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DISPATCH episódios 3 e 4 – Evoluindo a narrativa com personagens imperfeitos

Imperfeições, narrativa direta e sutilezas se tornam mecânica central desses episódios.

Lembrando que vou evitar spoilers, trarei a minha opinião sobre narrativa e rapidamente sobre o game, como ele não finalizou vou deixar o review quando todos os episódios sairem.

A Telltale conquistou o seu espaço na industria e nos corações dos gamers criando jogos narrativos onde supostamente as escolhas teriam grandes impactos em sua narrativa, seguindo uma leva de temporadas episódicas, ela trouxe a “vibe” das séries semanais para os games, lançando episódios com ótimos ganchos e espaços de tempo entre cada lançamento.

Infelizmente a mesma passou por grandes problemas nos últimos anos, deixando assim milhares de fãs órfãos de um novo título, sem falar os que estão aguardando a segunda temporada de The Wolf Among Us, que tem um futuro incerto. Porém fomos agraciados com Dispatch, um game narrativo de heróis feito por ex-funcionários da Telltale, a AdHoc Studio (que inclusive estavam trabalhando na segunda temporada de The Wolf Among Us) junto com a galera da Critical Role (The Legend of Vox Machina).
O projeto entrega uma proposta interessante, com um time de peso e um ótimo elenco que teria tudo para funcionar na época em que estamos.

Mas depois desses novos episódios, Dispatch trás uma evolução em suas mecânicas e história?
No texto de hoje vou analisar a narrativa e as surpresas de gameplay. Caso tenha caído de paraquedas nesse texto, temos a análise dos primeiros episódios clicando AQUI, e caso goste do que leu recomendo adquirir o game nos links disponíveis no final do texto.

Surpresas em gameplay

Existe algo além do óbvio, mas que também é importante e que quero trazer futuramente em minha review sobre Dispatch, a gameplay. Seguindo o básico, esse game mantém o que os títulos da Telltale se propõem, mas tira os momentos de ação por diálogos rápidos e sequências de hackeamento, que estranhamente podem ser tão emocionantes quanto uma luta contra um ser de fábulas, zumbis ou vilões de Gotham.

O interessante é que não seguiu um padrão nesses novos episódios. Surpreendentemente, o cenário em que estamos “habituados” é alterado em mecânica devido à narrativa e à moral da equipe, e isso traz uma quebra de expectativas que parece ser frustrante inicialmente pelos erros propositais nos minigames, mas como o palco estava preparado para isso, a situação se torna uma novidade divertida.
De forma inteligente, nos conectamos mais aos personagens quando os conflitos pessoais são resolvidos e o trabalho em equipe volta a funcionar.

Os personagens de Dispatch são imperfeitos, egotistas e imprevisíveis, e isso vai se adequar à gameplay criando situações em que você fica sem suporte e precisa se virar com o que tem.
Aqui entra a importância de evoluir bem os personagens e aproveitar os poderes que dão bônus solo e em equipe.
Novas mecânicas, novos personagens, escolhas que fazem a gente pausar o jogo e harmonia com a narrativa fazem a gameplay manter o ritmo e não desandar pela simplicidade.

Narrativa direta e indireta

Novamente, vamos tocar na tecla de elogiar a narrativa de Dispatch. Felizmente os elogios não são à toa — o game está maravilhoso. Inclusive, até os comentários emocionados falando que o game é GOTY (inclusive até eu entrei na brincadeira).
Pois se chegamos a esse ponto, merecendo ou não, o game está acertando em algo.

Como estava prevendo, esses episódios aprofundam núcleos de personagem e relacionamentos, com foco bem direto em uma personagem favorita do público.
Por mais que seja compreensível o roteiro priorizar a mesma, isso não faz a narrativa perder — pelo contrário, ela ganha muito.
A escrita é boa, o cast trabalhou muito bem, e você se alegra tanto que quer saber logo o desfecho, como uma torcida de fato.
Isso diz muito sobre como a AdHoc Studio e a Critical Role estão no caminho certo.

O melhor disso tudo é ver que ainda temos tempo para outros desenvolvimentos, quebras de expectativas e um grande desenvolvimento sutil, que talvez passe despercebido por alguns, mas tão rico quanto a rota mais direta.
Surpreendentemente, chegamos nisso em dois episódios com menos de uma hora de duração cada.

Se mantiver isso até o fim, até os elogios mais emocionados vão se fazer valer, pois são poucas narrativas que chegam a esse ponto — principalmente nesse ritmo.
Claro que eu gostaria de mais foco em outros personagens, principalmente novos relacionamentos e aprofundamentos para expandir a galeria de personagens que já temos.
Mas com o tempo e os episódios que faltam, não sei até onde isso será possível.

Quando lançam os próximos episódios?

Os episódios 5 e 6 de Dispatch lançam dia 5 de novembro (quarta-feira) e estão disponíveis para compra nas plataformas PC (Steam) e PlayStation 5.
Se você é fã do estilo, a compra é mais que certa.
Agora, se prefere esperar, recomendo aguardar minha análise completa, que estará disponível AQUI (Em breve) assim que saírem todos os episódios desta temporada.

Jornalista / Colunista / Análise de jogos
Dono do canal Toca du Corvo, no Youtube.

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