Bruno Castelo Destaque Jogos Review/Análise

Review de Heroes of Mount Dragon | PS5

Heroes Of Mount Dragon é um jogo Beat’em up com ótimas ideias, boa campanha e modo online competitivo. Ainda assim, a jogabilidade patina um pouco no Hitbox e na movimentação, e o design extremamente simplório de fases, aliado a uma história exageradamente cômica, atrapalham a experiência.

Heroes Of Mount Dragon é um jogo idealizado por 9 pessoas, desenvolvedores que vieram da Ubisoft e Beenox. É um daqueles casos onde um estúdio, mesmo diante de inúmeros desafios, consegue a força necessária para ver seu projeto sair do papel, o que é louvável, ainda mais nessa indústria cheia de riscos que é a de videogame. Aqui, o resultado é bom no geral, mas há espaços para polimento em futuros patches ou, quem sabe, na sequência, se o jogo conseguir seu espaço entre os Beat’em ups do mercado.

 

HISTÓRIA/PREMISSA

O jogo conta a história de oito heróis. Cada um deles veio de um reino dividido em oito regiões distintas, e todos esses indivíduos têm algo em comum: cada um recebeu um ovo do supremo dragão celestial para se fundirem à sua essência e se tornarem as primeiras almas dracônicas do mundo.

Unindo a força e a destreza desses guerreiros a um propósito de guardar o reino de Üna, os heróis agora terão que lutar contra uma ameaça desconhecida que acabou trazendo instabilidade à região. O momento coincidiu justamente com o sumiço do Dragão Supremo, o suposto protetor do reino. Clichê? Sim. Mas a história cumpre seu papel, e os desenvolvedores realmente se esforçaram em criar um pano de fundo maior para essa trama.

Porém, isso ocorreu apenas para alguns heróis, e aqui mora o maior problema da história e do roteiro da obra. Apenas quatro heróis principais têm suas nuances e tramas reveladas. Até mesmo interações durante as missões do jogo ficam só entre eles, como se todo o resto do esquadrão não existisse. Sim, eles foram colocados pelo time de desenvolvimento durante os mais diversos testes com a comunidade para dar mais variedade. Devo dizer que entendo, por conta do escopo do projeto, mas acho que eles deveriam sim ter investido em uma narrativa para esses guerreiros. Torcendo para que isso ocorra em uma DLC ou conteúdo extra.

GRÁFICOS

O jogo se divide em atos, e cada um tem sua leva de inimigos e cenários diferentes. De florestas lotadas de perigos até um vilarejo de goblins, aqui, apesar dos clichês de fantasia, há um claro esforço dos desenvolvedores em variar o tempero. Outro trabalho bacana é o dos personagens. Eles variam de um Ogro gentil ao já conhecido elfo enigmático e, apesar de diferenças pontuais, é notável o esforço na criação deles. Talvez minha crítica nesse departamento seja apenas a repetição dos inimigos e o desenho extremamente simplificado de alguns personagens. Nada que atrapalhe a diversão, no entanto.

JOGABILIDADE

Um pouco engessada, é difícil de se acostumar em um primeiro momento. Contudo, o maior problema é na movimentação e no hitbox, seja dos inimigos, seja dos heróis. Mover-se e correr funciona normalmente, como deveria. Porém, o personagem só corre em uma direção, sem a possibilidade de desviar de ataques. Para piorar, os ataques só funcionam em algumas direções, mesmo o jogo tendo foco em arenas multidirecionais, o que confunde e gera estranheza. Errar golpes ou se frustrar com um projétil que parecia não te atingir, e no final acaba atingindo, é muito comum no jogo.

Há a mecânica de golpes aéreos e combos, mas tudo é extremamente simplificado, de modo que você se adapta rapidamente. Você coleta experiência, sobe de nível e, com isso, destrava mais golpes, aumento de vida e novos golpes para sua forma de dragão. Há uma barra de vida, mana e 3 vidas iniciais cada vez que você inicia uma fase. Para um jogo do gênero, parece suficiente. Mas a jogabilidade é o núcleo da experiência de qualquer beat’em up e, infelizmente, aqui ela não flui tão bem quanto deveria.

As fases se resumem a andar e bater, mesmo com pouquíssimas interações diferentes. Geralmente, em outros jogos há maneiras de se diminuir a repetitividade, mas aqui, infelizmente, isso não ocorre. O cooperativo gera bons momentos e diverte, mas a simplicidade exagerada das fases e os problemas relacionados ao hitbox e direcionamento de personagens atrapalha.

SOM E MÚSICA

Com exceção do tema principal e efeitos sonoros muito competentes, nada muito fora do comum. Não há o que exaltar, mas nem de longe os efeitos sonoros são ruins ou genéricos. Tudo é coeso aqui e, pelo escopo do projeto, é compreensível. A única coisa que poderia abrilhantar um pouco seriam diálogos falados para os personagens, e não apenas só para o narrador da trama. Quem sabe em uma próxima oportunidade?

PARTE TÉCNICA

Quase impecável. Bugs como inimigos ficando presos em animações de movimentação, sem revidar meus ataques, e algumas quedas de FPS em certas transições de fases me incomodaram. Contudo, no aspecto geral, tudo está funcionando perfeitamente. O Port para o PS5 é muito bom.

CONCLUSÃO

Heroes Of Mount Dragon tem potencial. É o primeiro jogo de um estúdio de veteranos que carrega muita força de vontade e, acima de tudo, boas ideias. A história é bacana, e os heróis são variados o bastante para uma franquia se estabelecer no gênero, com toda a certeza. Porém, no futuro, seria interessante um polimento maior nas mecânicas de jogabilidade, variedade de estágios e, com certeza, um foco maior na trama dos outros heróis. A impressão que fica é que Heroes Of Mount Dragon ainda pode e deve ficar melhor. Resta torcer por mais atualizações ou incrementos na campanha.

HISTÓRIA

GRÁFICOS

SOM E MÚSICA

JOGABILIDADE

PARTE TÉCNICA

80
70
70
60
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PATÔMETRO

72
Licença enviada por:
indie.io
Agradecemos pela oportunidade.

Review de Jogos | Criador de Conteúdo
Fã de PlayStation, mas não da Sony | Fã de Castlevania | Gamer | Apresentador do programa "Castelo do Caos" no Youtube.

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