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REVIEW | BROKEN SWORD: SHADOW OF THE TEMPLARS

HISTÓRIA/PREMISSA

Broken Sword: Shadow of the Templars não é apenas um jogo; é uma instituição dos adventures point-and-click. Lançado originalmente em 1996, ele definiu uma era. Agora, com a versão Reforged chegando ao Nintendo Switch, a Revolution Software promete entregar a versão definitiva da primeira aventura de George e Nico. Mas será que um jogo de quase 30 anos ainda tem fôlego para prender a atenção em 2025, ou a nostalgia está carregando esse piano sozinha?

Nós mergulhamos na conspiração dos Templários novamente para te dizer se vale a pena gastar seus preciosos trocados da eShop.

A trama começa daquele jeito icônico que todo fã conhece: Paris, um café tranquilo, um palhaço sinistro e KABOOM. O turista americano George Stobbart sobrevive por pouco a um atentado a bomba e, em vez de fazer o sensato e voltar para a Califórnia, decide investigar por conta própria.

Ele logo se une à jornalista francesa Nico Collard, e o que começa como uma busca por justiça vira uma caça ao tesouro global envolvendo os Cavaleiros Templários, cultos antigos e assassinos disfarçados.

A escrita continua afiada. O humor de George é seco e sarcástico, e a química com Nico funciona muito bem. No entanto, é preciso dizer: o roteiro é filho de seu tempo. Alguns estereótipos de nacionalidades são bem caricatos (o que o jogo até abraça, mas pode fazer alguns torcerem o nariz hoje em dia) e o ritmo é mais lento do que estamos acostumados.

Ainda assim, como um thriller de mistério, a história dá um banho em muita produção “AAA” moderna que se leva a sério demais. 

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

A base do gameplay é o clássico: investigar cenários, coletar itens que parecem inúteis e combiná-los para resolver puzzles.

A versão Reforged traz uma novidade muito bem-vinda: o Modo História. Nele, o jogo remove algumas das frustrações originais (como “dead ends” onde você podia morrer ou travar) e oferece um sistema de dicas dinâmico. Para quem não tem paciência de ficar pixel-hunting (caçando pixels na tela), isso é uma salvação.

No Switch, a adaptação dos controles ficou competente. Você pode jogar tanto com os Joy-Cons, controlando um cursor virtual (que funciona bem, mas às vezes é lento), quanto usando a tela de toque no modo portátil. A tela de toque é, de longe, a maneira mais intuitiva de jogar, transformando o Switch quase em um tablet de luxo para jogos point and click.

DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA

Aqui é onde Broken Sword Reforged justifica sua existência. A Revolution Software não apenas “aumentou a resolução”; eles rededesenharam os cenários e sprites à mão, baseando-se nos layouts originais. O resultado é, sem exagero, deslumbrante. Parece que você está jogando um filme de animação da Disney ou Don Bluth dos anos 90.

As cores saltam na tela do Switch. A iluminação dinâmica adicionada aos personagens 2D dá uma profundidade que o original nunca teve.

E o melhor recurso? Com um toque de botão, você pode alternar instantaneamente entre o visual original de 1996 e o Reforged. A transição é suave e serve para mostrar o trabalho absurdo que a equipe teve. Ver a diferença de um cenário pixelado para a arte 4K nítida é chocante.

A trilha sonora composta por Barrington Pheloung continua magistral, dando o tom de mistério e perigo perfeitamente.

Porém, temos um problema técnico aqui: a dublagem. O jogo manteve os arquivos de áudio originais. Embora a atuação seja clássica e cheia de personalidade, a qualidade do som é… “crocante”. Você tem visuais cristalinos em 4K acompanhados de vozes com compressão de áudio de 1996. Em alguns momentos, o contraste é tão grande que tira um pouco da imersão, parecendo que as vozes estão saindo de um rádio velho enquanto o jogo parece um filme novo.

CONCLUSÃO

Broken Sword: Shadow of the Templars – Reforged é uma carta de amor feita com muito carinho. Para os fãs veteranos, é a maneira definitiva de reviver a nostalgia. Para novos jogadores, o sistema de dicas e o visual renovado removem as barreiras de entrada que os jogos dos anos 90 costumam ter.

Ele tropeça na qualidade do áudio comprimido e em alguns bugs chatos que podem te obrigar a recarregar um save, mas nada que apague o brilho dessa jóia. É um jogo relaxante, inteligente e visualmente lindo para se ter na biblioteca do Switch.

Se você gosta de mistério e não se importa com um ritmo mais cadenciado, vale muito a pena explorar Paris novamente ou quem sabe pela primeira vez.

Um grande obrigado à Revolution Software pelo acesso.

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