Atlas Fallen: Reign of Sand é a versão definitiva do hack n’ slash da Deck 13. Simples, direto e com um foco no combate e exploração em seções menores — apesar de uma história com potencial —, o jogo se preocupa apenas em ditar o ritmo com uma campanha que joga no seguro.
Quem me acompanha sabe o quanto gosto da DECK 13. O estúdio alemão existe desde 2007, com sua franquia de estreia, Ankh, e eles são os desenvolvedores do primeiro Lords of the Fallen, de 2014. No fim, acabaram conquistando minha simpatia de verdade com o excelente souls-like The Surge. Embora contando com poucos chefes, o primeiro jogo e sua sequência vivem na minha mente como um dos souls mais divertidos do mercado e que recomendo até hoje.
Seguindo no mercado e com uma engine proprietária, Atlas Fallen foi lançado em 2023. O jogo parecia um pouco simplório demais e, com as críticas saindo, o estúdio soube trabalhar para melhorar o produto. A atualização foi lançada um ano depois com o nome de Reign of Sand. Grátis e com um retrabalho nas vozes dos personagens, nova missão e um COOP não obrigatório, a grande pergunta é: vale o tempo?
HISTÓRIA/PREMISSA
Atlas Fallen conta a história do reino humano Atlas. Antes cercado por animais, natureza e recursos abundantes, o reino criado por dois deuses distintos se vê atualmente em caos, morte e escravidão. Os calibãs, monstros formados por areia, caçam e rondam as terras. Você é um inominável, uma casta inferior onde sua vida vale menos que nada. Fadado a servir os guerreiros protetores do deus Thelos, durante uma excursão nos desertos escaldantes desta terra, você encontra uma manopla mágica. A partir daí, o fio condutor são os acontecimentos que virão após esse encontro.
Não vou mentir: Atlas Fallen é lotado de clichês de filmes distópicos, onde o fio condutor são as representações da humanidade em realidades opressoras e grupos que se parecem MUITO com algumas abordagens que vemos na vida real. Um herói com forte senso de justiça e leal ao povo e sua cuidadora? Bingo. Uma catástrofe que assola todo um reino e que ninguém mais vê salvação ou saída plausível? BINGO DE NOVO! Ainda assim, a história cumpre seu papel e nos relembra que contos não precisam ser a todo tempo impecáveis e que um “arroz com feijão” no prato também faz bem.
GRÁFICOS
O estúdio usou uma engine gráfica da casa para construir o mundo do jogo e tudo que nele habita, chamada Fledge. O resultado? Não tão bom quanto se esperava. O jogo simplesmente não é bonito. Apesar de cidades um pouco mais detalhadas, o bioma desértico que impera nas regiões do jogo tem pouquíssima variedade e, mesmo com as texturas mais trabalhadas — como os sets de armaduras e os inimigos que encontramos —, elas ficam estouradas ou em baixa resolução quando aproximamos o zoom no menu ou durante as lutas. Uma pena. Atlas Fallen se passaria como um jogo da geração passada facilmente.
JOGABILIDADE
O foco do jogo, sem sombra de dúvidas.
Na exploração, temos coletas de tesouros, observação de animais para coletar pistas para estes tesouros, caça a inimigos de elite, torres de observação e pontos de salvamento. O lado bom dessas missões é que as recompensas ajudam e elas não são exageradas, daqueles tipos que lotam demais os mapas. Tudo é pensado e planejado para não te enjoar.
O personagem tem cinco requisitos para representação de poder no jogo: Recuperação, que vai ditar a sua vida; Ataque e Defesa, que dispensam qualquer comentário; Fortuna, que vai ditar a incidência de habilidades pautadas no aleatório; e a última e não menos importante, Pulverizar, onde o aumento dessa barra específica melhora o seu movimento de ataque supremo. Não há segredos nem macetes.
Um sistema de vida comum para inimigos menores continua idêntico ao que vimos em outros jogos. Os maiores são divididos por partes, e aqui que as coisas ficam mais interessantes: caso queira aprender a derrubá-los, deve atacar não só o centro do inimigo, mas todas as partes vulneráveis. Junte isso a um parry responsivo e com status personalizáveis, uma barra de ímpeto que, conforme se enche, usa e abusa de efeitos para te fortalecer e, claro, habilidades com o toque de um botão. Temos aqui a verdadeira alma de Atlas Fallen.
É muito simples: as habilidades são divididas por três segmentos e quatro cores diferentes de pedras de essência (uma das moedas do jogo para evolução). Azul para melhorar ou focar sua construção em ímpeto (o “mana” do jogo); Verde para vida; Vermelho para ataque; Amarelo para defesa. Tudo é bem explicado e com um menu intuitivo e fácil de usar. A variedade é absurda e as combinações são as mais variadas possíveis.
O único pormenor da jogabilidade é o sistema ordinário de missões. Divididas em primárias, secundárias e tarefas, não há um trabalho melhor e distinto em suas tramas, à exceção, claro, das principais. Atlas Fallen tem um sistema divertido e descompromissado de evolução. Orgânico e direto, o jogador focará muito mais na diversão em criar diversas combinações do que em todo o resto.
SOM E MÚSICA
O destaque maior fica para o retrabalho de vozes. Impecável como sempre, Ben Starr dubla o inominável masculino, enquanto Monique Burias Chi também faz um ótimo papel com a inominável feminina. É notável o trabalho do estúdio em revitalizar diálogos e melhorar as interações, ainda que elas soem simplórias demais mesmo hoje no produto final. As trilhas sonoras são comuns e os efeitos sonoros não se destacam também. Faltou uma elaboração desse aspecto nos inimigos.
PARTE TÉCNICA
Esta grande atualização revitalizou o jogo em muitos aspectos. Apesar da simplicidade gráfica, a performance ficou ótima e tive poucos bugs visuais no jogo e nenhum crash. A única hora que fiquei incomodado foi com os animais travando no cenário nas missões específicas onde eles desenterram tesouros. No geral, bom trabalho da Deck 13.






CONCLUSÃO
Atlas Fallen não é memorável o tempo todo e claramente é, no máximo, um bom jogo. A obra pode passar despercebida devido aos gráficos simples e história clichê, mas seu combate divertido e o charme que remete a grandes clássicos do gênero hack n’ slash me mantiveram jogando. Em um mundo lotado de souls-likes — que até mesmo esta desenvolvedora soube fazer um exemplar MUITO BOM, diga-se de passagem —, Atlas Fallen é uma diversão barata de semanas. Sua campanha enxuta e mundo compacto entregam um produto que tenta ganhar a sua atenção.
Recomendo demais em promoções ou para jogar no serviço de assinatura do seu console favorito ou PC.
HISTÓRIA
GRÁFICOS
SOM E MÚSICA
JOGABILIDADE
PARTE TÉCNICA
PATÔMETRO
