HISTÓRIA/PREMISSA
As Garras de Awaji chega como a primeira grande expansão de Assassin’s Creed Shadows e, para quem se apegou à jornada de Naoe e Yasuke, a sensação é de reencontrar velhos conhecidos que ainda têm muito a contar. Os eventos dessa DLC se passam logo após o fim dos acontecimentos do jogo base.
Naoe descobre que sua mãe, Tsuyu, ainda está viva, o que a leva até a misteriosa ilha de Awaji em busca de respostas. Yasuke segue junto, mas com um propósito diferente, cumprindo sua promessa de eliminar os últimos Templários no Japão.
A trama não é só uma continuação direta, mas uma expansão do próprio universo criado em Shadows. Em Awaji, nossos protagonistas precisam lidar com o clã Sanzoku Ippa, um inimigo inédito que se destaca por emboscadas e armadilhas imprevisíveis.
O enredo mantém o ritmo de mistério, certa dose de tensão e mantém sua exploração constante, com direito a quatro grandes arcos narrativos e espaço para que o jogador explore a ilha em ordem relativamente livre.
É uma história que mistura vingança, segredos familiares e conspirações, dando um peso novo às motivações pessoais dos heróis.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
Se no jogo base já tínhamos um equilíbrio interessante entre furtividade e combate agressivo aberto, em As Garras de Awaji essa fórmula ganha novidades. O maior destaque fica para Naoe, que agora empunha o Bō, um bastão que redefine completamente sua jogabilidade. Ele não é só uma arma de dano bruto, mas sim uma ferramenta de controle de grupo, capaz de empurrar inimigos, desequilibrar adversários e abrir espaço para finalizações rápidas. Essa nova arma traz uma camada extra de estratégia e torna cada confronto mais criativo, principalmente por sua alternância de postura.
Yasuke também não fica de fora, recebendo novas habilidades e melhorias para seu arsenal. No total são várias skills inéditas para os dois protagonistas, ampliando a árvore de progressão e incentivando a experimentação.
Além disso, a ilha de Awaji apresenta ambientes cheios de armadilhas e emboscadas, forçando o jogador a ser mais cauteloso e observador, principalmente enquanto está em caminhos estreitos e afastados.
Outro ponto que merece destaque é a exploração, lógico. A região é recheada de atividades opcionais, desde pinturas sumi-e em locais icônicos, até encontros curiosos com florestas que escondem formas bizarras nas árvores, quase como ilusões visuais.
As estações do ano continuam sendo um recurso essencial, mudando não só a paisagem, mas também as oportunidades de infiltração, como se esconder em gramados altos no verão ou usar nevascas para abafar passos no inverno.
DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA
Awaji é um espetáculo à parte. É a primeira região insular da franquia e carrega uma identidade muito própria. Vilas de pescadores, templos escondidos, castelos imponentes e até o famoso redemoinho de Naruto compõem um cenário que prende o olhar e convida à exploração.
A verticalidade e a densidade da vegetação tornam o parkour ainda mais envolvente, então para quem gosta de jogar com Naoe, esse novo cenário valoriza muito a jogabilidade com ela.
Tecnicamente, a expansão não mantém a solidez do jogo base. O desempenho do hardware em si segue bem otimizado, mesmo em áreas cheias de inimigos e partículas na tela, porém, essa DLC carrega todos os bugs que não presenciei durante toda a campanha do jogo base; itens que parecem não terem sido programados, ações que não obedecem corretamente, texturas que travam o personagem sem motivo e ainda tem os problemas com o cavalo, principalmente dentro da cidade, onde claramente é possível passar com ele, mas uma barreira invisível não permite, e em algumas lutas contra chefes, se eles saem do cenário programado, você não consegue seguir (por conta da barreira invisível)… Precisa esperar que a IA dele o traga de volta até o cenário pré-estabelecido e assim o combate segue.
A trilha sonora segue impecável, mesclando temas tradicionais japoneses. Pequenos detalhes, como o som do vento passando por florestas densas ou o impacto do Bō, mostram a atenção ao design sonoro.
CONCLUSÃO
Apesar de a história ser muito boa, a realidade é que, pelo menos a parte que diz respeito a Naoe, deveria estar no jogo base. Sendo assim, isso não é uma DLC, é um complemento do jogo base por parte dela. A DLC funciona melhor para o Yasuke, já que ele segue sua trajetória de eliminar os templários. O conteúdo também traz muita coisa nova, e isso dá uma sobrevida muito bacana ao jogo.
Tecnicamente, nesse primeiro momento, apesar de linda, a DLC tem muitos problemas técnicos, ao menos no PC. A ilha é vasta, deslumbrante e há épocas do ano em que ela é realmente linda, e os cenários seguem o mesmo padrão do jogo base — arrisco dizer que está até mais bonito.
Vale a pena? Pessoalmente, acho que sim, mas por conta do novo cenário e das novas histórias, pois não concordo com o fato de o arco da Naoe se encerrar de fato apenas no conteúdo pago.
PATÔMETRO
