-vindo.
Sem dúvidas, a qualidade da dublagem é um dos pontos mais altos dos jogos. Para quem não gosta de ler tanto texto, vai ficar feliz com as novas vozes. Contudo, apesar de ser um pacote completo e cheio de melhorias, ainda fica atrás do remake de Dragon Quest III, assim como foi há mais de 30 anos atrás.
MESMO JOGO, MAS MELHOR
Se você é fã de Final Fantasy e Dragon Quest, já sabe o que esperar: combates por turno, exploração de masmorras, missões paralelas e batalhas contra as forças das trevas.
Dragon Quest I é uma jornada solo — o jogador não tem uma equipe e precisa salvar o mundo sozinho.
Já Dragon Quest II introduz o sistema de equipe, tornando a experiência mais agradável, mas não mais fácil.
Ambos mantêm a mesma essência de gameplay, com batalhas difíceis e progressão tradicional, mas os companheiros do segundo jogo tornam tudo mais dinâmico.
Os jogos contam com modos de dificuldade ajustáveis, agradando tanto veteranos quanto novatos.
Dragon Quest I & II HD Remake não é só um show visual, mas também um espetáculo audiovisual completo.
A arte colorida, somada à trilha sonora orquestrada, recria a mesma emoção dos anos 80.
Os ambientes vibrantes e os detalhes aprimorados fazem o jogo parecer um indie moderno de altíssima qualidade.
Além disso, há novos reflexos, ratos correndo pelas masmorras, armários detalhados, baús redesenhados e uma água lindíssima totalmente refeita.
Tudo mostra que houve amor e esforço na apresentação.
Na jogabilidade, o remake traz ajustes e melhorias:
> Minimapas em todas as áreas,
> novas habilidades e feitiços,
> mais inimigos,
> e um marcador de objetivo.
A viagem rápida agora é livre e reverte-se facilmente para quem prefere o estilo original.
PERFEITO? NEM TUDO
A trama e progressão também receberam adições sutis: novos personagens, eventos e chefes enriquecem a experiência.
Porém, certos defeitos permanecem — o final de Dragon Quest I ainda é desproporcionalmente difícil, principalmente por ser uma jornada solo.
Mesmo com as novas habilidades e opções de acessibilidade, a frustração pode permanecer, ainda que menos intensa.
Por outro lado, a adição de NPCs e novos diálogos dá vida à história, e o rework da Guarda Real de Tantagel melhora a imersão.
Infelizmente, o maior pecado do remake é a ausência de localização.
O jogo só possui dublagem em inglês e japonês, e o inglês usado é o chamado “inglês shakespeariano”, com uma linguagem arcaica difícil até para quem tem bom domínio.
Isso atrapalha a compreensão da história e pode afastar o público brasileiro.
Sim, a intenção era recriar o tom medieval das falas, mas em 2025, essa escolha soa questionável.




CONCLUSÃO
No fim das contas, Dragon Quest I & II HD Remake é um trabalho feito com amor, respeito e talento.
Mas ele não é para todos os públicos.
Se você é um veterano do gênero, vai adorar revisitar esses clássicos.
Mas se é novo nos JRPGs, talvez não seja o ponto ideal para começar.
Certas experiências são melhores nas lembranças, e aqui, vemos as limitações da época refletidas, mesmo com toda a beleza e dedicação do remake.
Dragon Quest II, no entanto, se sobressai em tudo:
a jogabilidade é mais divertida, os companheiros são cativantes, e há um charme especial na Princesa de Cannock.
Ver os diálogos e interações entre os membros da equipe torna a experiência mais rica e satisfatória.
No fim, Dragon Quest II supera o primeiro, assim como no passado.
PATÔMETRO
