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BGS 25 | Entrevista EXCLUSIVA com Renato Cavallera, Chief Communications Officer na Nuntius Games

Em mais uma de nossas aventuras na BGS 25, nós conseguimos uma entrevista muito legal com a Nuntius Games.

Essa entrevista contou com Gabriel (História e Games) na condução e com Lucas (Vilger – Toca Du Corvo) no apoio.

Em entrevista exclusiva durante a BGS, Renato CavalleraNuntius Games — conversou conosco sobre o papel da publicadora no fortalecimento dos jogos independentes no Brasil, os desafios de competir com grandes publishers internacionais e a visão de futuro para o mercado nacional de games.
A seguir, você confere a íntegra da conversa.

Fonte: Site da Nuntius Games – Renato Cavallera

ENTREVISTA

Gabriel:

Renato, muito obrigado por topar essa entrevista. A gente conhece e joga vários títulos publicados pela Nuntius Games. A primeira pergunta que quero te fazer é sobre a filosofia da empresa. Como funciona o investimento de vocês nos jogos independentes? Vocês acreditam que esse é o futuro ou pretendem diversificar o foco no futuro?

Renato:

Primeiro, quero agradecer por esse espaço dado aos jogos indies. É muito importante, de verdade. E o Patobah faz isso há bastante tempo de forma excelente. Parabéns e muito obrigado.

Sobre nosso foco, entendemos que o futuro é o futuro — ele está lá na frente. Mas, neste momento, queremos priorizar o que realmente importa: dar espaço aos jogos independentes brasileiros. O Brasil tem talentos inacreditáveis, pessoas que fazem trabalhos incríveis, mas que pouca gente conhece. Muitos desenvolvedores acabam ficando nas sombras porque aqui ainda há receio de investir em games, ou então os que se destacam são apenas os que têm alguma influência ou contato. Existem muitos jogos bons que simplesmente não são divulgados.

Nosso objetivo é mostrar às pessoas, não só do Brasil, mas do mundo, que vale a pena acreditar nesses talentos. Há muitos brasileiros envolvidos em grandes produções internacionais — às vezes, sem nem serem creditados. E por quê? Porque nossa mão de obra é barata e, para sobreviver, esses profissionais acabam indo trabalhar lá fora.

A Nuntius quer mudar isso. Queremos provar que é possível acreditar, crescer e fazer o mercado nacional prosperar. Quando um desenvolvedor cresce, todos crescem. O mercado cresce, vêm novos investimentos, e todo mundo ganha com isso.

Por isso, em nossas redes sociais, não divulgamos apenas os nossos jogos. Sempre que vemos algo interessante de outro estúdio indie brasileiro, damos retweet, compartilhamos e tentamos ajudar. Não é só sobre a gente. O dinheiro é consequência. Claro que ninguém trabalha de graça, mas antes da recompensa financeira, vem o trabalho. E é esse esforço que a Nuntius quer liderar — impulsionar o cenário indie brasileiro e levar essa qualidade ao mundo.

Gabriel:

Legal, Renato. A gente conversou recentemente com o pessoal da Real Clock e do Mullet Mad Jack, e ambos comentaram que primeiro divulgaram seus jogos fora do país — com streamers da Europa e dos Estados Unidos — para só depois ganhar reconhecimento aqui. Como vocês veem essa realidade? Existe alguma forma de mitigar essa necessidade de buscar o público internacional antes de ser reconhecido no Brasil?

Renato:

Esse é um ponto muito importante. Divulgar no Brasil ainda traz pouco retorno, porque não existe uma cultura consolidada de consumo de jogos independentes. Então, mesmo quando você tenta, há um limite. E o desenvolvedor precisa de retorno, precisa pagar as contas. Lá fora, os indies contam com incentivos que aqui simplesmente não existem, e isso pesa muito. Eu entendo quem busca visibilidade internacional — e concordo que tem que ser feito.

Mas nosso objetivo é mudar esse cenário. Se criarmos uma estrutura sólida no Brasil, poderemos virar esse jogo.

A Nuntius trabalha muito com marketing. Nosso foco é formar uma comunidade em torno dos indies brasileiros — unir pessoas que amam esse tipo de jogo e querem apoiar o cenário nacional.

As pessoas precisam perder o preconceito e entender o quanto o crescimento do mercado brasileiro beneficiaria todo o ecossistema. Se o desenvolvimento nacional for forte, empresas estrangeiras começarão a olhar para o Brasil não apenas como fonte de mão de obra, mas como um polo de investimento. Poderíamos ver mais estúdios sendo adquiridos, mais localizações, mais produções feitas aqui.

O Brasil já foi um dos dez maiores mercados do mundo. Por que não podemos ser novamente? Queremos voltar ao topo. Talvez não lado a lado com Estados Unidos ou China, mas entre os grandes — e temos total condição para isso.

