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Review de Disco Elysium | PC

HISTÓRIA/PREMISSA

Esse é um jogo em que a história é TUDO. Portanto, falarei o mínimo do mínimo para não afetar a sua experiência. Você começa o jogo de cuecas em um quarto todo quebrado e com….tcharammmm: amnésia. Não sabe seu nome, nem o que aconteceu e nem o que está fazendo ali.

Nos primeiros minutos, você descobre que é um policial e que tem um crime a desvendar. Só posso dizer isso, a partir daí estragaria sua experiência.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

Bem, posso começar dizendo que esse é um jogo bem nichado. Daqueles que definitivamente não são para qualquer pessoa. 

O jogo começa com você escolhendo como será seu personagem. Você tem três pré-montados e a opção de montar o seu da forma que quiser. Eu escolhi montar o meu e busquei distribuir os doze pontos de habilidades de forma relativamente equilibrada pelos quatro atributos. Os atributos são: Intelecto, Psique, Físico e Habilidades motoras. Cada ponto que você atribui, define o nível máximo que as categorias do atributo podem chegar. Por exemplo, se você definiu Intelecto como quatro, o máximo que a categoria “cálculo visual” pode atingir é quatro. É possível modificar isso com o estudo de “bônus de reflexão” que vou falar mais adiante.

Cada atributo é subdividido em seis categorias.

Bem, aqui começam alguns problemas que eu tive com o jogo: a interface. Usando apenas o controle, eu não consegui alterar os pontos de atributos e tive que usar o mouse. Confesso que no início do jogo eu demorei a entender como funcionava a interface com o controle. Depois que você entende, é simples, porém bizarra de qualquer forma. 

Após passar pela definição do seu personagem, o jogo começa e mecanicamente falando, você anda, interage com objetos e personagens e lê texto, MUITO TEXTO

Disco Elysium é um RPG Narrativo, bem narrativo!

Aqui tem meu primeiro alerta: Se você não gosta de ler texto em jogo, nem comece. Esse jogo é basicamente 90% leitura de texto e escolha de opções. Nenhuma necessidade de habilidades manuais. Zero. 

Aí você pode se perguntar. Porra, mas que jogo xarope hein? Aí voltamos ao ponto original. Você tem que gostar de ler e curtir a história. 

A gameplay vai usar os pontos de habilidades que você definiu no início e que vai evoluir ao longo do jogo para te oferecer testes a determinadas opções de diálogo e que vão influenciar bastante o desenrolar da história.

As roupas que você usa, também afetam os atributos, seja positiva ou negativamente. Use-as conforme as situações se apresentarem. Como não sabemos qual subcategoria de teste surgirá, é melhor salvar o tempo todo e se aparecer uma categoria que você não está preparado, recarregue e ajuste as roupas para ajudar. 

Eu guardava os pontos de habilidade para ir subindo nos momentos em que eu precisava. É possível subir de nível no meio dos diálogos, mas não é possível mudar a roupa. Os testes são afetados por várias coisas, entre elas, interações anteriores, achados e por fim, sua habilidade na categoria a ser testada. O jogo te apresenta um percentual de chance de sucesso e rola dados para determinar o acerto ou erro. 

Alguns testes são “brancos” e podem ser repetidos e outros “vermelhos”, ou seja, uma única tentativa.

O jogo também tem uns “bônus de reflexão” que você vai descobrir e onde pode gastar pontos de habilidades para aprendê-los. Eles trazem benefícios para certas categorias dando bônus automáticos ou aumentando o máximo que você pode atribuir a elas. Alguns causam atributos negativos e infelizmente não tem como saber antes. Tem que aprender para descobrir ou procurar na Internet. Eu fui na “sorte” e não me arrependi de estudar todos que encontrei.

A interface do jogo que comentei anteriormente foi mal portada para o uso de controle em minha opinião. Vários momentos eu tive que usar o mouse pois tive dificuldades para navegar para onde queria. Encontrar por onde andar não é exatamente evidente. 

A interação com os objetos é bizarra. Funciona assim: você pressiona LB, o jogo realça os objetos ou pessoas e você usa o direcionar para passar por todos os pontos de interação até o que deseja e depois pressiona A. Na prática, você vai andar o jogo todo com o LB pressionado sob o risco de deixar passar muita coisa.

Comecei achando o jogo chato, mas com umas quatro a cinco horas a história começou a me fisgar e a partir daí foi interessante. 

Alguns amigos me disseram que tiveram Plot Twists incríveis. Eu achei relativamente linear. Claro que tudo depende muito das suas escolhas e em vários momentos você pode ver que poderia ter tomado rumos bem diferentes. 

DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA

Tecnicamente o jogo não é exatamente perfeito. Ele foi desenvolvido com o motor gráfico Unity e aqui no meu Laptop com i9 e RTX 4080 teve algumas dificuldades. A taxa de quadros variou bastante entre momentos de 120 fps a outros de parecer que ia crashar de tão lento. Isso a 4K com tudo no máximo. Como os gráficos não são o forte desse jogo, eu baixei para 1440p e aí tudo se resolveu. Não para dizer que é um primor da otimização.

Graficamente o jogo é estilizado e nesses casos, dizer se é bom ou ruim é muito gosto pessoal. Eu particularmente achei mais ou menos. 

A versão que joguei, The Final Cut, tem todos os textos falados em inglês com texto em português e é muito satisfatório e bem executado. 

As músicas são poucas e isoladas, mas dá para entender por se tratar de um estúdio pequeno.

CONCLUSÃO

Disco Elysium é um RPG Narrativo para quem gosta mesmo de ler. Pode ser cansativo e decididamente não é para qualquer pessoa. Achei a história e o universo do jogo muito bacana, mas longe de ser esse masterpiece que muitos descrevem.

Levei 32 horas para terminar uma run do jogo e apesar de ter gostado, não foi o suficiente para querer fazer outra.

Quer uma nota? 75

PATÔMETRO

75
Licença adquirida no Steam
ZA/UM
Dev e distribuição

Review de Jogos / Criador de Conteúdo
Ex empresário e professor de Assembly, atualmente vive em Portugal e adora passar o tempo nos seus joguinhos, com o gênero RPG de turno como seu preferido. Além de videogames, adora viajar e curtir uma boa gastronomia.

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