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Review de RoboCop: Rogue City

Comprado via Steam
Versão de PC

Data de lançamento: 2 de novembro de 2023
Plataformas: PC (Steam), Xbox Series e PlayStation 5;
Desenvolvedor: Teyon;
Distribuidor: Nacon;
Gênero: Ação, FPS.


PREMISSA/NARRATIVA

RoboCop: Rogue City é aquele tipo de jogo bem arcade, simples, direto e seu objetivo é ressuscitar o espírito de uma época onde filmes de ação eram brutais, exagerados e cheios de frases de efeito. A história acontece entre os filmes RoboCop 2 e 3, em uma Detroit que parece cada vez mais afundar no crime e na corrupção. Você entra na pele (ou melhor, metal) de Alex Murphy, um homem transformado em máquina, que carrega não apenas a missão de limpar as ruas, mas também o peso de conciliar sua humanidade com a função de ser praticamente uma arma ambulante. O jogo não se resume a atirar sem parar, ele também cutuca esse conflito interno, criando um equilíbrio curioso entre reflexões e explosões. No fim, o objetivo da narrativa é concluído, você não joga RoboCop, você é o RoboCop.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

A primeira coisa que se percebe em Rogue City é que você não está jogando com um herói de ação ágil e bonito igual vocalistas de K-POP. Você é um tanque humanoide, pesado, lento, inabalável e completamente sem medo. Cada passo ecoa como se o chão sentisse a presença da máquina da lei. Essa escolha de design pode parecer estranha para quem está acostumado a FPS mais rápidos, mas é justamente o que torna a experiência autêntica. Você não corre para o combate, você impõe sua chegada.

O combate é o ponto alto. A Auto-9 é praticamente uma extensão de Murphy, e disparar com ela traz uma sensação absurdamente viciante. Os inimigos não apenas caem, eles voam, giram e se arrebentam contra as paredes em um espetáculo que mistura violência e humor involuntário. É difícil não sorrir quando você acerta um tiro bem colocado e transforma um corredor em um festival de corpos espalhados. Além disso, o jogo permite o uso de diferentes armas, mas a Auto-9 é tão icônica que dificilmente você vai querer largá-la.

Há também um sistema de progressão simples, mas funcional. Você pode melhorar habilidades como resistência, precisão e até opções de diálogo, o que dá uma leve sensação de RPG. As missões investigativas complementam esse ritmo, permitindo interagir com NPCs, colher pistas e até resolver situações de forma menos explosiva. Não é revolucionário, mas quebra a monotonia e mostra um lado mais humano de Murphy, lembrando que ele ainda é policial, não só máquina de combate. Aqui entra um ponto negativo, algumas missões secundárias tentam humanizar demais RoboCop, o qual está em um dilema sobre ser humano e/ou ser uma máquina, então certas missões não fazem sentido, até mesmo pelo momento chave do jogo, talvez sendo esse o único pecado do game.

Outro detalhe que gostei é como o jogo não te trata como um super-herói intocável. Apesar de ser blindado, você pode sim ser sobrecarregado por inimigos se vacilar. Isso exige que o jogador use cobertura, pense nas rotas e administre munição das armas secundárias. É brutal, mas também estratégico na medida certa. Na sua “árvore de habilidades” você também pode adquirir habilidades e melhora-las, como o soco, blindagem, avanço rápido etc.

Você não joga Robocop, você é o Robocop.

DIREÇÃO DE ARTE/ASPECTOS TÉCNICOS

Se há um ponto onde Rogue City brilha é na forma como ele recria o visual decadente de Detroit, equilibrando nostalgia com identidade própria. Não espere aquele realismo fotográfico que a gente vê em blockbusters recentes, mas sim uma cidade que parece saída diretamente de uma fita VHS dos anos 80. As ruas são mal iluminadas, tomadas por sujeira, pichações e letreiros de néon que piscam como se estivessem prestes a apagar. Essa estética de decadência urbana faz toda a diferença, porque transmite exatamente o tom dos filmes originais.

Os cenários são relativamente compactos, mas cada espaço conta uma história. Você passa por bares enfumaçados onde parece que ninguém limpa o chão há décadas, fábricas abandonadas cheias de ferrugem e cabos soltos, delegacias que exalam tensão com pilhas de documentos e máquinas antiquadas. Tudo isso cria uma sensação de que o tempo parou em Detroit, reforçando o peso da criminalidade e da negligência social. É um jogo que não precisa de um mundo aberto gigantesco para te fazer acreditar no universo que construiu.

Visualmente, a iluminação é um dos pontos mais bem trabalhados. As áreas internas são carregadas de sombras densas e contrastes fortes, enquanto as externas apostam em cores frias que passam a sensação de uma cidade gelada e impessoal. Os modelos de personagens não chegam a impressionar, alguns até entregam um pouco o orçamento mais modesto do projeto, mas os detalhes no design do próprio RoboCop compensam isso. O brilho metálico da armadura, os reflexos de luz e até as marcas de desgaste transmitem peso e realismo ao personagem.

Tecnicamente, Rogue City é competente. O desempenho se mantém estável na maior parte do tempo, e embora não seja um jogo que empurre hardware ao limite, ele roda com consistência, o que é essencial em um FPS. O áudio, por sua vez, é impecável e talvez até mais marcante que o visual. Os passos metálicos ecoam como trovões em corredores estreitos, os disparos da Auto-9 têm um timbre seco e inconfundível, e até a respiração mecânica de Murphy reforça a sensação de estar dentro da armadura. E claro, não dá para deixar de lado o trunfo máximo da equipe, a voz de Peter Weller, que devolve autenticidade total ao personagem. É esse detalhe que faz a experiência soar oficial, como se estivéssemos jogando um pedaço perdido dos filmes.

CONCLUSÃO

O jogo que sabe exatamente o que é e o que quer entregar. Ele não tenta competir com FPS modernos cheios de parkour e velocidade, mas aposta na identidade única de ser RoboCop. Essa sinceridade é o que faz dele uma das adaptações mais fiéis de um filme para videogame que já joguei. É claro que ele tem falhas. Alguns bugs aparecem, as animações em certos momentos lembram que não estamos diante de um AAA e a movimentação pode não agradar quem busca algo mais ágil. Mas nada disso pesa tanto quando você está atravessando uma sala cheia de inimigos e vendo corpos voando por todos os lados. O jogo funciona porque entrega exatamente a fantasia de ser RoboCop, e entrega bem.

Esse jogo é quase como rebobinar uma fita VHS antiga e reviver um clássico, só que dessa vez com o controle na mão. É bruto, é nostálgico, é exagerado e, acima de tudo, é divertido. Para os fãs do personagem, é praticamente obrigatório. Para quem nunca se importou muito com RoboCop, ainda é uma experiência diferente, porque não existe nada igual no mercado hoje.

ONDE COMPRAR?

Co-Founder / Press Manager / Imprensa / Jornalista Digital / Streamer / Criador de conteúdo / Reviews
Fã incondicional de Cavaleiros do Zodíaco, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Tartarugas Ninjas, Robocop, Power Rangers e Caça Fantasmas. Gosto de Tokusatsus e animes dos anos 80, 90 e comecinho dos anos 2000. Jogo desde o Super Nintendo (Snes) e meus jogos favoritos são RPGs ou ARPGs, como Final Fantasy IX e Parasite Eve.

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