Quem pegar o título desta matéria pode até me acusar de sensacionalismo… Mas a verdade é que faltaram inúmeros estúdios e jogos bem conhecidos, que não estavam presentes na feira. Cheguei a entrar em contato com alguns para entender o motivo, mas eles preferiram desconversar, como se evitassem tocar no assunto.
Se o motivo fosse puramente uma questão de logística interna (dos estúdios/desenvolvedores/distribuidoras), eu provavelmente receberia a justificativa de ‘conflito de agenda’. Contudo, nenhum deles sequer deu a entender isso. A sensação que fica é de que ‘não fomos convidados’ ou, quem sabe, ‘não tivemos patrocínio’. Este último, eu até poderia compreender, mas ainda assim seria estranho, visto que muitos deles marcaram presença de alguma forma na Gamescom 2025 (evento que cobrimos, inclusive).
O foco desta edição do evento passou longe de ser realmente os jogos. Os esforços estavam mais empenhados nos periféricos. Afinal, o evento foi largamente apoiado por empresas de tecnologia como Samsung e TCL. Não há nada de errado nisso, pois gamers também respiram tecnologia, mas os jogos não podem ser um elemento secundário em um evento cujo nome já fala por si: ‘Brasil Game Show’. Aliás, além de ‘game’, o nome carrega também o ‘Brasil’.
O Brasil estava lá, no cantinho dos indies. Embora desfalcado de grandes nomes, ainda assim havia jogos de muito destaque no cenário nacional, como A.I.L.A., e também estavam presentes Bloodfang, Hellclock e muitos outros. Todos são games nacionais buscando engajamento com o público. Mas nem todos têm o mesmo aporte, e, consequentemente, uns ganham mais visibilidade do que outros.
O que faltou? Será que, com tantos patrocínios recebidos pelo evento, a área indie precisava ser tão modesta? Estandes como os da Nintendo, Samsung e Path of Exile 2 enchiam os olhos de quem passava por lá. Claro, são jogos e empresas consolidadas, e o evento não precisa se preocupar em dar suporte a eles. Então, pergunto novamente: será que os indies precisam se contentar em ter sempre um PC/console em cima de uma mesinha? O evento realmente não consegue oferecer mais do que isso?
Enfim, fico feliz pelo trabalho imenso que os indies fizeram em seu espaço. Eles sempre são os verdadeiros vencedores deste evento, porque fazem das tripas seu coração, ficam horas em pé, deixam de ir ao banheiro, repetem informações o dia inteiro e sempre demonstram entusiasmo, mesmo exaustos. Vocês são o verdadeiro Brasil Game Show!