Gabriel:

E quais são os desafios de uma publisher indie em meio a gigantes do mercado, com orçamentos absurdos e campanhas milionárias? Como é concorrer nesse cenário?

Renato:

Sinceramente? A gente bate de frente e apanha (risos). Não tem outro jeito. Mas alguém precisa ter coragem de colocar a cara e fazer. Se ninguém tenta, ninguém muda nada.

Por isso trabalhamos com tantos influenciadores — para mostrar que os jogos brasileiros também merecem destaque. Às vezes o jogador vê um título internacional e acha incrível, mas não sabe que há um jogo nacional igualmente bom. Só vai saber se alguém mostrar o caminho.

Nossa estratégia de marketing é fortemente baseada em influenciadores. Nossos sócios são criadores de conteúdo conhecidos — como eu, o Cigrão dos Games, o Narrativando, o Velberan, o Coelho no Japão, entre outros. Todos têm credibilidade e uma rede de contatos que ajuda a abrir portas.

Com isso, conseguimos ampliar o alcance dos jogos e equiparar, na medida do possível, a visibilidade dos indies à dos títulos AAA. Assim, vamos mudando a mentalidade e diminuindo o preconceito com os jogos brasileiros.

Ainda estamos aprendendo, errando, melhorando — mas a intenção é clara: colocar os indies brasileiros no lugar que merecem.

Gabriel:

Excelente. Pensando agora no futuro: pesquisas como a Game Brasil mostram que o público nacional está jogando cada vez mais, em todas as plataformas. Vocês acreditam que esse crescimento se refletirá também no mercado indie, nos próximos cinco ou dez anos?

Renato:

Com certeza. Uma pesquisa recente mostrou que mais de 40% da receita da Steam vem de jogos independentes. Isso é enorme.

As pessoas estão entendendo o valor dos indies. A própria indústria percebe que, enquanto muitos AAA são lançados em massa e rapidamente esquecidos, os jogos independentes mantêm uma conexão genuína com o público.

O indie é feito por quem ama jogar, por quem entende o que o jogador quer. Ele custa menos para ser produzido, é mais acessível para o consumidor e entrega experiências autênticas.

Na Nuntius, por exemplo, o nosso jogo mais caro custa R$29,99 — e temos títulos por menos de R$10. O Sapo 3D é um ótimo exemplo: começou de forma simples, mas foi crescendo, conquistou público, ganhou uma Definitive Edition com novas fases e melhorias. Isso mostra o potencial do indie.
Nosso foco é esse: alcançar mais pessoas. Se mais gente conhecer, mais gente vai comprar, e o mercado inteiro cresce. O importante é levar os jogos ao público — o lucro vem depois, como consequência natural.

Gabriel:

Por fim, notamos que nesta edição da BGS há menos jogos independentes em exibição do que no ano passado. Você gostaria de comentar sobre isso?

Renato:

Sim. É algo que preocupa. Muitas vezes, o desenvolvedor indie não consegue arcar com os custos para participar de eventos grandes. Às vezes o investimento não traz retorno imediato, e isso desanima.

Mas o que eu espero é que, cada vez mais, esses eventos criem espaços acessíveis e estruturados para valorizar os jogos independentes. Afinal, são eventos de games — e o Brasil produz games.

Não estou dizendo que os organizadores não apoiam, mas é fundamental garantir que os jogos indies tenham o destaque e o respeito que merecem. Assim, todos ganham: o público, os desenvolvedores e os eventos.

Gabriel:

Perfeito, Renato. Para finalizar, quer deixar alguma novidade da Nuntius?

Renato:

Claro! Temos várias. Além do Sapo 3D – Definitive Edition, lançamos também Ao Revoar, que conta com dubladores de renome e é um belíssimo point-and-click.

Agora, no fim de outubro, lançaremos Geto Zombies, inspirado em Zombies Ate My Neighbors, de Super Nintendo. Ele sai para Steam e, com exclusividade nos consoles, para Xbox.

Logo no início de novembro chega ShardSquad, que mistura Pokémon com Vampire Survivors — uma combinação que o pessoal vai adorar.
Todos esses títulos já têm demos gratuitas disponíveis.

Convido todos a conhecerem os jogos da Nuntius Games na Steam. São acessíveis, bem feitos e mostram o potencial que o Brasil tem para se tornar um dos grandes nomes da indústria mundial.

Agradeço imensamente ao PatoBah por esse espaço e por sempre apoiar o cenário nacional. Estamos juntos nessa missão de fortalecer os jogos brasileiros.

Gabriel:

Renato, foi um grande prazer conversar com você. Parabéns pelo trabalho e pela visão inspiradora.

Renato:

O prazer foi meu. Muito obrigado pelo apoio e por acreditar nos jogos brasileiros.

Nós do Patobah estamos MUITO agradecidos por essa entrevista e esperamos nos encontrar em outros eventos sempre que possível.

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