O MELHOR ARPG, O MELHOR ROGUELITE E A MELHOR HISTÓRIA INDIE DE 2025. PRECISA DE MAIS ALGO?
Quem é fã de Action RPGs isométricos tem sido maltratado nos últimos anos — e sabe bem disso. Entre as engasgadas e bugs de Path of Exile, um cenário cada vez mais “hardcore” e as estratégias agressivas de monetização da franquia Diablo, o fã desse gênero tão único não pode se dizer satisfeito. Mas, as surpresas surgem de onde menos esperamos — e é sobre isso que vamos falar hoje: a grande surpresa indie de 2025, Hellclock, o “Exile-Like” brasileiro.
Desenvolvido pela companhia brasileira Rogue Snail e publicado pela Mad Mushroom, Hellclock é um dos ápices do videogame nacional e se junta a Mullet Mad Jack e Horizon Chase Turbo como uma das grandes obras-primas brasileiras.
HISTÓRIA/PREMISSA
Hellclock é História. História brasileira, da melhor qualidade possível.
Abordando o período histórico do Massacre de Canudos, o jogo traz uma proposta original de misturar História com folclore e uma temática demoníaca, digna da opressão sentida nos primeiros minutos de Diablo 1. Mas, em Hellclock, o mal não é o demônio — é o homem. O homem que mata, que persegue, que massacra, como no próprio Massacre de Canudos, um dos capítulos mais terríveis da nossa história.
O jogador assume o controle de Pajeú, um cabra arretado com o objetivo inicial de resgatar João Abade dos opressores da república, dominados por uma aura demoníaca. Hellclock tem um ritmo incrível, com a história contada em doses pequenas enquanto o jogador sofre para melhorar suas runs em uma igreja amaldiçoada.
O jogo oferece opções de acessibilidade e modos de ritmo mais rápido para quem quer focar na narrativa — e o modo “normal” é o equilíbrio perfeito. Mesmo que o jogador morra muitas vezes, cada morte recompensa com um pedaço de história, assim como Hades fez. Pela primeira vez, morrer em um roguelite não frustra: é recompensador, porque há uma “lore” riquíssima sendo contada.
Hellclock é um show de História e história. Contar mais seria quase criminoso — jogar é apreciar uma narrativa belíssima enquanto se aprende sobre os acontecimentos que marcaram o Brasil. Apenas jogue — e se deleite com uma história tão bem contada quanto a de Diablo 2.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
A jogabilidade de Hellclock entrega familiaridade imediata para quem jogou Diablo ou Path of Exile.
A Rogue Snail conseguiu a façanha de fazer um jogo completamente novo, mas com sensações familiares, o que facilita a adaptação. É fácil de jogar, difícil de dominar. As habilidades são intuitivas, os controles responsivos e a sensibilidade do analógico é precisa.
O jogador, na pele de Pajeú, possui diversas habilidades trocáveis e combináveis, além de equipamentos e relíquias que permitem dezenas de builds já nas primeiras horas. Tudo é bem balanceado — e encoraja a experimentação.
As reliquias são um destaque: poderosas e variadas, alteram completamente o estilo de jogo. Não espere a complexidade absurda de Path of Exile, mas sim uma experiência completa e acessível.
Outro destaque é o Relógio Infernal, que limita cada run a 8 minutos. A mecânica adiciona urgência sem frustração — e pode ser desligada nas opções. Com o relógio ativo, a adrenalina das runs é viciante.
A progressão é o coração de um bom ARPG — e Hellclock domina isso com maestria.
Diferente da progressão confusa de Diablo 4 ou do início lento de Path of Exile, aqui tudo é justo e recompensador. Cada run traz progresso real, e o loot é equilibrado e satisfatório.
Não há tentativas desperdiçadas: até as derrotas rendem recompensas úteis. O RNG (rolagem de sorte) é justo e nunca frustrante. É o tipo de design que mantém o jogador preso no loop de “só mais uma descida”.
A Rogue Snail acerta ao fazer o simples com excelência — algo raro no gênero.
DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA
Hellclock está disponível apenas na Steam, restrito a PCs. É leve, possui diversas opções gráficas e roda bem até em máquinas modestas — qualquer “batata gamer” segura tranquilamente.
Durante os testes, o jogo também rodou impecável via Boosteroid, com performance em 1080p/60fps, suporte total a controles e estabilidade excelente.
Os gráficos de Hellclock são simples, mas muito charmosos. O estilo cell-shaded dá personalidade às cores vibrantes e à iluminação perfeita das dungeons, que evita armadilhas visuais e garante boa leitura da ação.
As cutscenes desenhadas à mão são um espetáculo à parte. O jogo lembra as cores de Diablo 3, mas com uma paleta mais sombria — tons vermelhos, pretos e dourados — que não cansam os olhos mesmo após horas de jogatina.








CONCLUSÃO
Hellclock não é só o melhor jogo brasileiro de 2025 — é o melhor ARPG roguelite em anos.
Com gameplay competente, progressão justa, história marcante e ambientação única, o jogo se coloca entre os grandes nomes do gênero. A Rogue Snail prova que talento e criatividade superam qualquer orçamento.
Hellclock já é um clássico instantâneo — e deve inspirar novas obras brasileiras e internacionais nos próximos anos.
Hellclock é a experiência definitiva de um ARPG roguelite, que agrada tanto o público casual quanto o hardcore. Fácil de jogar, difícil de dominar, mas sempre justo. Com opções de acessibilidade, gameplay refinada e uma história poderosa, Hellclock é um marco para os games brasileiros.
PATÔMETRO

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