HISTÓRIA/PREMISSA
Confesso que eu não esperava me sentir tão imerso dentro do Império Romano de novo, mas Anno 117: Pax Romana me fez querer abrir uma garrafa de vinho e fundar minha própria república (claro, isso só virtualmente).
O jogo da Ubisoft te coloca como governador romano, podendo escolher entre Marcus, o político certinho tentando provar seu valor, ou Marcia, uma estrategista com mais segredos do que o Senado gostaria.
A história vai muito além de “construa e prospere”. Aqui, você vive o dilema de um império em expansão e precisa decidir até onde vai a paz e onde começa o controle. A narrativa traz um equilíbrio bem interessante entre política, religião e cultura. E o melhor é que tudo isso acontece em duas regiões completamente diferentes: Latium, o berço clássico de Roma, com seus templos e mares azuis, e Albion, uma terra fria e indomada.
Cada província conta a sua própria história. Uma é um lembrete do que Roma já conquistou, a outra é um lembrete de que nem tudo pode (ou deve) ser controlado. E no meio disso, lá estou eu, tentando manter meus cidadãos felizes enquanto escolho entre agradar os deuses ou pagar o pão do povo. Difícil, mas viciante.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
Se você já jogou Anno, vai se sentir em casa, mas Pax Romana muda o jogo de forma bem inteligente. A base de construção e gestão de recursos continua lá, mas agora há um foco muito maior em decisões culturais e morais.
Logo no início, percebi que administrar uma colônia romana é mais do que erguer prédios bonitos. Os romanos exigem conforto, banhos públicos e vinho. Já os celtas querem algo mais simples (tipo queijo e cerveja, o que honestamente faz todo sentido). Essa diferença de culturas cria um equilíbrio delicado de gerenciar, porque nem sempre dá pra deixar todo mundo feliz.
E não é só isso. O sistema de deuses é uma das melhores ideias do jogo. Cada divindade traz bônus únicos, então escolher se você vai seguir Marte, Ceres ou Minerva muda totalmente o rumo da sua campanha. É o tipo de mecânica que faz você pensar como um verdadeiro romano, pesando fé, política e estratégia numa mesma jogada.
O sistema de descobertas (Discovery Tree) também é outro ponto forte. Ele permite que você avance em áreas civis, econômicas ou militares, desbloqueando novas construções e tecnologias com base no seu estilo de jogo. Quer investir na paz e no comércio? Vá por Ceres. Prefere guerra e glória? Chame Marte pra conversa.
E pra quem só quer relaxar, o modo sandbox é um paraíso. Sem pressão, sem inimigos, só você, o tempo e a vontade de construir uma cidade linda e funcional. (Ou de ver o caos acontecer, se for esse o caso).
DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA
Agora, falando sério, Anno 117 é absurdamente bonito. As paisagens de Latium parecem pinturas, com colinas douradas e aquele sol romano que quase dá pra sentir o calor. Já Albion é outro mundo, frio, úmido e com florestas que parecem saídas de um filme. A direção de arte é um espetáculo, e cada cantinho da cidade ganha vida com uma riqueza de detalhes impressionante.
O clima dinâmico e o ciclo de dia e noite fazem tudo parecer vivo de verdade. E não posso deixar de elogiar a trilha sonora, que é épica sem ser cansativa, sempre acompanhando o ritmo da sua expansão.
Tecnicamente, o desempenho é ótimo. O jogo roda suave, tem menus bem organizados e ainda conta com um modo foto pra mostrar o quão bom você é em urbanismo digital.
Ah, e a Ubisoft prometeu um Year One Pass recheado, com expansões que vão desde erupções vulcânicas com o deus Vulcano até corridas de bigas no Hipódromo. Ou seja, o império ainda vai crescer muito.







CONCLUSÃO
Anno 117: Pax Romana é, sem exagero, um dos melhores jogos de construção que já joguei nos últimos anos. Ele consegue ser histórico e divertido ao mesmo tempo, equilibrando política, cultura e estratégia de um jeito que te prende por horas sem perceber.
Não é só sobre construir cidades, é sobre administrar um povo, lidar com crenças, manter a ordem e ainda tentar não irritar os deuses no processo. E, olha, quando você acerta o ritmo e vê sua colônia prosperar, dá aquela satisfação que poucos jogos conseguem entregar. Com história forte, gameplay refinado e uma direção de arte impressionante, esse game é o auge da série e um dos city builders mais elegantes que já vi.
PATÔMETRO
