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Review de Hollow Knight: SilkSong

HISTÓRIA/PREMISSA

Hollow Knight: Silksong segue Hornet, a princesa-protetora de Hallownest, como protagonista em uma nova aventura no reino de Pharloom, um mundo assombrado por “Seda e Canção”. A história começa com Hornet sendo capturada e levada para esse reino distante, onde desperta em um ambiente desconhecido e hostil.

Para escapar, ela deve embarcar em uma jornada ascendente rumo a uma cidadela reluzente no topo de Pharloom, enfrentando desafios, inimigos e mistérios. Diferente de Hollow Knight, onde a narrativa era mais enigmática e centrada no Cavaleiro explorando as ruínas de Hallownest, Silksong apresenta um enredo mais estruturado, com ênfase em um sistema de quests que guia Hornet por áreas interconectadas.

O reino de Pharloom é descrito como um lugar vibrante, porém decadente, com biomas variados — de florestas de coral a picos dourados — e uma sociedade dividida por cultos e facções. A história explora temas de sacrifício, destino e redenção, mantendo a narrativa ambiental característica da Team Cherry, em que a lore é revelada por meio de diálogos crípticos com NPCs, itens e cenários.

Hornet enfrenta mais de 150 novos inimigos, incluindo chefes únicos, enquanto utiliza suas habilidades ágeis — ataques com agulha, ferramentas de seda e cristas (equivalentes aos charms do primeiro jogo) — para navegar e combater. A jornada de Hornet é tanto uma luta pela liberdade quanto uma descoberta sobre o propósito desse novo reino e sua conexão com Hallownest.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

Silksong é um Metroidvania e, como os jogos desse estilo, segue o mesmo padrão: você começa com poucas, ou nenhuma habilidade, explora o mapa, encontra barreiras intransponíveis, adquire novas skills, consegue explorar mais áreas e segue nessa progressão até finalizar o jogo.

O jogo apresenta inúmeros desafios, sejam de combate ou exploração. Há uma infinidade de chefes com os mais variados níveis de dificuldade. Eles seriam até fáceis, se não fosse o fato de soltarem vários minions. Para mim, isso aumentou bastante o nível de dificuldade.

Achei que o jogo abusou das “arenas”: pequenas salas onde você precisa sobreviver a ondas de inimigos. Depois de um tempo, ficou cansativo.

Agora, vou falar das coisas maravilhosas que encontrei antes de partir para os problemas — inclusive o que me fez dropar o jogo. É, infelizmente eu dropei.

A arte do jogo é simplesmente linda. Os biomas são variados, as animações muito bem feitas e cheias de detalhes que arrancam sorrisos. Desde os movimentos da saia da Hornet, os efeitos quando ela flutua ou pega impulso no ar, até pequenos detalhes do cenário.

Um que me marcou foi quando encontrei formiguinhas que só faziam parte do cenário. Mas, ao derrotar um inimigo, elas carregaram as partes do corpo embora. Achei sensacional.

O idioma inventado para os insetos é divertido, e os NPCs cantam músicas bizarras que dão vida a esse mundo riquíssimo.

A trilha sonora também impressiona. Em certos momentos, como nos Salões Harmônicos, cheguei a arrepiar.

DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA

O jogo foi desenvolvido em Unity e é extremamente leve. Roda em praticamente qualquer máquina a 120 fps, sem problemas.

MINHAS CRÍTICAS

Boa parte do que vou falar aqui são opiniões pessoais, baseadas na minha experiência (e talvez na minha falta de habilidade). Eu achei o jogo muito difícil. Ou seja, para mim, ele não funcionou. Tenho inúmeros amigos que acharam fácil! Então, pese isso ao considerar essa análise.

Alguns pontos problemáticos:

> Dano duplo da Hornet: ela sempre toma dano em dobro. Se você estiver no PC e achar muito difícil, existe um mod que reduz o dano para simples. Não resolve totalmente, mas ajuda.

> Economia: no primeiro Hollow Knight, os inimigos soltavam Geo, a moeda do jogo, usada para tudo. Aqui, nem todos soltam rosários, a nova moeda. Isso obriga o jogador a fazer grind, o que eu considero chato. Nada mais frustrante do que chegar em um banquinho (local de save) sem dinheiro, mesmo após passar sufoco. Dá vontade de xingar a quinta geração dos desenvolvedores da Team Cherry.

> Posicionamento dos bancos: nem sempre estão próximos dos chefes. Muitas vezes, você morre e precisa atravessar grandes trechos novamente, já chegando enfraquecido. Achei punitivo demais.

> Exploração complexa: esse foi o ponto que me fez dropar. Em algumas telas, era preciso realizar sequências complexas de pulos, usar inimigos como plataformas, lançar a agulha, planar e muito mais. No momento em que peguei a Garra de Seda, não consegui nem sair da tela. Aí percebi que o jogo não era para mim.

Aqui vai outra dica para quem joga no PC: existem mods que fazem todos os inimigos soltarem rosários e permitem renascer na sala anterior ao chefe. Achei útil e, sinceramente, não estragou a experiência. Porém, vale ressaltar: mesmo com esses mods, os desafios de exploração não têm como ser “resolvidos”.

> Estrutura: o jogo é dividido em três atos, sendo o terceiro o “final verdadeiro”. Para acessá-lo, é necessário completar todas as sidequests dos Atos 1 e 2 e derrotar todos os chefes. Caso contrário, o jogo termina no Ato 2.

CONCLUSÃO

Dropei o jogo com 48 horas, ainda no Ato 2.

No fim das contas: se você jogou o primeiro, gosta de Metroidvanias, tem boas habilidades motoras e não se importa com punição constante, Silksong definitivamente é para você. Acho que é um grande candidato a melhor jogo de ação e aventura do ano.

Quer uma nota? Poderia dar 90, mas pela dificuldade, minha nota final é 80. Nesse caso, a culpa foi mais do jogador do que do jogo.

PATÔMETRO

80

Review de Jogos / Criador de Conteúdo
Ex empresário e professor de Assembly, atualmente vive em Portugal e adora passar o tempo nos seus joguinhos, com o gênero RPG de turno como seu preferido. Além de videogames, adora viajar e curtir uma boa gastronomia.

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